Saudações aos combativos trabalhadores em educação do Rio de Janeiro!

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Viva a luta classista e combativa

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Milhares de trabalhadores e estudantes do RJ cercam a Câmara Municipal em 07/10.

Nossas saudações aos trabalhadores em educação das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro que, desde agosto de 2013, protagonizaram uma das maiores e mais combativas greves da educação da história recente do país. Com a intensificação das mobilizações o movimento ganhou o amplo apoio de pais e alunos. A juventude combatente em ação desde as jornadas de junho/julho engrossou as diversas manifestações realizadas pela categoria, que adquiriram um caráter ainda mais amplo e democrático.

A greve recebeu o apoio e solidariedade de diversas organizações populares em todo o país. Foi travado nesses mais de 70 dias um verdadeiro "cabo de guerra" com as gerências Paes/Cabral. Relatos de professores que atuam na base (que podem ser vistos nas redes sociais) apontam que desde o início da greve a direção central do SEPE fazia todos os esforços para colocar "cabresto" na justa revolta dos trabalhadores em educação, tentando "modelar" a expressiva combatividade demonstrada a cada atividade da categoria em greve, tentando em vão dar à paralisação um caráter pacífico, nos moldes das movimentações que os partidos oportunistas tanto gostam de fazer, em clima de carnaval, sem combatividade, "ordeiras", pois eles são parte da ordem e têm de mostrar às classes dominantes que também sabem jogar o seu jogo sujo e que são "civilizados".

As gerências Paes/Cabral/Dilma, cumprindo o papel reacionário que lhes é reservado, manipularam através dos monopólios de comunicação todas as informações sobre o real objetivo das alterações no plano de carreira, mentindo descaradamente e jogando a opinião pública contra a greve.

Mesmo com toda expressão de combatividade da luta, passados os mais de 70 dias, a gerência Paes/Cabral não cedia e nenhuma vitória econômica havia sido alcançada. A base da categoria apontava uma avaliação honesta e correta de que, mesmo com todo o cansaço produzido pelo prolongado movimento grevista, não era o momento político para suspender a greve.

A gota d’água do escancaramento da traição da direção central do SEPE-RJ foi à ida à Brasília para uma negociação mediada pelo Supremo Tribunal Federal, tendo como intermediário o ministro Luiz Fux. A direção do SEPE não acatou a decisão tomada em Assembleia de que o Comando de Greve participaria da mesa de negociação com o STF. O roteiro colocado pela direção sequer incluiu o STF no ato realizado em Brasília, ficando essa mesma direção, a todo o tempo, preocupada em deixar a categoria distante fisicamente do local da reunião. Os ônibus foram alugados, inclusive, para saírem de Brasília antes do término da audiência no Supremo. Isto impossibilitou que a categoria, que enfrentou cerca de quarenta horas de viagem e arcou com todas as despesas de alimentação, pudesse participar e sequer receber os informes imediatamente após o término da audiência.

Todas essas artimanhas da direção do SEPE, características bem conhecidas dos sindicatos governistas e oportunistas, tinham o claro objetivo de garantir a todo custo que a negociação se desse apenas entre a direção do SEPE e o STF. Por fim, a negociação realizada representou uma verdadeira traição do movimento grevista, pois levaram em conta apenas as punições arbitradas pelos executivos estadual e municipal e não a pauta de reivindicação das duas redes. A "negociação", que na verdade foi uma imposição do STF e dos governos sobre o sindicato, foi vergonhosa, pois impôs que os professores não teriam o ponto cortado desde que fizessem a reposição de todas as aulas, além de chantagearem com multas altíssimas a direção do sindicato, que claramente capitulou frente às ameaças.

Enquanto os companheiros e companheiras da base que foram para Brasília e encaravam horas e horas de ônibus sem ao menos terem podido se manifestar, os dirigentes do sindicato, ao modo da burocracia sindical, voltavam para o Rio de avião a fim de poder articular as assembleias que iriam referendar o acordo com o STF e pôr fim à greve; ou não.

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A assembleia da rede estadual do dia 24 de outubro foi escancaradamente manipulada. Foram dezenas de falas de avaliação pela continuidade do movimento grevista e após várias táticas de enrolação por parte da mesa para esvaziar a votação decisiva no final, a direção sindical acabou manipulando o resultado da votação.

A assembleia da rede municipal do dia 25 de outubro estava lotada e vibrante. Antes das falações de avaliação já podia se ouvir o coro de "A greve continua, prefeito a culpa é sua". A pelegada da direção central tinha em mãos uma tarefa difícil: cumprir o que eles mesmos tinham decidido antes de chegar à assembleia, ou seja, suspender a greve a todo custo. E para isso não mediram esforços: colocaram o departamento jurídico para aterrorizar os grevistas, impediram de falar uma ativista que inclusive foi presa na manifestação de apoio aos professores do dia 15 de outubro, criando uma falsa-polêmica que durou quase uma hora, numa manobra típica de esvaziar o momento da votação. Após perderem as duas votações (segundo um número considerável de relatos a votação por contraste foi claramente pela continuidade da greve), protagonizaram uma manipulada contagem de votos, anunciando com um sorrisinho nos lábios o término da greve após mais de cinco horas e meia de assembleia.

E para confirmar a descarada manipulação verificou-se que às 18h50 do dia 25.10, no momento onde ainda ocorriam falas de avaliações sobre os rumos do movimento, o SEPE, através de seu site (www.seperj.org.br), publicou nota comunicando o fim da greve dos professores do município do Rio de Janeiro. Às 19h38, de forma muito confusa e com votos anotados em pedaços de papel, foi feita a comunicação oficial do resultado da votação, quase uma hora depois da comunicação na internet.

O Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação - MOCLATE integrou e acompanhou com grande entusiasmo o histórico levante dos trabalhadores em educação do Rio de Janeiro e por isso vem saudar a todos que se esforçaram nessa luta. Luta esta que serviu de exemplo para o movimento dos trabalhadores em educação de todo o país.

Ao mesmo tempo, repudia veementemente a posição oportunista, pelega, covarde e traidora da direção central do SEPE, que manipulou vergonhosamente a votação e passou por cima da vontade da grande maioria que compõe a base da categoria que queria continuar a luta e que foi, na verdade, a responsável por este grande e combativo movimento de greve.

Somos cientes de que as tão desejadas conquistas econômicas não vieram, mas é necessário exaltar as grandes vitórias políticas da histórica greve de 2013 e delas extrair as lições, tendo a prática como critério da verdade, para saber separar o joio do trigo e buscar sempre o caminho do classismo, da combatividade e da independência a esses partidos oportunistas e eleitoreiros (como Psol e Pstu) que cavalgam a luta das massas para colocar a serviço de seus mesquinhos interesses eleitorais.

E uma tarefa está lançada para todos aqueles que de fato desejam uma educação a serviço do povo: Construir um poderoso movimento dos trabalhadores em educação em cada estado. Construir por escola, por bairro, junto da comunidade. Unir pais, alunos, funcionários e professores. O envolvimento de pais e alunos e a compreensão de que a educação é uma luta de todo o povo, é um dos grandes legados da greve de 2013.

A educação é uma bandeira democrática e é de todo o povo brasileiro, os últimos acontecimentos têm mostrado isso. Todas as grandes manifestações ocorridas no país esse ano levantaram a bandeira da educação pública. Unir todas as forças possíveis de serem unidas, não cair no isolamento da sala de aula, pois a luta é diária, dentro de cada escola e sempre aliada com a comunidade escolar.

Viva a luta classista e combativa!

Viva a histórica Greve da Educação do Rio de Janeiro!

Abaixo a direção oportunista e traidora da direção do SEPE-RJ (Psol e Pstu)!

Em defesa da educação pública, gratuita e que sirva aos interesses do povo!

São Paulo, novembro de 2013

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