Reitoria da USP ocupada

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Após uma assembleia que reuniu mais de 700 pessoas, estudantes e funcionários da USP optaram em ocupar a reitoria no último 1º de outubro. Eles exigem a realização de eleições diretas para reitor; o fim da lista tríplice; dissolução do Conselho Universitário; estatuinte livre, democrática e soberana; por um governo tripartite da universidade (composto por professores, funcionários e estudantes), além de melhores condições de ensino. Desde o dia da ocupação, os estudantes se revezam em tarefas e comissões para organizar a luta.

No dia 9, o comitê de apoio ao AND em São Paulo nos informou que, segundo representantes do DCE da USP, a "justiça" suspendeu o pedido de reintegração da reitoria. Na manhã desse dia, os estudantes realizaram um ato que contou com cerca de dois mil manifestantes saindo do Museu de Arte Moderna (Masp) até a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Cerca de 250 PMs acompanharam a manifestação.

Pedro Serrano, representante do DCE, convocou os manifestantes para realizarem um jogral e disse: "Esse ato não é a nossa única vitória hoje. A nossa grande vitória, é que mesmo com o autoritarismo do [reitor] Rodas e com a intransigência do [governador] Alckmin, a justiça indeferiu a reintegração da reitoria. Agora o atual reitor da USP, o reitor da Unicamp e o governador do estado, reconhecem as nossas reivindicações. Senta pra negociar e entreguem os seus anéis, ou cada vez mais a reitoria vai ser nossa".

O megafone foi passado para Arielli Tavares, também do DCE, que afirmou: "Não vamos aceitar a polícia nos campi das universidades. Polícia não é segurança, polícia é repressão, é criminalização, é genocídio da juventude negra". E a estudante Luisa Davola também deixou sua mensagem: "Hoje havíamos proposto uma audiência pública com os reitores da USP e da Unicamp e mais uma vez eles foram truculentos, não querem diálogo, mas a cada dia o nosso movimento se fortalece, teremos vitórias nas cotas raciais, por democracia nas universidades e contra a PM na USP e na Unicamp".

 "Galera, esse ato mostrou pras reitorias, mostrou para o governo do estado que a nossa luta na USP, na Unicamp, na Unesp e nas Fatec’s é uma só, a luta por democracia para que possamos ter voz, para arrancar as polícias dos campi, só cresce, vamos fazer não só os reitores, mas também o governador tremer. Amanhã vai ser maior!", exclamou Diana Nascimento, representante do DCE da Unicamp.

Os estudantes encerraram a manifestação e os deputados Carlos Giannazi (PSOL), Leci Brandão (Pecedobê), Alcides Amazonas (Pecedobê) e Adriano Diogo (PT) pegaram o megafone e fizeram algumas justificativas com uma pitadinha de demagogia, dizendo ser uma vergonha atender os estudantes fora da ALESP. Mas, nessas alturas, boa parte dos estudantes já havia se dispersado. Até o fechamento desta edição, uma nova assembléia estava marcada para decidir os rumos da ocupação que havia chegado ao seu nono dia.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro