Tecidos para contar histórias

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Comemorando 15 de existência, a trupe carioca Os Tapetes Contadores de Histórias produz espetáculos, oficinas, exposições interativas e projetos culturais envolvendo oralidade, artes visuais e teatro. Tecendo tapetes, painéis, aventais, malas, caixas, roupas e livros de pano que servem de cenários de contos populares e autorais, o grupo procura trabalhar o imaginário de pessoas de todas as idades.

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Surgimos a partir do contato com o francês Tarak Hammam, contador de histórias, artesão e diretor de teatro. Juntamente com sua mãe, a educadora Clotilde Hammam, ele desenvolve há anos na França o projeto Raconte-Tapis, contando histórias com tapetes, com grande atuação dentro de bibliotecas volantes — conta Cadu Cinelli, coordenador do grupo.

Ele veio ao Rio, em 1998, ministrar uma série de oficinas vinculadas à universidade Unirio. Nessa época éramos alunos da escola de teatro de lá e participamos, e foi grande o gosto de todo o grupo. Assim começamos nossas atividades com a orientação do Tarak, depois fomos conquistando autonomia, partindo para um processo criativo próprio — continua.

Nossa investigação artística nas linguagens é a relação entre as artes têxteis e a narrativa. Os cenários são feitos de tecidos, bordados e costuras, que servem para contar histórias. Dentro deles têm os bolsos, os personagens, que são bonecos. A história vai se dando conforme vamos desenvolvendo a narrativa e manipulando esse cenário — explica.

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Atualmente o grupo tem um repertório com 54 materiais, cada um deles contando uma história.

Todo o material, seja tapete, painel, avental etc, é cenário de uma tradição oral brasileira ou de qualquer outro povo, assim como pode ser um conto de autor. Já trabalhamos textos de Ana Maria Machado, Ricardo Azevedo, Marina Colasanti, Carlos Drummond de Andrade, entre outros — fala Cadu.

Durante os espetáculos esses objetos ficam no chão, nós ficamos um pouquinho atrás e vamos manuseando-os conforme contamos a história. Se falar de castelo, por exemplo, aparecerá um castelo feito de tecido, com costura, cheio de bolsos, e assim com qualquer outro assunto — continua. 

A trupe procura modificar os textos escolhidos para que se encaixem dentro da sua realidade, sem perder os sentidos dos fatos.

É mais do que uma adaptação o que fazemos, é uma atualização. Somos 5 brasileiros e 2 peruanos, todos com uma visão urbana das coisas, porque vivemos no Rio de Janeiro. Se pegamos um conto popular do Nordeste, por exemplo, vemos o que tem a ver com a nossa realidade, o que fala além das questões regionais — diz.

Da mesma forma temos contos peruanos, de tradição oral desse povo, falando de uma questão localizada, regional. Mas ele também atravessa a fronteira e vai falar das nossas experiências enquanto seres humanos. Trabalhamos agora o 'Estribo de Prata', um dos contos do 'Histórias do seu Alexandre', de Graciliano Ramos, um causo cheio de regionalismo, mas que atualizamos — continua.

Confeccionando arte

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Temos 16 tapetes feitos na França pelo Tarak, os demais materiais foram confeccionados por nós. Temos uma sede, que dividimos com outra trupe de contadores de histórias. Ela nos serve de ateliê e também escritório, espaço onde guardamos nosso acervo e ministramos oficinas diversas — conta Cadu.

 — Fazemos uma pesquisa constante, estamos sempre lendo algum conto, escutando histórias. Às vezes nos presenteiam com alguma. Assim vamos recolhendo tudo, juntando e confeccionando o material. Isso é singular, porque é como se a pessoa pudesse visualizar no material a própria história e a maneira de como será contada — continua.

Por exemplo, se tenho uma visão daquela história esta aparecerá na hora de confeccioná-la, mas uma outra pessoa poderia fazer de outra forma, e também contaria a história. São muitas possibilidades de leituras que cada uma traz — acrescenta.

Segundo Cadu, esse tipo de teatro tanto pode ser para crianças quanto para adultos.

Existe um certo vício, que acredito não ser cultural e sim mercadológico, de pensar que a narração de histórias é para crianças, quando na verdade é para todas as idades. É claro que desenvolvemos algumas histórias voltadas para o público infantil e outras para o adulto, mas é assim no teatro em geral — diz.

Cada história traz na sua estrutura, na sua temática, questões da humanidade. Por isso acredito que estamos sempre compartilhando problemas, questões da nossa existência, e cada idade vai ver isso de um jeito — continua.

Os Tapetes Contadores de História estão comemorando os 15 anos de existência com uma série de atividades.

Recentemente nos apresentamos na Caixa Cultural, aqui no Rio, e fizemos exposições interativas do nosso acervo, junto com apresentações e oficinas, aqui e em outras parte do país — conta Cadu.

Estamos fazendo algumas apresentações do Passarinho à toa, de Manoel de Barros, e também reapresentando outros trabalhos. Ao mesmo tempo desenhando um 2014 que terá um espetáculo novo já em janeiro, conto de um escritor suíço — anuncia.

www.tapetescontadores.com.br é o contato do grupo.

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