PT e PSDB comemoram IDH do Banco Mundial

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As "Políticas Compensatórias" e focalizadas, orientadas pelo Banco Mundial, têm no IDH o seu instrumento de medição e avaliação. Sua aplicação no Brasil coincide com os gerenciamentos de Cardoso e Luiz Inácio, respectivamente do PSDB e PT, ou seja, "políticas compensatórias" iniciadas por um e continuadas por outro. Daí o congraçamento de ambos diante da publicação no final de julho do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) segundo o qual o Brasil avançou nos últimos 20 anos. Numa escala de 0 a 1, considerando o 1 como o mais avançado, o índice geral do país foi de 0,493 (em 1991) para 0,727 (em 2010).

Mascarar a realidade

A estatística, enquanto registro e contabilização de dados, cumpriu um importante papel no desenvolvimento da humanidade. Com a indiscriminada aplicação das médias, entretanto, ela passa a ser um perigoso instrumento de manipulação política, com a criação de índices que escondem a realidade, como é o caso do PIB per capita. Por ele, se João comeu duas bananas e José não comeu nenhuma a estatística vai dizer cada um comeu uma banana. Tal é que a respeito se cunhou o provérbio popular de que "Há duas maneiras de um governo mentir: uma é mentir mesmo e a outra é publicar estatísticas".

Segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) "o objetivo da criação do Índice de Desenvolvimento Humano foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbubul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano".

Criado no período da ofensiva imperialista denominada por seus agentes de "neoliberalismo" e coincidindo com as determinações do Banco Mundial para aplicação de "políticas públicas compensatórias", justamente para camuflar o estratosférico lucro obtido pelos bancos e pelas transnacionais nos países explorados, o IDH baseado em médias extraídas da saúde, educação e renda, logo foi denunciado como mais um instrumento de manipulação de informações com vistas a obscurecer o entendimento da realidade.

O economista Gilson Dantas, em artigo intitulado "Estatística da Miséria e Miséria da Estatística": divulgado pelo sítio "Olho da História" (http://oolhodahistoria.org/n16/artigos/gilson.pdf) aborda com profundidade todas as possibilidades de manipulação da estatística, transformando-a num instrumento ideológico a serviço das classes dominantes e, em especial, do imperialismo. Segundo Dantas "'No Brasil, a população pobre está melhor que antes.' Seja qual for a força, ou o conteúdo de verdade dessa afirmação, sejam quais forem as evidências de ganhos sociais, existe uma maneira bem peculiar e frequente desse tipo de dado estatístico ser apresentado pelos economistas mais simpáticos ao governo e mesmo por outros nem tanto.

Deliberadamente ou não, os tecnocratas ou especialistas em dados sociais apresentam tais indicadores de uma forma tal e com uma matemática tão particular, que a realidade termina sendo representada em fatias, em pequenas fotografias coloridas que escondem ou mistificam uma realidade social cinzenta. No final de contas, a extensa e profunda desgraça social desaparece encoberta sob um manto de números esperançosos.

Intencional ou não, esse enfoque reforça a ilusão, a confiança e esperança política na melhoria desse quadro social absolutamente injusto e violento, resultado inevitável da ordem capitalista. E principalmente dão força à ficção política de que, e mantido o funcionamento capitalista no Brasil, pode-se chegar à justiça social ou à ruptura das relações de exploração no trabalho."

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Esperança de vida sem saúde

No caso da saúde, por exemplo, ao adotar "políticas públicas" focalizadas no acompanhamento de pré-natal e nos primeiros cuidados com a criança, o índice de expectativa de vida vai ser elevado, pois a mortalidade infantil puxava este índice para baixo. Junte-se a isto outra "política pública compensatória", no caso o "Bolsa Família" e está posto o conjunto de ingredientes para a mistificação.

Dantas denuncia os arautos da ascensão social pelo fim da miséria ao questionar a qualidade das mudanças por eles apregoadas: "Aqui, novamente, entra em ação uma lipoaspiração ideológica: o explorado saiu de um pão de má qualidade com café idem por dia, para ganhar, agora, um prato extra de mingau de farinha ou qualquer outra gororoba que nem o menos aquinhoado dos tecnocratas, dos reitores, dos jornalistas – e nem falar do ministro Ananias – jamais reconheceria como 'refeição', como 'variedade' e, com certeza iria receber como desaforo ou desacato e jamais como comida de gente. E morreria de indignação cívica se tivesse que oferecer isso a algum filho seu como 'alimento'. No fundo, muitos deles pensam: 'excluídos', conformem-se com a miséria, lembrem que poderia ser pior.

