Para os trabalhadores, arrocho; para os bancos, lucros

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Um relatório divulgado em outubro pela empresa espanhola de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI) atestou, com dados reunidos, cotejados e avaliados por "especialistas" funcionais ao próprio sistema de exploração do homem, o que já se sabia pela prática da lógica imoral que rege a gestão da crise geral na Europa: que as dívidas públicas, engrossadas pelos vultosos repasses a bancos em apuros de riquezas arrancadas pelos Estados aos trabalhadores, via impostos e tudo mais, hoje alimentam o aumento das taxas de lucros desses mesmos bancos, tudo a custa do arrocho sem limites e sem precedentes do proletariado europeu.

Pois é justamente manejando os títulos das dívidas públicas, explorando os seus juros, que o sistema financeiro europeu encontra sua principal fonte de receitas; é precisamente no estratosférico endividamento público de nações como Grécia, Espanha e Portugal, que eles ajudaram a elevar a patamares recordes (estima-se que a "ajuda" com recursos públicos ao sistema bancário europeu por conta da crise geral tenha alcançado a marca de 1,3 trilhão de euros, o equivalente a 10% do PIB da União Europeia), que os bancos têm a sua corda para singrarem a crise geral com sobrevida, cumprindo o imperativo capitalista da multiplicação dos lucros sem parar, muito mais do que nos empréstimos a pessoas e empresas.

Veja o caso do sistema bancário da Espanha, nação onde os trabalhadores sofrem um dos mais draconianos arrochos entre os países da zona do euro afundados justamente no que se convencionou chamar de "crise da dívida". Só em 2013 os bancos da Espanha irão faturar com títulos da dívida pública do país nada menos que 17,3 bilhões de euros, ou 26% das suas receitas totais. Não por acaso, e enquanto o mundo do trabalho padece ante a disparada do desemprego, os cortes salariais, a depredação de direitos, etc, os maiores bancos da Espanha (Bankia, BBVA, Caixabank, Sabadell, Santander e Popular) viram suas taxas de lucro crescer 123,5% nos nove primeiros meses deste ano.

Contra a Europa do capital, greves!

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Milhares aderiram à greve geral na Grécia.

Enquanto isso, no último 31 de outubro, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos enfim se pronunciou sobre uma queixa apresentada por dois trabalhadores portugueses entre os milhões castigados pelo arrocho que lhes tem sido empurrado goela abaixo pelo gerenciamento de Lisboa e pela famigerada Troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

Os dois requerentes, funcionários públicos, se queixaram das reduções drásticas e arbitrárias no valor de direitos adquiridos (adicional de férias e 13º salário). O tribunal, entretanto, considerou que não foram "desproporcionais" os cortes aplicados pelo gerenciamento português no setor público do país em 2012, ano relativo à ação movida pelos trabalhadores, dizendo que, ao contrário, eles foram "proporcionais": "tendo em conta os problemas financeiros excepcionais com que Portugal estava confrontado".

Um escárnio! E um atestado de que os "direitos humanos", bem como os tribunais constituídos alegadamente para resguardá-los, são mera fantasia quando se tenta reivindicá-los e defendê-los em meio ao um irracional e imoral sistema de exploração do homem pelo homem – e ainda mais quando este sistema está em franca putrefação, quando o capital açoita ainda mais fortemente o mundo do trabalho em meio aos seus espasmos de moribundo e ao acirramento das contradições entre as classes sociais.

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Milhares aderiram à greve geral na Grécia.

Mas os portugueses não se rendem! No último 6 de novembro trabalhadores dos transportes públicos em Portugal cruzaram os braços contra os cortes de salários e de direitos. Dois dias depois, no dia 8 de novembro, todo o funcionalismo público português iniciou uma greve, que pode ser uma das maiores da história do país, contra o agravamento do arrocho requisitado pela Troika. Na mesma semana, a Grécia viveu mais uma grande greve geral contra as "medidas de austeridade" e contra o que o monopólio da imprensa burguesa costuma chamar de "dolorosos cortes salariais".

São mais demonstrações por parte de dois povos ora achacados pelo grande capital monopolista europeu de que não será a custa da dignidade e do suor do proletariado, nem de nada mais, que a burguesia e os banqueiros conseguirão escapar dos seus apuros, curar a chaga das contradições que os consomem, nem tampouco evitar o seu destino histórico, que é o de sucumbir ante a autoridade e o poder das massas trabalhadoras.

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