Peabiru: Livro traz nova descoberta

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http://www.anovademocracia.com.br/116/13b.jpgO Caminho de Peabiru, que ligava o Atlântico ao Pacífico, possuía também um extenso ramal praiano no Brasil com 1500 quilômetros, nunca mencionado antes.

Essa novidade histórica é o tema do livro que a pesquisadora Rosana Bond e a Editora Aimberê/AND lançarão no dia 12 de setembro em Florianópolis. O evento ocorrerá no restaurante Posto da Alfândega, na praia de Sambaqui, das 19h às 23h.

A obra História do Caminho de Peabiru – O milenar, "desprezado" e pouco estudado ramal litorâneo faz parte de uma série, dois volumes já foram publicados.

A autora explica o título: "Informo que o caminho praiano é milenar porque foi usado pelos índios desde pelo menos 1500 anos atrás. Digo que foi "desprezado" porque os portugueses só reconheceram oficialmente sua existência e importância dois séculos após terem desembarcado no Brasil. E finalmente, falo que foi pouco estudado porque, num equívoco, foi visto pelos estudiosos como um caminho "natural", sem interferência da mão do homem. Ou, no máximo, como uma rude trilha indígena presente apenas em trechos descontínuos do litoral, do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro."

E complementa: "A editora e eu estamos apresentando aos leitores a história inédita de uma velha rota que na verdade percorria a costa gaúcha, catarinense, paranaense, paulista e carioca, sem qualquer interrupção, por nada menos que 1500 quilômetros!"

A surpresa: era um ramal

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Mapa da baía de Guanabara, 1574, mostrando a localização da cidade velha do Rio de Janeiro.

Conforme Rosana o resultado de suas pesquisas a surpreendeu, pois além da própria existência da "estrada" indígena costeira, revelou que esta era um ramal do Peabiru, o extenso caminho que ligava o Atlântico ao Pacífico e vice-versa, utilizado por diversas nações indígenas, entre elas a guarani e a inca.

"Estudo o Peabiru há quase duas décadas e não conhecia esse ramal litorâneo brasileiro, nunca encontrei nada escrito sobre ele. Topei com o assunto por acaso, quando procurava detalhes do trajeto peabiruano para atender a um pedido de amigos idosos, apaixonados pelo Caminho", conta ela.

A investigação acabou levando a autora a documentos e mapas antigos, além de textos acadêmicos pouco divulgados, mostrando aquilo que índios atuais ainda chamam de "nosso caminho da beira do oceano" e o seu vínculo com o Peabiru.

Rosana constatou que a rota oceânica tratava-se de um ramal sul-norte (e vice-versa), que dava acesso ao grande Peabiru leste-oeste (e vice-versa). Esclarece ela: "Era um ramal do Peabiru porque o complementava, tanto no aspecto geográfico quanto no aspecto religioso dos indígenas guaranis, que buscavam na beira das praias os pontos escolhidos por seus deuses para fazerem a viagem à Terra Sem Mal, o paraíso mítico que ficava em algum lugar do Atlântico."

O livro, que apresenta mapas e textos detalhados sobre o trajeto da rota litorânea em cada estado e município, será publicado em formato de apostila para tornar seu preço mais acessível ao público.

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Os curiosos Itapocus

A obra contem um Anexo denominado A curiosa função dos Itapocus que não possui relação direta com o ramal praiano e sim com o Peabiru principal.

Foi incluído pela autora "porque é o cumprimento de uma promessa que fiz aos leitores no Volume 1 da série, em 2009. Pela demora, já estava sendo justificadamente cobrada", explica ela, com bom humor.

No Anexo, a pesquisadora diz que a palavra indígena Itapocu, nome de um famoso e histórico rio de SC, onde o Peabiru entrava rumo ao Paraguai e Peru, pode ter sido originalmente Tape Pukú, que significa Caminho Comprido.

Ao descobrir a existência de 13 Itapocus no Brasil e países vizinhos, a autora apresenta uma abordagem inédita sobre o topônimo, dando indícios de que ele possuía a curiosa função de "sinalizar" a presença do Peabiru nos locais que os índios batizaram de Tape Pukú (Caminho Comprido).

"São fortes os indícios dessa sinalização porque 90% desses Itapocus ficam em pontos-chaves do Peabiru. É como se, através do nome Tape Pukú, os índios quisessem avisar que o Peabiru passava por ali", conclui Rosana.

A partir de 12 de setembro, os exemplares poderão ser adquiridos pelo sítio, blog, e-mail e telefones da Editora Aimberê/AND. Em Florianópolis pelos telefones 3232-2250 (Óptica Brasil) e 3224-5558/3233-2244 (Bancas Catedral).

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