Portanto, o primeiro comentário tem a ver com o lado absolutamente grotesco e desumano daquilo que é 'vendido' como avanço, melhora, modernidade ou qualquer outro nome. Estamos aqui falando de migalhas de um grande bolo. Migalhas daquele elemento fundamental que fica sempre oculto nesse contorcionismo de tecnocrata domesticado pela ordem: o essencial é o que foi roubado dos trabalhadores! O essencial – e sempre encoberto – é que a classe social a quem as migalhas são destinadas é, ao final de contas, a classe que produz toda a riqueza social! (E, portanto produz o grande bolo)."

Todos na escola sucateada

Para aparecer bem na fita provocando um aumento nos índices de alfabetização, o gerenciamento Cardoso desencadeou uma grande campanha de matrículas nas escolas públicas sem, no entanto, melhorar as condições de vida e de trabalho dos professores e demais servidores e, tampouco, melhorar a infraestrutura das escolas.

Como estes aspectos não são observados pelo IDH, a qualidade do ensino ficou cada vez mais aviltada, inclusive, com a proibição aos professores de reprovar o aluno. Logicamente, não havia aí nenhuma preocupação de natureza pedagógica e sim de natureza demagógica, isto é, para não prejudicar os índices do IDH.

Seguindo a mesma linha, Luiz Inácio vinculou o "Bolsa Família" à matrícula das crianças na escola e foi mais além, criando o Prouni e o Reuni para aumentar a matrícula no nível superior e dando mais um passo gigantesco na degradação da formação universitária no Brasil. Estas medidas contribuiriam para mudar a posição do Brasil no IDH e, de quebra, davam um vigoroso auxílio não apenas à privatização do ensino como o seu controle por grupos estrangeiros.

A renda miserável que engorda os concentradores

Concluído o primeiro semestre o país se depara com o grande espetáculo da desigualdade social proporcionado pela publicação do balanço dos bancos, os quais apresentam lucros estratosféricos.

No jogo real, concreto, os ganhadores são sempre os mesmos e o volume de seus ganhos cada vez maior. No jogo do PIB per capita e do IDH, quanto mais os bancos aumentam seus ganhos mais aumenta a posição do Brasil em tais índices.

A questão da desigualdade como fruto da concentração é, também, abordada por Gilson Dantas, para o qual "O Brasil caracteriza-se por construir um padrão extremamente concentrado de partição da renda e da riqueza. Os dados disponíveis e confiáveis indicam a persistência estrutural do jogo da distribuição pessoal da renda e da riqueza, mesmo quando ocorre o aparecimento de novos jogadores. Os 10% mais ricos da população impõem, historicamente, a ditadura da concentração, pois chegam a responder por quase 75% de toda riqueza nacional. Enquanto os 90% mais pobres ficam com apenas 25%. Independentemente dos padrões de desenvolvimento econômico pelos quais o Brasil passou, prevaleceu a estabilidade na desigualdade de repartição da renda e da riqueza entre seus habitantes".

Para Dantas "Essa situação se agravou ainda mais com o fim do ciclo de industrialização nacional (1930-1980), quando a fatia correspondente à renda do trabalho na composição da renda nacional encolheu substancialmente. Do final da década de 1970 à metade da primeira década do século XXI, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional caiu quase 12 pontos percentuais. Simultaneamente, cresceu a porcentagem relativa às formas de riqueza associadas aos proprietários (lucros, juros, aluguéis, renda da terra)".

O que comemoram então o PT e o PSDB senão mais uma farsa, cujo primeiro ato foi protagonizado por Cardoso e o segundo por Luiz Inácio? Além dos superlucros às transnacionais, aos bancos e ao agronegócio, só fizeram aprofundar e preparar mais a crise do capitalismo burocrático no país.

Se ambos estão surpresos com o recado das manifestações populares ocorridas até agora, que se preparem para mais surpresas quando o povo da cidade e do campo resolver dar cobro mais duro ao latifúndio, à grande burguesia e ao imperialismo, juntamente com todos os seus serviçais.

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