E as armas químicas do sionismo?

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Na virada do ano de 2010 Israel utilizou bombas de fósforo branco indiscriminadamente.

O imperialismo ianque, no âmbito da corrida pela repartilha do mundo entre os monopólios das potências capitalistas reunidas no coletivo chamado "comunidade internacional", vai mudando, a cada ingerência ensaiada ou levada às vias de fato mundo afora, o mote da vez que se anexa às patranhas de sempre da "liberdade", da "paz" e da "democracia" – palavras que regem as suas guerras de colonização.

Foi com o mote das "armas de destruição em massa" que o USA invadiu o Iraque, assassinou seu presidente e repartiu seu território entre transnacionais do setor energético. Tem sido com o mote das "armas nucleares" que o USA vem há tempos tentando intimidar nações como o Irã, rufando os tambores da guerra e tentando negar-lhes o direito de se defender justamente de iminentes agressões imperialistas. Agora mesmo, neste instante, é com o mote das armas químicas, mais precisamente do gás sarin, que o imperialismo ianque tenta justificar mais uma agressão à Síria.

Um dos componentes usados na fabricação do gás sarin é o dimethyl methylphosphonate (DMMP). Poucos vão se lembrar, porque o monopólio internacional da imprensa acoberta os crimes do imperialismo, mas aquele que até hoje é o maior acidente aéreo da história da Holanda acabou revelando uma rota secreta USA-Israel que abastecia o sionismo com galões de DMMP ianque.

Depois do acidente em Amsterdã, em 1992, quando 47 pessoas morreram em decorrência direta da queda do avião que ia do USA para Israel, começaram a surgir na região muitos casos de doenças misteriosas, erupções cutâneas, distúrbios neurológicos, problemas respiratórios e câncer. Intrigado, um jornalista holandês chamado Karel Knip começou a investigar o caso, e descobriu que a carga do avião, que continha 50 galões de DMMP (o suficiente para fabricar 250 kg de gás sarin) provinha da empresa "Sokatronic Chemicals", localizada em Morrisville, no estado da Pennsylvania, com destino para o IIBR, sigla em inglês para "Instituto Israelense para Pesquisas Biológicas", que fica nas proximidades de Telaviv, e que oficialmente pesquisa vacinas contra bactérias e vírus, mas que é uma das instituições do sionismo mais cercadas de sigilo e secretismo.

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Knip descobriu também que pelo menos 140 cientistas especializados em armas biológicas do Instituto IIBR tinham laços próximos com o "Walter Reed Army Institute", a "Uniformed Services University", o "American Chemical and Biological Weapons Center" em Edgewood e a "Universidade de Utah".

Segundo apuração de Knip, o IIBR produz substâncias tóxicas para, entre outras finalidades, matar líderes palestinos, como na tentativa de assassinato em 1997 do líder do Hamas Khaled Meshall, atacado biologicamente nas ruas da Jordânia por agentes secretos do sionismo. Meshall foi contaminado por algo injetado em seu ouvido. O rei da Jordânia, indignado com a ação do Mossad no país, ameaçou explodir a embaixada de Israel, onde os terroristas que atacaram o líder palestino conseguiram se refugiar. Diante da "crise diplomática", o então chefe do imperialismo ianque, Bill Clinton, mandou ir buscar no IIBR o antídoto para salvar a vida de Meshall.

Estes casos foram oportunamente trazidos à memória pelo jornalista italiano Manlio Dinucci em artigo intitulado "As armas químicas secretas de Israel", publicado no último dia 24 de setembro no jornal Il Manifesto.

Leia abaixo o artigo na íntegra.


As armas químicas secretas de Israel

Manlio Dinucci *

Os inspetores da ONU, que controlam as armas químicas da Síria teriam muito mais trabalho se fossem mandados controlar as armas nucleares, biológicas e químicas (NBQ) de Israel. Mas, pelas regras do "direito internacional", não podem controlar nenhuma arma israelense. Israel não assinou o "Tratado de Não Proliferação", nem a Convenção que proíbe armas biológicas. Assinou, mas não ratificou o tratado que proíbe armas químicas.

Segundo o blog "Jane’s Defense Weekly", Israel – a única potência nuclear em todo o Oriente Médio – tem de 100 a 300 ogivas nucleares e os respectivos vetores (mísseis balísticos e de cruzeiro e caças-bombardeiros). Segundo estimativas do "Centro Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo", Israel produziu entre 690 e 950 kg de plutônio e continua a produzir plutônio suficiente para montar, por ano, de 10 a 15 bombas do tipo usado em Nagasaki. Israel também produz trítio, um gás radiativo com o qual se produzem ogivas neurotrônicas, que causam contaminação radiativa menor, mas de mais alta letalidade.

Segundo vários relatórios internacionais, citados também pelo jornal israelense "Ha’aretz", as armas biológicas e químicas são desenvolvidas no "Instituto para Pesquisa Biológica", situado em Ness-Ziona, próximo a Telaviv. Oficialmente, ali trabalham 160 cientistas e 170 técnicos, e o Instituto trabalha há mais de 50 anos em pesquisas em biologia, bioquímica, biotecnologia, farmacologia, física e outras especialidades. O Instituto é, com o "Centro Nuclear de Dimona", "uma das instituições mais secretas de Israel", sob jurisdição direta do primeiro-ministro. 

O maior sigilo cerca a pesquisa de armas biológicas: bactérias e vírus que, lançados contra o inimigo, podem gerar epidemias. Dentre elas, a bactéria da peste bubônica (a "peste negra" da Idade Média) e o vírus Ebola, contagioso e letal, contra o qual ainda não há terapia disponível. A biotecnologia é instrumento para criar novos tipos de agentes patogênicos contra os quais as populações-alvo não têm resistências, nem há vacina. Há também informação confiável sobre pesquisas, em Ness-Ziona, para desenvolver armas biológicas suficientemente potentes para neutralizar todo o sistema imunológico humano. 

Oficialmente, o Instituto israelense em Ness-Ziona pesquisa vacinas contra bactérias e vírus, como o antrax, financiadas pelo Pentágono. Mas é evidente que o mesmo tipo de pesquisa permite desenvolver novos agentes patogênicos a serem usados como arma de guerra. O mesmo tipo de trabalho é feito também nos EUA e em outros países, para escapar às leis, acordos e convenções que proíbem o uso de armas biológicas e químicas.

Em 1999, a carapaça de sigilo que protege as pesquisas de armas nucleares, biológicas e químicas em Israel foi quebrada em parte pela investigação, realizada com a colaboração de cientistas, do jornalista holandês Karel Knip, editor sênior de ciências do diário holandês "NRC - Handelsblad", e publicada sob o título de "Biologia em Ness Ziona". Ali ficou afinal comprovado que as substâncias tóxicas desenvolvidas pelo Instituto são utilizadas pelo Mossad para assassinar dirigentes palestinos.

Depoimentos de médicos indicam que, em Gaza e no Líbano, as forças israelenses utilizaram armas de concepção recente: deixam intactos os cadáveres, vistos externamente, mas agem por dentro, carbonizando o fígado e os ossos e fazendo coagular o sangue. É perfeitamente possível, com recursos de nanotecnologia. A Itália também colabora no desenvolvimento dessas armas, ligada a Israel por um acordo de cooperação militar e principal parceiro dos israelenses na pesquisa e desenvolvimento de armas biológicas. O orçamento italiano prevê dotação anual de três milhões de euros para esses projetos de pesquisa conjunta ítalo-israelenses. Exemplo dessa colaboração aparece no mais recente pedido de verbas para pesquisa do Ministério de Relações Exteriores italiano, que pede verbas para "novas abordagens para o combate de agentes patogênicos resistentes aos tratamentos". Com essas verbas, o Instituto israelense para pesquisa biológica poderá tornar os agentes patogênicos ainda mais resistentes.

*Publicado originalmente no jornal italiano Il Manifesto no dia 24 de setembro de 2013. Traduzido pelo coletivo Viva Vudu.

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