Sururu no Partido Único é só pugna entre as classes dominantes

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A contradição é a lei fundamental da matéria, ela está presente em tudo, seja na natureza, seja na sociedade, inclusive no Partido Único das classes dominantes no Brasil, composto por 32 siglas com as mais diferentes combinações de letras de nosso alfabeto.

As contradições, entretanto, numa sociedade de classes, tem caráter de classe e, assim sendo, elas podem ser antagônicas quando refletem oposição entre classes detentoras dos meios de produção social e aquelas formadas por quem só tem sua força de trabalho, tal como a que opõe burguesia e proletariado, ou a que opõe os latifundiários aos camponeses (principalmente sem terra ou com pouca terra).

Por outro lado, quando choques de interesses se dão no âmbito das classes dominantes ou das classes dominadas, temos aí uma situação de contradição não antagônica. Mao Tsetung definiu bem esta situação quando escreveu Sobre a contradição e Sobre a justa solução das contradições no seio do povo, com que distinguiu o método de resolução das contradições segundo sua natureza. Mostrou a diferença no tratamento das contradições que se dão no seio do povo do tratamento daquelas que se dão entre o povo e seus inimigos de classe.

O Partido Único é o partido da ordem

Quem se pauta pelos noticiários da imprensa dos monopólios pode achar que nas divergências entre as várias siglas existem antagonismos. Tal como os ardorosos debatedores dos programas esportivos, os cronistas da vida mundana parlamentar se esfalfam em análises e conjecturas sobre o que mudará se esta ou aquela sigla, de propriedade deste ou daquele politiqueiro, chegar ao gerenciamento do Estado.

Puro engano, basta examinar as alianças realizadas entre as siglas nos últimos vinte anos para descartar a existência de antagonismo dentro do Partido Único, senão vejamos: a base aliada de Luiz Inácio e Dilma é praticamente a mesma de Cardoso, com raras exceções.

Não é, pois, mera coincidência que o eixo da política econômica e a correspondente relação com os instrumentos através dos quais o imperialismo exerce o seu domínio como ONU, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio e outros, permaneceu inalterada.O mesmo pode ser dito em relação aos bancos e ao latifúndio fora e dentro do país.

Se isto ocorre na esfera federal, mais ainda esta prática é vulgarizada nos acordos locais quando estão em jogo os interesses das oligarquias municipais e estaduais. Também, alguém pode pensar que como cada sigla tem seu próprio estatuto, no qual expressa o que seria seu “projeto para a sociedade”, isto poderia indicar interesses antagônicos.

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Indo mais além das aparências e entrando na essência do fenômeno vamos concluir que as divergências são meras firulas, porque as cláusulas pétreas do estatuto do Partido Único, não explicitadas nos estatutos das várias siglas, são: a defesa do marco constitucional estabelecido, a legitimação e participação na farsa eleitoral; a defesa da propriedade privada e da economia de mercado; a submissão à condição de semicolônia e do pacifismo burguês.

Todas estas siglas, diretamente ou em aliança, já tiveram oportunidade de gerenciar o velho Estado, em algum nível ou esfera, submetidas a este dogma. A experiência da história política de nosso país, portanto, só reforça a afirmação de que os partidos, assim como as pessoas, não podem ser julgados pelo que dizem de si mesmos, mas sim pelo que expressa a sua prática na luta de classes.

As contradições no seio do Partido Único

Pela ótica da luta de classes, o partido da ordem reacionária, com todas as suas siglas, é um partido de direita, do establishment, e se reproduz na obediência ao dogma acima exposto. Isto não quer dizer que no interior do mesmo as siglas não tenham contradições entre si. Contradições não antagônicas como afirmamos. Elas são derivadas das contradições existentes entre os vários grupos de poder das classes dominantes e suas frações que influem e direcionam o aparelho de Estado, tais como as frações do latifúndio, da burguesia compradora, da burguesia burocrática.

Estas siglas entram em pugna quando se trata de puxar mais brasa para a sardinha de seus amos, mas se conluiam quando se trata de manter a ordem vigente, de reprimir as classes exploradas, sendo este o aspecto principal da contradição.

Dependendo da ligação de cada sigla com determinado setor das classes dominantes e até da média burguesia (burguesia nacional) e de parte da pequena-burguesia e inclusive com a burocracia sindical, conforma-se circunstancialmente, dentro do Partido Único, um campo governista e outro oposicionista.

Atualmente, no país, no campo governista do Partido Único há siglas que se definem por “esquerda”, como PT, PSB, Pecedobê e PDT e de centro como PMDB e outros. No campo oposicionista ocorre o mesmo, tendo siglas que se definem como de centro, como PSDB, DEM, e como de “esquerda”, PCB, PCO, PSTU, PSOL, etc. Estes últimos, com atuação centrada nos movimentos sociais organizados, têm um duplo caráter, pois, se no Partido Único apresentam uma diferença no discurso em relação às demais siglas, é a aceitação da ordem vigente que lhes dá a qualidade oportunista.

Por outro lado, como organizações com militância no meio operário e popular, são, na verdade, socialistas de palavras e oportunistas e eleitoreiros de fato, pois na prática induzem as massas para o funil da farsa eleitoral e a consequente legitimação desse sistema como democracia. Com esta dubiedade, portanto, não podem mais que manter uma posição centrista na luta de classes.

Novas siglas não alteram a correlação de força na sociedade

O verdadeiro rebuliço causado pela criação de novas siglas e o consequente trocatroca dos parlamentares, com vistas a se posicionarem dentro das alianças que viabilizem sua reeleição, em nada altera a situação do Brasil frente à dominação imperialista e tampouco a situação das massas trabalhadoras da cidade e do campo.

Siglas criadas ao sabor do puro oportunismo como um tal Partido Republicano da Ordem Social no qual foi se abrigar a oligarquia Ferreira Gomes; o Solidariedade, de propriedade do pelego Paulinho da Força, criado para dar uma força a Aécio Neves; a Rede, de Marina Silva, que embora sem o registro reconhecido foi armada para o embalo de Eduardo Campos, em nada alteram o quadro de correlação de forças e das relações de dominação, exploração e opressão do nosso povo.

Isto porque a alternância entre as frações das classes dominantes no gerenciamento do Estado tem como pano de fundo o conluio das siglas do Partido Único para a manutenção da ordem reacionária. Dilma, Aécio, Campos e Marina, outros possíveis candidatos que se arvoram como de “esquerda”, bem como todas as siglas que representam são, na verdadeira acepção do termo, farinha do mesmo saco.

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