Ataque genocida na Síria

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Em Duma, bairro de Damasco, homem segura criança morta em meio a vários corpos.

Em 21 de agosto, imagens estarrecedoras de centenas de mortos (estima-se em 1500) em pelo menos três localidades da Síria foram divulgadas pelo mundo, provocando uma onda de indignação parecida com a reação causada pelo massacre de mais de mil manifestantes no Egito.

As primeiras informações davam conta de que se tratava de um ataque com armas químicas deflagrado pelo governo de Bashar al Assad contra redutos dos "rebeldes" (exército mercenário armado pelo USA e aliados imperialistas), que se apresentam como "Exército Livre da Síria".

No entanto, tal acontecimento ocorreu em circunstâncias muitíssimo nebulosas, que tornam quase impossível atestar de onde partiu o ataque.

Primeiro porque alguns analistas diziam que Assad estaria vencendo a guerra, não havendo razão para cometer tal crime de guerra, principalmente por causa da presença em solo sírio de uma comitiva de fiscais da ONU encarregada justamente de investigar o uso de armas químicas pelo regime.

Segundo porque o imperialismo, principalmente o ianque, aguardava ansiosamente uma oportunidade como esta para justificar uma intervenção direta de suas tropas e bombardeiros, já que a estratégia de financiar a oposição interna parecia fracassar.

Terceiro porque não é só Assad quem tem recursos e meios para se valer de armas químicas para realizar seus intentos. Não se pode perder de vista que outras potências também teriam interesse em fabricar um ato dessa natureza, mas que principalmente o Estado fascista de Israel, através de seu serviço secreto, é mestre nesse tipo de artimanha.

A ONU, o balcão de negócios do imperialismo, se comporta de maneira ainda mais pusilânime que de costume, facilitando as coisas para a aprovação de um ataque, mesmo com um provável veto russo. Suas equipes de inspeção até tentaram investigar a origem dos ataques, mas acossadas por atiradores não identificados, se recolheram novamente ao hotel, à espera de garantias de segurança do regime sírio. Assim, o tempo passa e vai ficando cada vez mais difícil comprovar de onde partiu o ataque. Não que isso realmente importe para a ONU e o USA...

Segundo analistas internacionais, o USA trabalha a possibilidade de se utilizar da estratégia do ataque ao Kosovo, em 1998, através da OTAN e sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Na ocasião, os aviões ianques despejaram bombas durante 78 dias, atingindo grande parte da infra-estrutura do Kosovo, da Sérvia e de Montenegro, depois que a Rússia vetou o ataque com autorização da ONU.

O certo é que qualquer que tenha sido o perpetrador desse selvagem crime de guerra, o grande perdedor é o povo sírio, que permanece entre o fogo do reacionário regime (apoiado por Rússia, Irã e outros) e o fogo dos "rebeldes" (patrocinados pelo USA e potências européias).

Satisfeito e com o timing perfeito, Obama já pôs em marcha o plano de invasão, ordenando que três navios de guerra ianques que estavam "de passagem" pelo Mar Mediterrâneo, lá permanecessem para qualquer eventualidade. Entre essas embarcações está um carregado de mísseis Tomahawk, já apontados para o território Sírio.

Rússia e Irã já se adiantaram na defesa do regime de Assad e alertam para a desestabilização de toda a região em caso de intervenção direta. Interessante é que desde há dois anos toda a região está em ebulição com protestos populares em praticamente todos os países do norte da África e Oriente Médio e o recado dos imperialistas russo é uma ameaça à estabilidade.

Enquanto na contradição interimperialista as potências fazem os cálculos militares e políticos de uma eventual agressão direta à Síria, a guerra civil que se desenrola no país há quase dois anos dizima grande parte da população. Ataques genocidas como o do dia 21, no qual ainda não se sabe qual arma foi utilizada, são amostras escabrosas de guerras desse tipo, entre duas forças reacionárias.

Estima-se em mais de cem mil os mortos na Síria (não há dados confiáveis a esse respeito), todos vitimados pelo imperialismo e as classes dominantes locais em pugna pela gerência do Estado.

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