A grande batalha pelo controle da Cipla

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Em 24 de outubro do ano passado, os trabalhadores das empresas Cipla Indústria de Materiais de Construção S/A e Interfibra Indústria e Comércio de Fiberglass, ambas pertencentes aos irmãos Batschauer, entraram em greve após cinco anos em que o tal Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não foi depositado, salários atrasados e jornada de trabalho excessiva. Houve repressão patronal e policial, mas a população da cidade de Joinville, maior pólo industrial de Santa Catarina, onde se localizam as empresas, apoiou os grevistas, forçando os donos a entregar a administração para os trabalhadores após uma semana de paralisação. Agora estes tentam sanar dívidas de quase meio bilhão de reais - sendo 80% com o governo federal - e ao mesmo tempo reabilitar a produção e infra-estrutura, prejudicada após tão longa indiferença.

Em 11 de julho, uma caravana de 350 pessoas foi a Brasília ter uma audiência com o presidente da República, que determinou a formação de um grupo de trabalho formado pelos Ministérios da Fazenda, do Trabalho, da Previdência e da Indústria, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável em apresentar um estudo para a situação das empresas - estas já solicitaram a estatização e a trégua nas execuções fiscais previdenciárias como possíveis soluções. Desde fevereiro, um Conselho Administrativo Unificado preside as empresas que somam mais de mil empregados. Porém, as ações ainda estão nas mãos dos proprietários.

"O faturamento está sendo usado atualmente em matéria-prima, salários e infra-estrutura", explica o assessor dos trabalhadores Antônio Hélio Pereira. Funcionando com apenas um terço da capacidade, a Cipla rende nada menos que R$ 1,5 milhão por mês e vem retomando clientes e honrando prazos. Sob a direção dos trabalhadores, a produção foi reorganizada resultando em uma economia de R$ 1,2 milhão por ano em energia elétrica, enquanto a eficiência de produção subiu 30%. A retomada de áreas da empresa já há algum tempo paralisadas - e quase sucateadas - voltou a funcionar, proporcionando novos empregos já que a produção da Interfibra depende mais do trabalho manual.

A criação de uma Associação dos Trabalhadores da Cipla e da Interfibra já foi aprovada, mas pela Assembléia Legislativa, o que acarreta obstáculos jurídicos a transpor. As ações, quando repassadas, irão para essa associação, sendo que o Conselho Administrativo Unificado deverá ser mantido.

Para outubro está sendo preparada uma conferência nacional em defesa do emprego, do direito e do parque fabril nacional, com a presença de sindicatos, trabalhadores, representantes e parlamentares, em Joinville. Contatos podem ser feitos pelo telefone (47) 3026-9000.

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