As forças da desordem

http://www.anovademocracia.com.br/117/05a.jpg
Durante o ato de 7 de setembro, em meio à correria, viatura da PM atropela idoso.

Nos anos oitenta havia um jornal chamado Última Hora. Todos os dias aglomerava gente nas bancas de jornal para admirar fotos de cabeças cortadas, troncos sem membros, pedaços de gente - gente pobre, gente negra, gente das periferias - e os comentários não eram de horror, era sempre do gênero "mais um bandido morto".

Vinda duma sociedade onde a lei estabelece que todos as pessoas são inocentes até provar o contrário, me descobri numa sociedade onde todo mundo se acha no direito de fazer julgamentos instantâneos sem ao menos apurar os fatos, e a aplaudir o espancamento, tortura, morte de qualquer um baseado em nada mais do que suposição, disse-me-disse, denúncia, suspeita, real ou imaginária. Sempre se ouve aqui o bordão "bandido bom é bandido morto". Só que o bandido pode ser qualquer um, já que é a opinião difundida pela sociedade quase inteira que direitos humanos é um mecanismo pelo qual gente frouxa - ou até criminosa - defende os direitos dos "bandidos”, que, na melhor das hipóteses, pode ser qualquer um que seja diferente do interlocutor.

Por mais que os movimentos sociais e de direitos humanos batalhem, a grande mídia sempre continua sustentando esses bordões e nunca foi difundido por aqui o conceito de que cada ser humano tem direitos. Assim fica fácil propagar a noção de que quem se aventurar pelas ruas exigindo os direitos sempre negados de educação, saúde, transporte, moradia, esteja errado – um vagabundo, desordeiro, vândalo... até criminoso. A vítima se torna réu do processo.

Ou seja, quem aponta para os problemas vira o problema. Com essa lógica torta os governos federal, estaduais e municipais pelo país inteiro se acham no direito de mandar a Policia Militar, as Tropas de Choque e todas as outras tropas e instâncias de poder atacar a população impunemente em todo o país, desde as pessoas que se manifestam nas ruas reivindicando os direitos, até as pessoas em volta que porventura se encontrem ali, transeuntes, camelôs, espectadores. Num dos vídeos registrados no Rio dia 7 de setembro, vimos um policial fortemente armado dizendo para um jovem "Para de falar ou te dou voz de prisão”. Proibido se manifestar de qualquer forma.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza