Condenar o massacre de 18 mil prisioneiros políticos no Irã

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Nota da redação: No dia 5 de outubro, dezenas de iranianos se reuniram em Londres para protestar contra o massacre de presos políticos pelo regime islâmico no Irã em 1988. Passados 25 anos do assassinato em massa, a história deste episódio ainda carece de esclarecimentos. A Nova Democracia considera importante conhecer este fato para compreender a natureza do regime iraniano que, apesar de ameaçado permanentemente pelo imperialismo ianque, nada tem de democrático.

O texto abaixo é um comunicado distribuído durante o protesto.

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Khavaran: parentes dos militantes políticos assassinados em 1988 prestam homenagem nos túmulos.

Ha 25 anos atrás, após a humilhante derrota nos oito anos de guerra reacionária contra o Iraque, o regime da república islâmica iniciou uma campanha secreta de eliminação de presos políticos no Irã. De junho a setembro de 1988, em menos de dois meses, os capangas brutais do regime reacionário assassinaram cerca de 18 mil presos políticos em todo o país. Entre eles estavam homens e mulheres, ativistas e intelectuais, jovens e idosos, comunistas, progressistas e patriotas que eram mantidos na prisão, em todo o país.

Entre os mortos estavam ativistas que já tinham concluído a suas sentenças de prisão, mas que foram então recapturados e eliminados. Este crime hediondo tinha ficado encoberto até que o sucessor designado de Khomeini, o aiatolá Montazeri, tendo perdido sua posição para Khamenei (líder atual da república islâmica), depois de intensas rivalidades entre facções na lutas pelo poder, expôs alguns detalhes desse genocídio na retórica de sua facção.

Ainda hoje, depois de 25 anos, não são totalmente conhecidos os números exatos de presos políticos assassinados no Irã no verão de 1988. No entanto, desde então e principalmente após a descoberta de valas comuns no país, amigos e familiares dos presos políticos assassinados têm se reunido em "Khavaran" (local das tais valas comuns) para lembrar e celebrar a vida de seus entes queridos. Todos os anos, estes encontros têm sido brutalmente atacados pelo regime e seus capangas.

O massacre de presos políticos no verão de 1988 não foi o primeiro nem o último crime brutal da república islâmica cometido contra o povo iraniano em luta, mas, certamente, é um de seus crimes mais atrozes descobertos até à presente data. Evidentemente, todas as facções do regime, sem exceção, foram cúmplices neste crime atroz contra o povo oprimido do Irã. Desde então, até os dias de hoje, começando por alguns "liberais", como o Sr. Mousavi, que era o primeiro-ministro da república islâmica naquele momento, supervisionando esses crimes em 1988 para os principais membros de seu "movimento verde", que foi formado na corrida para as eleições presidenciais em 2009 e que incluem o ex-presidente Khatmai – que foi apelidado de "o mulá sorridente" pelos meios de comunicação ocidentais, em 1997 – e o atual presidente, Sr. Rouhani, passando pelos "radicais", como Khamenei, Rafsanjani e todos os outros de diferentes facções do regime, eram totalmente conscientes e são responsáveis pela eliminação de milhares de prisioneiros políticos no verão de 1988. Isso para não mencionar outros crimes indescritíveis e outras atrocidades perpetradas pelo regime contra o povo do Irã durante os últimos 34 anos.

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Khavaran: parentes dos militantes políticos assassinados em 1988 prestam homenagem nos túmulos.

Desde que chegou ao poder em fevereiro de 1979, o regime da república islâmica impôs um inédito reinado de terror fascista sobre o povo do país e tem, sistematicamente, revelado a sua natureza brutal e antipovo. Desde o seu primeiro dia no poder, o regime usou de demagogia religiosa para legitimar os seus ataques contra as mulheres, os operários, camponeses e outras massas trabalhadoras, as minorias nacionais e religiosas, os jovens, estudantes e os intelectuais. O regime tem como alvo especial os comunistas e outros revolucionários e também pessoas progressistas que continuam a levantar a bandeira da resistência heroica e as causas do povo em sua luta por democracia e pela liberdade do jugo do imperialismo e toda a reação.

Desde então, e durante todo o governo reacionário da república islâmica, a resistência e a luta dos operários e outras massas trabalhadoras, dos estudantes e dos jovens, das mulheres e das minorias nacionais têm se intensificado, manifestando-se em dezenas de rebeliões e mobilizações de massa que exigem a derrubada completa de todo o regime da república islâmica.

A resposta do regime foi sempre de cruel repressão e, como consequência, as prisões continuam sendo preenchidas com os ativistas e aqueles que o regime considera como perigosos, ou como afirmam, estão em "guerra com Deus". Prisões arbitrárias, julgamentos sumários, estupros, torturas, execuções e os maus-tratos de presos políticos são feitos como uma questão de rotina.

Apesar dos crimes e atrocidades do regime contra o povo e do massacre dos presos políticos no verão de 1988 que, efetivamente, eliminou duas gerações de progressistas e revolucionários, assim como os melhores filhos e filhas do país, a resistência e a luta continuam. Gerações inabaláveis de novos militantes continuaram a se juntar às fileiras da oposição a este regime reacionário e atrasado.

No contexto dos recentes gestos diplomáticos entre o USA e o Sr. Rouhani (o novo presidente da república islâmica) e o possível "descongelamento" das relações USA-Irã, claramente, nem o golpe de sabre da retórica anti-americana de líderes da república islâmica, nem as  lágrimas de crocodilo derramadas com a situação do povo no Irã, deixariam alguém cego ao fato de que o regime da república islâmica é uma parte integrante do sistema imperialista selvagem. E que os projetos e planos sinistros das potências imperialistas para o Irã não são em prol da liberdade, da democracia e do bem-estar dos trabalhadores e do povo oprimido do Irã e da região.

Claramente, o caminho para a liberdade, democracia e libertação para os trabalhadores e o povo oprimido do Irã é através da derrubada revolucionária de todo o regime da república islâmica, com todas as suas facções, garantindo a ruptura completa das cadeias do sistema imperialista.

No 25º aniversário do massacre de presos políticos, ocorrido no verão de 1988, no Irã, nós saudamos a memória dos milhares de mártires caídos da causa da libertação dos trabalhadores e do povo oprimido do Irã!

Exigimos a liberdade imediata de todos os presos políticos no Irã!

Guerrilheiros Ativistas do Povo Fadaii do Irã em Londres

Organização Democrática Antiimperialista dos Iranianos na Grã-Bretanha

Londres, 05 de outubro de 2013

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