RJ: Professores em luta contra a meritocracia

http://www.anovademocracia.com.br/116/09a.jpg
Profissionais da educação tomam as ruas.

No dia 8 de agosto, os professores da rede municipal do Rio de Janeiro entraram em greve e dias após os profissionais da rede estadual juntaram-se a seus colegas, pela primeira vez unificando a luta da categoria. Com o momento propício semeado pelas jornadas de protesto popular de junho e julho, os professores aderiram massivamente à luta e a cada assembleia lotada, seguiram-se manifestações pelas ruas.

A categoria sofre há anos com políticas de sucateamento da educação. A principal pauta de reivindicação de ambos os seguimentos é o combate à meritocracia ou plano de metas, programa que incentiva a aprovação automática e transforma a formação dos alunos em produto de mercado. O professor perde a autonomia de ensino e ensina apenas o necessário para que se atendam as necessidades do mercado, exigidas pelos exames do governo. Some-se os baixos salários e a falta de infraestrutura necessária nas salas de aula para que a situação se torne insuportável e culmine na combatividade da categoria, ainda que o sindicato que a dirija seja de pouca representatividade dos interesses dos professores.

Augusto Rosa, professor da rede estadual e militante da ORC (Oposição da Resistência Classista), que compõe também a Frente Independente Popular (FIP), em depoimento ao AND denunciou o caráter do movimento grevista.

O campo majoritário na direção do sindicato é PSOL, PSTU (principalmente) e também uma presença significativa do PT. Depois destas manifestações de junho e julho, nós, enquanto oposição, e outros companheiros que compõem o campo, começamos a bater na tecla de que este era o momento político de entrar na greve — diz.

Durante anos de manobras feitas pelo sindicato, pouco se obteve de conquistas.

Desde março estamos nesse embate contra o campo majoritário. Votamos várias vezes para entrar em greve, sempre perdendo a votação. A greve é fruto da pressão da categoria nas assembleias — esclarece.

Augusto aponta que no último semestre as pautas não avançaram, foram descontados por uma greve de advertência e nada foi conseguido pelos meios burocráticos.

http://www.anovademocracia.com.br/116/09b.jpg
Profissionais da educação tomam as ruas.

O professor nos fala sobre as mobilizações e sobre a posição do Sepe:

Uma outra coisa é a questão dos atos, há uma orientação da direção do sindicato para que os atos sejam voltados cada vez mais para uma sensibilidade parlamentar. A base parlamentar é do governo, então não há o que sensibilizar lá — expõe.

Foi a base mobilizada que pressionou para permanecer no Palácio Guanabara durante o primeiro ato convocado, onde professores e demais manifestantes sofreram forte repressão policial:

No dia da audiência, algumas pessoas da base da categoria entraram no palácio, quiseram participar da audiência, mas não puderam, eles tiraram a postura de enfrentar a polícia ali dentro, de fazer uma ocupação para garantir que as reivindicações fossem cumpridas. E parte da direção, alguns diretores do sindicato que estavam nessa ação, abertamente queriam abandonar eles ali. A maior parte da direção ficou do lado da polícia – relata.

 E é por conta desta massa combativa tornou-se hábito tomar as ruas após cada assembleia.

A adesão à paralisação tem gradativamente aumentado. No município era 80% a quantificação dos grevistas já na primeira semana. No estado, onde a Rede Globo divulgava 0,5% de adesão e o próprio sindicato estipulava de 20% a 30%, sabe-se que este número já ultrapassa 50% de professores em greve. As próprias assembleias lotadas demonstram a força da categoria.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Sorrateiramente, a direção do sindicato fechou e assinou acordo com a prefeitura, aceitando encerrar a greve em troca de um aumento de míseros 8% de reajuste e a redução de 90 para 30 dias o prazo para finalização da proposta de plano de carreira para os profissionais. Nada sobre a meritocracia, redução de alunos por sala e outras questões pedagógicas foi resolvido.

No entanto, os mais de 10 mil profissionais da educação rejeitaram o acordo e derrotaram o prefeito e a diretoria do sindicato na assembleia do dia 28.

A rede estadual mostra-se ainda mais ativa e politizada por conta da maior violência em seu sucateamento e maior experiência de luta grevista durante os últimos vinte anos. E tende a permanecer mais tempo na luta e de forma mais independente do poder do sindicato.

Até o fechamento desta edição de AND, as assembleias  das redes municipal e estadual estavam marcadas para o dia 30 de agosto.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin