Imperialismo atiça guerra civil no Oriente Médio

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Caminhão de bombeiro abandonado em rua arrasada pela guerra em Deir Ezzor, Síria.

Como bem ressaltou o blog Ódio de Classe, o acordo fechado pelo imperialismo ianque e pelo imperialismo russo para adiar o ataque à Síria é "pão para hoje e fome para amanhã", tendo em vista que a destruição das armas químicas em poder do Estado sírio não colocará um fim às disputas imperialistas naquela nação. Ao contrário: o que se acena é uma repartilha do butim, em cenário que se configura com mais presença do imperialismo ianque na Síria e, em contrapartida, garantia de compra em massa de mais armamentos para o exército sírio junto aos famigeradores "empresários" e senhores da guerra apadrinhados por Moscou.

Sobre a Síria, bem como sobre outras nações do Oriente Médio, ao longo dos últimos anos, período de acirramento das contradições do capitalismo burocrático naquela região, uma certa "esquerda" insiste em encampar a retórica de Assad contra uma iminente agressão imperialista, como se o "líder sírio" de fato representasse uma liderança de resistência do seu povo à subjugação estrangeira.

Ora, pois Assad, vende-pátria que é, demonstra na prática que é adepto justamente da chamada "Teoria da Subjugação Nacional", segundo a qual o povo seria incapaz de lutar pela construção de uma verdadeira independência nacional, devendo, portanto, aceitar a "influência" (na prática, a subjugação) de uma potência estrangeira.

No caso sírio, o papel de lacaio que Assad e seu grupo de poder desempenham ante o imperialismo russo dá conta desta realidade, e é justamente para que o país se atrele a outra potência, o USA, que os ianques ora fomentam a guerra civil, visando mudar a bandeira do país imperialista a exercer a primazia da subjugação daquele povo sofrido.

Todo esse jogo "geopolítico" – ou seja, jogado de acordo com os interesses e as estratégias de dominação das potências – já deixou pelo tabuleiro mais de 115 mil mortos na Síria, entre soldados de Assad, tropas do "Exército Livre da Síria", formado por mercenários a serviço do imperialismo ianque, e civis que não tinham envolvimento direto no conflito armado, segundo levantamento feito pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Entre os mortos, seis mil crianças, até agora. Só em setembro cinco mil pessoas teriam morrido em consequência da guerra civil fomentada pela corrida imperialista na Síria.

Neste contexto, uma equipe da Organização para a Proibição de Armas Químicas desembarcou na Síria em 1º de outubro com a incumbência de eliminar, até meados de 2014, todo o arsenal químico sírio, composto de cerca de mil toneladas de gás sarin e de gás mostarda, entre outras armas do tipo proibidas pelo Direito Internacional, ainda que nada seja feito, por exemplo, em relação às armas químicas em poder de Israel (ver nesta edição de AND). No último seis de outubro, especialistas sob a supervisão dos interventores da ONU destruíram seis ogivas de mísseis, bombas e materiais químicos, em meio a grande alarde do monopólio da imprensa.

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Corrida imperialista na Líbia

A exemplo do que acontece na Síria, outra nação da grande região do norte da África e Oriente Médio que também é palco de uma corrida imperialista protagonizada pelo USA e pela Rússia é a Líbia, cujo "governo" é formado por mercenários e assassinos encastelados no gerenciamento daquele Estado graças ao USA e seus cúmplices da Europa, colocados lá na sequência da brutal agressão promovida contra aquele país por uma coalização de potências capitalistas, atiçando um guerra civil que culminou com o assassinato de Khadafi.

Moscou vem acenando para este "governo" de mercenários – que, mercenários que são, vendem-se e vendem o país à melhor proposta que vem de fora – com um acordo militar vantajoso. No começo de setembro, os ministros russo e líbio das Relações Exteriores anunciaram um compromisso segundo o qual a Rússia venderá ao exército da Líbia armamentos, tecnologia bélica e treinamento militar.

Neste quadro, o Ministério da Defesa da Líbia já recebeu dez veículos militares blindados enviados pela Rússia, no último dia 25 de setembro. É neste contexto, o da aproximação entre Moscou e Trípoli para a reativação dos "acordos" militares vigentes à época de Khadafi, que precisam ser compreendidos episódios recentes como a operação realizada pelo USA na capital líbia no último cinco de outubro, na qual militares ianques sequestraram um cidadão líbio acusado de ser um líder da Al-Qaeda, e a subsequente reação de integrantes do "governo" líbio, batendo no peito e exigindo de Washington "explicações", arrotando soberania justamente ante aqueles que os colocaram no poder.

Egito: terra arrasada após ‘primavera cavalgada’

No Egito, agrava-se a cada dia o cenário de terra arrasada que é consequência da reorganização do capitalismo burocrático local depois que o imperialismo e outras forças reacionárias conseguiram aproveitar a lacuna de lideranças revolucionárias para cavalgar as justas revoltas das massas egípcias por uma democracia verdadeiramente popular levadas a cabo nos últimos anos.

No último seis de outubro, novos confrontos resultantes das políticas do imperialismo – combates entre as forças de repressão do exército e as forças do oportunismo recentemente alijadas do poder – deixaram pelo menos 50 mortos e centenas de feridos, sobretudo na capital do país, Cairo, onde relatos dão conta de escaramuças típicas de uma guerra civil. Mais de 400 partidários do ex-"presidente" Mohammed Morsi, deposto em julho, foram presos.

A Irmandade Muçulmana, força oportunista que se viabilizou como "poder civil" na sequência da deposição de Mubarak, e no âmbito do rearranjo das forças anti-povo para perpetuar o capitalismo burocrático local, não se cansa de convocar as massas egípcias para servirem de bucha de canhão contra o exército, o autêntico ponta-de-lança do imperialismo no Egito – como se ela, a famigerada irmandade, constituísse uma liderança de fato comprometida com os anseios das classes trabalhadoras, uma alternativa às estruturas de poder balizadas pelo imperialismo e coniventes com os crimes do sionismo.

Rotina de muita violência no Iraque

O primeiro fim de semana de outubro foi sangrento no Iraque, como têm sido os fins de semana, os dias úteis, os feriados e todo o tempo desde que o USA invadiu aquele país do Oriente Médio, assassinou seu presidente na forca e instaurou a violência e a barbárie por todo o seu território, desde então ocupado por militares estrangeiros e sugado em seus recursos naturais pelos monopólios da "joint-venture" criminosa formada pelas grandes potências capitalistas.

No sábado cinco de outubro, neste contexto de mais uma prolongada guerra civil fomentada pelo imperialismo, dois homens-bomba se detonaram em ataques a muçulmanos xiitas no Iraque, deixando 60 mortos na véspera do aniversário da morte de um ano de um de seus irmãos. Uma das ações foi levada a cabo no meio de uma peregrinação e a outra em um café localizado em área xiita a 80 quilômetros de Bagdá.

Outras 30 pessoas morreram no domingo, seis de outubro, em uma série de ataques no norte do Iraque e em Bagdá. Dez dos mortos eram crianças.

O dia seguinte, sete de outubro, foi de baixas para as "forças de segurança" do Iraque e para milícias de mercenários que trabalham para os invasores estrangeiros. Ao norte de Bagdá, duas bombas colocadas no acostamento de uma estrada mataram quatro membros das milícias Sahwa, que desde 2006 atuam a serviço do USA no Iraque. Ao sul de Fallujah, cidade situada a oeste de Bagdá, a explosão de uma bomba seguida por disparos matou dois soldados e feriu outros seis em um posto de controle.

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