STF e pelegos impõem fim da greve no Rio

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Professoras denunciam traição da direção do Sepe na assembleia da rede estadual em 24/10.

A greve dos profissionais da educação, deflagrada no dia 8 de agosto, teve ampla visibilidade devido ao caráter combativo que assumiu no último mês de outubro. As manifestações dos profissionais da educação ganharam grande apoio do povo. Estudantes secundaristas, universitários, bancários e diversas categorias se juntaram aos protestos, que tomaram as ruas em grandes proporções.

Foi destaque em todo o país a grande manifestação de 15 de outubro, dia do professor, quando milhares de pessoas marcharam pelas ruas do Centro do Rio e cerca de 200 manifestantes foram presos arbitrariamente. Mesmo com a tentativa de criminalização por parte dos gerenciamentos municipal e estadual, a opinião pública se colocou mais uma vez a favor dos professores.

O monopólio da imprensa também cumpriu o papel de ecoar a voz do governo, separando os profissionais dos jovens combativos. Em resposta, os próprios educadores criaram seus 'Black Profs', em alusão aos grupos de jovens 'Black Blocs', que fazem a autodefesa contra a repressão nas passeatas. As bombas e balas de borracha da PM não amedrontaram a categoria.

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Todas as assembleias da categoria lotaram o Clube Municipal.

Frente a este novo panorama, o governo precisou se posicionar. O ministro do STF, Luiz Fux, convocou, no dia 22 de outubro, uma audiência de conciliação em Brasília entre o prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral e o sindicato dos professores. Cabral e Paes não compareceram, mandando representantes.

O sindicato, mais uma vez, recuou frente às imposições do governo, tendo sido irrisórias as conquistas.

A assembleia da rede estadual no dia 24 de outubro aprovou, em clima de tensão, a saída da greve, selando,  o acordo com o governo Cabral.  No dia 25, a rede municipal também aprovou  o encerramento.

Foi proposto ao segmento estadual da educação o reajuste já oferecido de 8% para este ano, menos da metade requerida, e a criação de grupos de trabalho para discussão das principais reivindicações, como 1/3 de carga horária de planejamento; viabilidade do projeto “1 Escola, 1 Matrícula” e debate da matriz curricular. GTs esses que iniciam as discussões apenas em 2014, e não representam o cumprimento efetivo das pautas da greve.

Já para o município os ganhos foram ainda menores. GTs também foram propostos para a discussão da implementação de 1/3 de carga horária de planejamento e redução do número de alunos em sala de aula. Em nenhum momento foi mencionado o plano de carreira e o fim da meritocracia, principais reivindicações, programa que incentiva a aprovação automática e transforma a formação dos alunos em produto de mercado.

Para os dois segmentos foram ajustados o abono das faltas e desistência das multas aplicadas ao Sepe somente se os professores se comprometerem a repor as aulas não dadas durante o período de greve.

Guilherme Moreira, professor de Sociologia, ativo na greve estadual, esteve em Brasília no dia 22 e nos falou sobre o panorama que se apresenta para a categoria:

A greve da educação das redes de ensino do Rio de Janeiro tem exposto ao máximo a conjuntura de criminalização do movimento dos trabalhadores. A perseguição ao Sepe através de multas, ameaças de exoneração e prisões arbitrárias em manifestações revelam a supressão do suposto Estado democrático de direito. 

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Ele ainda denunciou a posição da direção do Sepe, que coaduna com o governo e mina a luta dos trabalhadores:

Como se não bastasse a postura do governo, a posição conciliatória da parte majoritária da direção do sindicato expõe funcionários e professores ao assumir uma posição extremamente irresponsável e acuada, como demonstrado no caso da caravana para Brasília. Em primeiro lugar, a direção do sindicato impediu que movimentos sociais se integrassem à caravana ao determinar que somente filiados ao sindicato embarcassem. Por conta de uma confusão no envio da listagem à empresa de ônibus, alguns profissionais, mesmo quites com as exigências, foram impedidos de viajar. Contrariando a assembleia, em reunião posterior, a direção deliberou que a manifestação em Brasília não fosse realizada em frente ao STF e moveram todos os esforços para desviar os manifestantes do principal foco, organizando audiências inócuas na Secretaria de Direitos Humanos e no MEC — denunciou.

As máscaras do oportunismo estão caindo uma por uma. Cada vez mais cresce a insatisfação dos trabalhadores da educação em relação à direção do Sepe que concentra suas energias em neutralizar o caráter combativo e classista, funcionando como verdadeiros pelegos — conclui Guilherme.

As negociações provam o descaso com a educação por parte dos governos e o desespero dos partidos oportunistas e eleitoreiros que se encastelam nos sindicatos em manterem seus postos.

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