Severinos e Amarildos

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"O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Esta definição de Euclides da Cunha ficou célebre, talvez porque tenha captado um aspecto essencial não apenas do camponês nordestino, retratado em seu livro Os sertões, mas de todo o povo pobre na história do Brasil.

Quando decidi contribuir com a imprensa popular, optei pelo pseudônimo de "Aroeira", porque esta madeira simboliza a fortaleza do espírito sertanejo de que fala Euclides, como forma de homenagear a vida e a luta dos homens e mulheres do povo que são a razão da existência de meus textos.  

Faz poucos dias, conheci uma pessoa incrível que condensa esta força do caboclo sertanejo. Seu Geraldo Lajeado chegou aqui em Montes Claros para realizarmos uma campanha de denúncia contra a tentativa de expulsão das trinta famílias camponesas que vivem há cerca de treze anos na Comunidade Vitória/Cachoeirinha.

Passamos por várias salas de aula da Unimontes – Universidade Estadual de Montes Claros - participamos de eventos e reuniões. Em todas as ocasiões, Seu Geraldo Lajeado com simplicidade, mas muita astúcia e bom humor, conquistou os corações dos estudantes e professores, declamando seu poema que conta a história do Massacre de Cachoeirinha, ocorrido em 1967, no qual o 10° Batalhão da PM comando pelo famigerado Coronel Georgino Jorge de Souza expulsou centenas de famílias camponesas de suas terras:

Vou contar uma pequena história
dos posseiros de Cachoeirinha...
viviam todos tranqüilos
criando porco, bode e até mesmo galinha
viviam todos em seu pedaço de chão
criando porco, galinha e até mesmo feijão
quando foi um belo dia
todos levaram um susto
que chegaram a dar um grito
de repente, apareceu, o maldito Manoelito
Ele chegou fazendo a maior judiação
destruindo todos os barracão
e queimando toda a alimentação
de nossos irmão...
alguns lhe perguntou: - qual a sua intenção?
Ele respondeu, com a voz mansinha:
- "a minha intenção é por todo mundo para correr
e ser dono de Cachoeirinha!"
Ficaram todos sem alimentação
e sem nenhum tostão na gibeira
prá acabar de completar,
chegou o Coronel Georgino
conhecido como Papagaio de Carvoeira
Ele chegou protegido, com seu Batalhão
E os posseiros protegidos com Jesus no coração
Uns foro para a cidade e outros pra debaixo do chão
agora nós mandamos um recado:
- "se Coronel Georgino viver e Manoelito aparecer
em Cachoeirinha eles num entra mais não!"

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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