O Estado Novo de novo?

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Desde que a burguesia mercantil, no início da Idade Moderna, arregimentou seus exércitos e cercou o palácio do rei (qualquer que tenha sido o rei em questão), uma besta-fera vem sendo criada e alimentada, confundindo-se sua existência com a de seu próprio criador: o chamado Estado Moderno, nascido da necessidade das classes dominantes de defender suas propriedades privadas sob o falso manto da democracia e da imperatividade da "sociedade civil", veio para legitimar e esconder as contradições sociais e políticas inerentes ao nascente modo de produção capitalista.

De lá pra cá, muita coisa mudou, a besta-fera cresceu, engordou e se multiplicou. Em tempos de revolta popular espalhada pelos quatro cantos do país a face opressora do Estado, enquanto instrumento das classes dominantes, tem ficado cada vez mais à mostra. São tempos históricos, de páginas de livros escritas diretamente das ruas, nos muros das cidades, nas fachadas dos prédios públicos e nos criativos cartazes da juventude combatente que se postou na linha de frente dos embates. Diante da rebeldia das massas, que ousam cada vez mais a cada protesto, a besta-fera, como um minotauro implacável, irrompe sobre o povo em luta.

E é impossível falar de História sem refletir sobre uma série de eventos que em muito se assemelham a fatos já vividos no passado e que parecem retornar em um revival macabro. Nesse sentido, situações esdrúxulas como as dezenas de prisões políticas a cada protesto, a crescente truculência e o terrorismo de Estado que se instaurou no Brasil trazem à memória um capítulo funesto da história de nosso país conhecido como Estado Novo.

A despeito das alegações infames de muitos defensores da famigerada "Era Vargas" de que este teria sido um dos períodos mais avançados e progressistas de nossa história recente, chegando mesmo alguns ufanistas a qualificá-la como uma revolução burguesa nacional, o que tivemos aqui foi um arremedo de Estado fascista implantado sob o influxo da onda reacionária que se ergueu por todo o mundo como resposta da burguesia ao triunfo da Revolução Bolchevique de 1917.

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