Porto Maravilha a serviço do capital

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Mapa indica áreas de expansão definidas pelos CEPACs.

Para falar sobre o processo de gentrificação da zona portuária da cidade do Rio de Janeiro, AND entrevistou a pesquisadora Letícia Giannella. Ela é doutoranda em Geografia na Universidade Federal Fluminense e participa ativamente do Fórum Comunitário do Porto, organização criada por moradores e ativistas para defender os direitos das comunidades frente ao processo de financeirização da região.

AND: Quando tem início o desejo das três esferas de governo em revitalizar a região?
LG: A zona portuária já nasce com essa característica de transformação em um espaço voltado para a acumulação e circulação de capital. Mas também já nasce estigmatizada. Os bairros da região começam a crescer com a transferência do mercado de escravos da Praça 15 para o Valongo. No século 20, o Pereira Passos [prefeito de 1902 a 1906] inicia todo o processo de reforma e a região tem um momento de brilho. Nos anos de 1960/70, as classes médias começam a ir para a zona sul e as classes trabalhadoras se dirigem ao subúrbio, para Marechal Hermes, seguindo a linha do trem, através de projetos de construção de moradias populares.
Eu costumo dizer que, além de todos estes fatores globais, há também a percepção estratégica de abandonar determinadas áreas da cidade, como uma tendência global, porque essas áreas se tornam, no futuro, novas fronteiras de acumulação capitalista.
Ao mesmo tempo começam a surgir propostas para a apropriação e transformação do local em uma área atraente ao capital. A primeira proposta de revitalização surgiu em 1983 e até o Porto Maravilha, acho que foram sete propostas. Foram feitos planos, projetos, mas nenhum foi colocado em prática.
Então por que o Porto Maravilha e por que agora? A questão principal é a articulação entre as três esferas de governo, que se deu a partir do governo Lula. Aproximadamente 70% dos terrenos da área portuária eram públicos e 62% eram do governo federal. Isso era um impedimento para a intervenção urbana na área, sem essa articulação, que está ligada aos megaeventos, isso não seria possível.

AND: E quem são os moradores da zona portuária hoje?
LG: O quadro que eu faço da zona portuária é essa descendência direta dos escravos e operários que viviam no local, ainda há muitas famílias de trabalhadores do Porto. Ainda existe Porto.

AND: Sobre o Projeto Porto Maravilha, o que te chama mais a atenção?
LG: Primeiro que não é um projeto urbanístico, mas um projeto financeiro. Se você vai buscar um projeto urbano mais clássico, não encontra.  O que se sabe é que foram lançados os títulos do mercado financeiro e a partir da mercantilização deles, as obras irão sendo aprovadas aos poucos, à medida que forem surgindo. Não existe um projeto definido. O que existe são algumas intervenções pontuais, chamadas de investimentos âncora, como as estruturas viárias e os empreendimentos culturais, o Museu de Arte do Rio, o Museu do Amanhã, o Aquário, que estão mais para atração de investidores do que para um projeto urbanístico.
Também chama a atenção a falta de participação, desde o começo. Quando o projeto passou na câmera, foi em época de recesso parlamentar, aprovado às pressas. Houve duas audiências públicas, a opinião dos moradores que participaram não foi ouvida.

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