RJ: Professores em luta contra a meritocracia

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Profissionais da educação tomam as ruas.

No dia 8 de agosto, os professores da rede municipal do Rio de Janeiro entraram em greve e dias após os profissionais da rede estadual juntaram-se a seus colegas, pela primeira vez unificando a luta da categoria. Com o momento propício semeado pelas jornadas de protesto popular de junho e julho, os professores aderiram massivamente à luta e a cada assembleia lotada, seguiram-se manifestações pelas ruas.

A categoria sofre há anos com políticas de sucateamento da educação. A principal pauta de reivindicação de ambos os seguimentos é o combate à meritocracia ou plano de metas, programa que incentiva a aprovação automática e transforma a formação dos alunos em produto de mercado. O professor perde a autonomia de ensino e ensina apenas o necessário para que se atendam as necessidades do mercado, exigidas pelos exames do governo. Some-se os baixos salários e a falta de infraestrutura necessária nas salas de aula para que a situação se torne insuportável e culmine na combatividade da categoria, ainda que o sindicato que a dirija seja de pouca representatividade dos interesses dos professores.

Augusto Rosa, professor da rede estadual e militante da ORC (Oposição da Resistência Classista), que compõe também a Frente Independente Popular (FIP), em depoimento ao AND denunciou o caráter do movimento grevista.

O campo majoritário na direção do sindicato é PSOL, PSTU (principalmente) e também uma presença significativa do PT. Depois destas manifestações de junho e julho, nós, enquanto oposição, e outros companheiros que compõem o campo, começamos a bater na tecla de que este era o momento político de entrar na greve — diz.

Durante anos de manobras feitas pelo sindicato, pouco se obteve de conquistas.

Desde março estamos nesse embate contra o campo majoritário. Votamos várias vezes para entrar em greve, sempre perdendo a votação. A greve é fruto da pressão da categoria nas assembleias — esclarece.

Augusto aponta que no último semestre as pautas não avançaram, foram descontados por uma greve de advertência e nada foi conseguido pelos meios burocráticos.

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Profissionais da educação tomam as ruas.

O professor nos fala sobre as mobilizações e sobre a posição do Sepe:

Uma outra coisa é a questão dos atos, há uma orientação da direção do sindicato para que os atos sejam voltados cada vez mais para uma sensibilidade parlamentar. A base parlamentar é do governo, então não há o que sensibilizar lá — expõe.

Foi a base mobilizada que pressionou para permanecer no Palácio Guanabara durante o primeiro ato convocado, onde professores e demais manifestantes sofreram forte repressão policial:

No dia da audiência, algumas pessoas da base da categoria entraram no palácio, quiseram participar da audiência, mas não puderam, eles tiraram a postura de enfrentar a polícia ali dentro, de fazer uma ocupação para garantir que as reivindicações fossem cumpridas. E parte da direção, alguns diretores do sindicato que estavam nessa ação, abertamente queriam abandonar eles ali. A maior parte da direção ficou do lado da polícia – relata.

 E é por conta desta massa combativa tornou-se hábito tomar as ruas após cada assembleia.

A adesão à paralisação tem gradativamente aumentado. No município era 80% a quantificação dos grevistas já na primeira semana. No estado, onde a Rede Globo divulgava 0,5% de adesão e o próprio sindicato estipulava de 20% a 30%, sabe-se que este número já ultrapassa 50% de professores em greve. As próprias assembleias lotadas demonstram a força da categoria.

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Sorrateiramente, a direção do sindicato fechou e assinou acordo com a prefeitura, aceitando encerrar a greve em troca de um aumento de míseros 8% de reajuste e a redução de 90 para 30 dias o prazo para finalização da proposta de plano de carreira para os profissionais. Nada sobre a meritocracia, redução de alunos por sala e outras questões pedagógicas foi resolvido.

No entanto, os mais de 10 mil profissionais da educação rejeitaram o acordo e derrotaram o prefeito e a diretoria do sindicato na assembleia do dia 28.

A rede estadual mostra-se ainda mais ativa e politizada por conta da maior violência em seu sucateamento e maior experiência de luta grevista durante os últimos vinte anos. E tende a permanecer mais tempo na luta e de forma mais independente do poder do sindicato.

Até o fechamento desta edição de AND, as assembleias  das redes municipal e estadual estavam marcadas para o dia 30 de agosto.

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