Jornada de lutas em todo o país nos 18 anos da Resistência de Corumbiara

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Nos 18 anos da Heroica Resistência de Corumbiara, camponeses se levantaram em diversas regiões do país em uma jornada de lutas combativas.

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Camponeses exigiram a presença do Ouvidor Agrário Nacional Gercino Filho.

Rondônia

Vibrante ato político em celebração do 9 de agosto reuniu camponeses e apoiadores da luta pela terra no auditório da Universidade Federal de Rondônia – Unir, em Porto Velho.

Estiveram presentes delegações camponesas das áreas Zé Bentão e Renato Nathan (áreas da fazenda Santa Elina, Corumbiara); Canaã e Raio de Sol (região de Jaru e Ariquemes); Jacinópolis (região de Buritis); Flor do Amazonas (Candeias do Jamari) e Paulo Freire III (Seringueiras). Também compareceram representantes do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo); a Vice-Reitora da Unir, Maria Cristina; a advogada da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Lenir Correia; representantes do DCE/UNIR e do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR); Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação – Moclate; representantes da Coordenação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO).

O ato também resgatou a memória do líder camponês Renato Nathan, que segundo denúncia dos camponeses foi executado por policiais civis na região de Buritis em abril do ano passado.

Após o ato, cerca de 250 camponeses organizados pela Liga dos Camponeses (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental e pelo Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina (Codevise) dirigiram-se ao Incra para cobrar soluções para a situação de áreas ameaçadas de despejo e de áreas que encontram-se em situação irregular há mais de 12 anos devido à inoperância do Instituto.

Alguns funcionários do Instituto abandonaram o prédio apressados com a chegada dos camponeses. Outros funcionários do Incra acionaram a Polícia Federal dizendo estar sob "cárcere privado" e agentes da PF tentaram entrar a força sendo prontamente barrados pelos camponeses, mas foram embora assim que constataram que não havia "cárcere privado" algum.

Os ocupantes exigiram a presença do Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho, que dessa vez teve que se reunir com os camponeses sem a habitual presença de seguranças e comandantes da polícia.

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Ato em Porto Velho relembra a Batalha de Corumbiara.

A ocupação do Incra de Porto Velho foi mantida por dois dias e foi encerrada após o Ouvidor Agrário se comprometer em encaminhar soluções para as reivindicações dos camponeses. Nova reunião foi agendada para o dia 30 de agosto para que o Incra preste conta dos encaminhamentos. Fruto desta ocupação, outras reuniões foram agendadas com o superintendente do Incra - RO em outras localidades próximas a áreas camponesas.

Apoiadores do movimento camponês garantiram o abastecimento de comida, materiais de limpeza, alimentos, etc., para a ocupação. Professores e estudantes da Unir realizaram ampla divulgação da ocupação convocando a população de Porto Velho para apoiar.  Os estudantes também organizaram uma campanha e receberam doações de leite para as crianças que acompanhavam suas mães na ocupação e outras necessidades básicas dos ocupantes. Advogados da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - RO foram até o local e reuniram-se com os representantes do Cebraspo, Abrapo e CPT para tratar das reivindicações camponesas e intervir junto ao Incra e a Ouvidoria Agrária Nacional para a solução das regularizações de posses, das ameaças de despejos e da perseguição aos camponeses. Lideranças indígenas do Povo Gavião (Ji-Paraná) e Karitiana (Porto Velho) se uniram aos camponeses somando suas reivindicações e prestando solidariedade.

Na noite de 9 de agosto, os 18 anos da Heroica Resistência de Corumbiara foram celebrados com queima de fogos de artifício e palavras de ordem.

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Norte de Minas

Camponeses da região de Jaíba organizados pela LCP e diversas associações bloquearam por 48 horas (dias 7 e 8 de agosto) a estrada que dá acesso à cidade. Cerca de 300 pessoas, entre camponeses e apoiadores, participaram do protesto, queimaram pneus que bloqueavam a estrada, exibiram faixas com reivindicações e receberam manifestações de apoio da população.Os camponeses só liberaram a estrada após reunião com o Incra, Iter, Ruralminas e alguns vereadores da região, que se comprometeram em debater e dar solução as reivindicações apresentadas pelos camponeses, que cobraram solução para uma série de promessas não cumpridas.

Nesse mesmo período, os camponeses do Projeto Jaíba fecharam por várias horas a estrada que liga o município de Jaíba ao Projeto e ao município de Manga, exigindo o fim da exorbitante conta de água.

No dia 8 de agosto, ocorreu novo bloqueio de estrada próximo à área camponesa Vitória, em Verdelândia, que é alvo de tentativa de despejo. Os camponeses que vivem e produzem na área há mais de 12 anos exigiram o fim da ameaça de reintegração de posse, já cortada e loteada há pelo menos dez anos pelos próprios camponeses, e que fazia parte das terras prometidas por Tancredo Neves em 1982. O Comitê de Apoio a Luta pela Terra em Montes Claros organiza uma ampla campanha contra a ameaça de despejo da Área Vitória, que já conta com dezenas de subscrições de entidades democráticas e personalidades do Norte de Minas e outras regiões do país.

No dia 9, na área Vitória, os camponeses celebraram os 18 anos da resistência de Corumbiara.

Rio de Janeiro

Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, em 9 de agosto, numa plenária da Frente Independente Popular, um representante do Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina (Codevise) foi convidado para falar para dezenas de estudantes e ativistas do movimento popular sobre a Heroica Resistência de Corumbiara. Ele relatou a luta das famílias e remanescentes da resistência até a retomada das terras da Fazenda Santa Elina em 2010 e fez uma exposição sobre a luta pela terra em Rondônia. Nesse dia, os ativistas dos protestos populares que sacodem a capital fluminense desde junho também celebraram a Resistência de Corumbiara.

Pará

Nos dias 8 e 9 de agosto o Incra de Conceição do Araguaia foi ocupado, no primeiro dia por cerca de 50 camponeses, aumentando para aproximadamente cem no segundo. A principal reivindicação dos ocupantes organizados pela Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins são as terras da Fazenda Forkilha, onde em 2007 forças policiais e até mesmo o exército prenderam e torturaram centenas de camponeses a mando da gerência Ana Júlia Carepa/PT. 

O Incra foi desocupado após representantes do Instituto e da Ouvidoria Agrária regional se comprometerem a dar solução a uma série de reivindicações dos camponeses. No encerramento da ocupação, a Resistência de Corumbiara foi lembrada pelos camponeses, assim como a batalha de Eldorado dos Carajás – PA (1996) e o ataque da operação "Paz no Campo" contra os camponeses que ocupavam a Fazenda Forkilha (2007). Também foram lembrados os líderes camponeses assassinados pela polícia e bandos de pistoleiros a mando do latifúndio: Luiz Lopes (PA) e Renato Nathan (RO).

Nova reunião entre o superintendente do Incra de Conceição do Araguaia e camponeses foi agendada para 23 de agosto.

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