Europa do capital em guerra contra Europa do trabalho

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Basta uma olhada na crônica do monopólio internacional da imprensa burguesa para atestar: as contradições do capitalismo se agudizam de tal maneira mundo afora, especialmente no capitalismo "avançado" europeu, a ponto de as classes dominantes se embrenharem cada dia mais em uma guerra aberta contra a Europa do mundo do trabalho, com as medidas anti-povo que têm sido a regra nos últimos anos, mas também com provocações grosseiras e regimes de trabalho de características autenticamente fascistas, com o Estado obrigando os trabalhadores a agirem cooperativamente com as empresas que lhes exploram e com a própria sanha de "austeridade" que lhes oprime.

Na Grécia, onde a taxa de desemprego bate recordes sucessivos e que hoje está na casa dos 27,6% (entre os jovens com menos de 25 a taxa já bate nos 60%), anos e mais anos de políticas antipovo decretadas dia sim, dia também, levaram a um cenário de terra arrasada em que, agora em outubro, cerca de 100 mil trabalhadores sem meios para se sustentar tiveram que passar pela humilhação de concorrerem a uma das 10 mil vagas de emprego público que paga um salário ilegal, abaixo do salário mínimo oficial grego.

A infâmia consiste em um programa de "empregos sociais de baixa remuneração" – programa financiado pela União Europeia! – no qual o Estado grego acena com contratos de prazo máximo de cinco meses de duração pagando 490 euros mensais líquidos para maiores de 25 anos de idade e 426 euros para menores de 25 anos. O salário mínimo oficial em vigor na Grécia é de 585 euros.

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A Troika – FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu – e o gerenciamento de Antonis Samaras preveem para 2014 um crescimento da economia grega de 0,6%, após uma retração de nada menos que 4% em 2013, mas para o mundo do trabalho a previsão não é de melhora significativa da situação, com expectativa de que o desemprego permaneça por volta dos 26%, em mais um sintoma de que os esforços da Europa do capital monopolista, com suas medidas de austeridade e suas intervenções em Estados soberanos, não são para salvar os empregos, mas sim para dar sobrevida às empresas e aos bancos, a custa justamente do mundo do trabalho, sufocando e destruindo a força motriz que lhes garante os lucros de que tanto precisam, o que denota a irracionalidade inerente a esse sistema condenado à morte.

Lágrimas de crocodilo

Na França, a administração do "socialista" François Hollande vem enraizando a liberdade de que gozam as grandes companhias capitalistas para demitir em períodos de pouca demanda e manejar o mercado de trabalho exclusivamente de acordo com os interesses do capital. Se em 2012 dezenas de milhares de trabalhadores foram para o olho da rua em consequência das "reestruturações", por exemplo, da Peugeot-Citroën e da Arcelor Mitall, com o apoio do Estado francês, em 2013 a sanha de demissões segue a todo vapor.

Uma outra "reestruturação", a da Air France, alcunhada de "Transform 2015", já colocou na rua cinco mil trabalhadores, e vai destruir mais 2.800 postos de trabalho, conforme anunciado no início outubro, impunemente, pela direção da companhia aérea. O fechamento de uma fábrica de pneus da Goodyear na cidade de Amiens vai custar os empregos de mais 1.200 trabalhadores franceses. A falência da cadeia de lojas Virgin engrossará com mais cerca de mil pessoas a fila de desempregados na França (a taxa de desemprego no país bateu nos 10,5% no segundo trimestre de 2013, a mais alta desde 1998). Já a Alcatel-Lucent anunciou que, para economizar dinheiro para seus acionistas, vai destruir dez mil empregos em todo o mundo, 900 na França, onde vai fechar cinco fábricas. Outra transnacional francesa, a Michelin, anunciou que vai demitir 700 dos seus trabalhadores franceses até o fim do ano, provavelmente transferindo esses empregos para algum lugar onde o trabalho é mais barato, como o Brasil.

Enquanto isso, a Comissão Europeia, grande avalista e por vezes arquiteta da guerra aberta à Europa do mundo do trabalho, chora lágrimas de crocodilo. O comissário europeu para os "Direitos Humanos", Nils Muižnieks, andou dizendo que na Espanha, por exemplo, onde as medidas anti-povo decretadas por Mariano Rajoy se mostram das mais draconianas em todo o continente, a "austeridade" põe em risco os tais "direitos humanos" dos mais pobres, como se os direitos básicos das pessoas, mesmo aqueles mais fundamentais, pudessem de fato ser respeitados na vigência de um sistema de selvagem exploração do homem pelo homem, e ainda mais em um momento em que o capital monopolista tenta desesperadamente frear sua inexorável putrefação justamente a custa dos direitos das pessoas, dos trabalhadores e dos povos a uma vida digna.

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