Camponeses pobres na mira de latifundiários terroristas

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Brasília - A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) vem denunciando ao Ministério Público Federal, desde o dia 7 de julho, a utilização de uniforme de campanha do Exército, capuz e armas de grosso calibre por jagunços a serviço do latifundiário Sebastião Martins dos Santos, o "Galo Velho", em Rondônia. Galo Velho teve uma de suas empresas citada na CPI da grilagem de terras, processada pelo Incra por falsificar documentos e títulos de propriedade. Além disso, Galo Velho é acusado de ter subornado um funcionário do Incra com uma caminhonete Mitsubishi 2003. 

No documento firmado ao promotor Sílvio Amorim Júnior, na Secretaria de Ofícios da Tutela Coletiva, a LCP informa que comunicou a situação à Procuradoria do Incra em Porto Velho e pediu garantias de vida aos sem-terra acampados no interior de Rondônia.

Os camponeses pobres reconheceram dois jagunços: Irlei, o "Neguinho", sobrinho do fazendeiro Sebastião Martins, e Itamar, o "Soldado", empregado dele. E constataram que eles estão morando na fazenda de Martins.

De acordo com a entidade, a ação de pistoleiros ameaça famílias nas áreas Sol Nascente e Lamarca em Cujubim; Buritis; área Carajás em Jacinópolis; Cristo Rei em Cacaulândia; Jaru; São Bento em Theobroma. O compromisso para o desarmamento dos jagunços, firmado no início governo Lula pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ainda não foi cumprido. "Os pistoleiros estão soltos e a impunidade continua", queixa-se a LCP.

A entidade informa que aproximadamente 800 pessoas acampadas na área denominada Seringal Novo Mundo, com conhecimento dos servidores do Incra, vêm sendo perseguidas e ameaçadas por pistoleiros que disparam armas de fogo, apontam-nas para crianças e perseguem veículos.

No dia 29 de junho, conforme as declarações prestadas ao Ministério Público pelo sem-terra Jair Ferreira Garcia, 18 homens reuniram-se na estrada que liga Machadinho do Oeste a Cujubim e pararam diversos veículos para abordar seus condutores "em busca de armas e documentos". Também obrigaram as pessoas que seguiam a pé, a parar, deitar no chão e serem revistadas. Ao saírem da barreira, elas foram atemorizadas com tiros disparados pelos jagunços, que vestiam uniforme para camuflagem na selva. Suspeitam que essa manobra tenha sido feita para confundi-los, já que em Porto Velho está sediada a 17ª Brigada de Infantaria de Selva, cujas operações nunca visaram o movimento dos sem-terra em Rondônia.

A LCP alertou que alguns pistoleiros podem ser facilmente encontrados em Cujubim: "Estivemos no posto da Polícia Militar para denunciá-los, mas os policiais recomendaram que procurássemos o lugar competente. Os pistoleiros Irlei e Itamar são amigos íntimos dos PMs, costumam andar em suas viaturas e até frequentam o quartel."

No dia 25 de julho, um pistoleiro da fazenda Galo Velho, Divino Urias Borges, de 46 anos, foi morto dentro da propriedade. Os camponeses conhecidos como Caco, Joel Garimpeiro e José Ribeiro foram presos, acusados de ter participação na morte do jagunço.

A polícia de Jaru tentou confundir os camponeses que exigiam a libertação dos companheiros, para mantê-los presos e ter mais tempo para forjar provas. Para isso, negou que os detidos estivessem na delegacia, dizendo que os mesmos haviam sido levados de volta à fazenda. A prisão, efetuada na tarde de sábado, (26), só foi registrada na madrugada de domingo (27).

A prisão dos camponeses teve como base um testemunho do mesmo Irlei, sobrinho de Galo Velho, que disse ter reconhecido os acusados, mesmo a uma distância de 150 metros. Além disso, a ação da polícia a serviço do latifúndio ocorreu sem que houvesse nenhum mandado contra os camponeses. Os três estão presos e foram impedidos de receber a visita de familiares e do próprio advogado, que vem recebendo ameaças dos latifundiários do estado. Apenas a esposa de Caco conseguiu ver o marido e os dois outros camponeses no domingo, dia 27 de julho.

Caco, Joel e José não foram ouvidos pelo delegado Samir Fouad Abboud até dia 29, que não recolheu depoimentos das testemunhas de defesa, ouvindo apenas as de acusação, sendo a principal, o mencionado Irlei. A ânsia de forjar provas contra os acusados é tanta, que os policiais levam pistoleiros para "reconhecer" os camponeses.

Testemunhas garantem que os camponeses não estavam no local do crime e não possuem informação sobre o mesmo. Exigem também que os acusados sejam libertados.

Outra reivindicação da LCP é que Galo Velho e seu bando armado sejam punidos, além da prisão dos policiais envolvidos em crimes contra os camponeses pobres.

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