Acossado pelas ruas, velho Estado mostra os dentes

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Quem cuida da segurança das classes dominantes: PT, PMDB e PSDB

No último 31 de outubro o ministro da justiça do gerenciamento petista, José Eduardo Cardozo, anunciou, atendendo aos apelos do monopólio da imprensa reacionária por mais e mais repressão às classes populares rebeladas, e respondendo à exortação à perseguição política feita da própria gerente Dilma – que poucos dias antes havia falado em “barbáries antidemocráticas” para se referir às ações mais combativas do povo nas ruas –, anunciou a criação de um “grupo de inteligência”, integrando Polícia Federal e secretarias de segurança pública do Rio de Janeiro e de São Paulo, para reprimir a justa rebelião popular em curso Brasil, particularmente nas duas maiores cidades do país.

Trata-se de um incremento da onda de repressão, das desesperadas tentativas do velho Estado e dos seus sócios para tentar (com a truculência das balas de borracha e bombas de efeito moral, encarceramento em massa de manifestantes, perseguições políticas e ilegais “prisões para averiguação” – e agora com “inteligência”) esvaziar as ruas e os espíritos da indignação, da fúria até há pouco represada e da altiva insubordinação das massas.

No dia seguinte ao anúncio do “grupo de inteligência”, Dilma respaldaria publicamente mais este prego no caixão do Estado que ela ora gerencia (uma vez que a rebelião popular ganha corpo e forma justamente no combate à sua repressão) engrossando o coro da direita mais reacionária, classificando de “fascismo” os episódios mais violentos da revolta do povo.

Os gerenciamentos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, encabeçados respectivamente por Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin, anunciaram ainda que pretendem propor “alterações legislativas” para, dizem, “assegurar o direito à manifestação e evitar depredações e agressões”, acenando com alterações legais que, obviamente, tendem a agravar a institucionalização da exceção e das arbitrariedades mobilizadas contra o povo rebelde no âmbito do tal “Estado Democrático de Direito”.

As novas medidas de desespero do velho Estado são, como têm sido os seus demais espasmos de moribundo, escoradas na violenta campanha de desqualificação dos protestos populares mais radicalizados que têm sido vistos no Rio e em São Paulo desde o mês de junho deste ano – campanha orquestrada pelo monopólio da imprensa e pelas “autoridades”, ambos acossados pela fúria das ruas, e levada a cabo sob o léxico da direita, com a repetição ad infinitum de palavras e expressões como “mascarados”, “vandalismo”, “baderneiros”, “depredações”, “bandidos infiltrados” e que tais.

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Os presos políticos do fascismo em vigor

As medidas de desespero do velho Estado contra a rebelião das massas pauperizadas e oprimidas foram anunciadas na sequência de uma violenta, porém justa, ação popular levada a cabo na rodovia Fernão Dias por moradores do bairro de Jaçanã, em São Paulo, no último dia 28 de outubro, em um contundente protesto contra o assassinato do jovem Douglas Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar durante uma “abordagem” da PM de Alckmin.

Naquele dia o velho Estado já ensaiava o reforço na escalada repressiva com a prisão em massa de nada menos do que 90 moradores de Jaçanã ou das redondezas que estavam nas ruas em meio à agitação que tomou conta daquele bairro proletário após a covarde execução do jovem Douglas.

Uma semana depois de as “autoridades” terem falado em mudar a legislação para incrementar a repressão, no dia 7 de outubro, o ministro José Eduardo Cardozo, saindo de uma reunião com os secretários de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e de São Paulo, Fernando Grella, disse que foi definido um cronograma para colocar em prática “ações contra o vandalismo em manifestações públicas”, pontuando que até o fim de novembro um “grupo de trabalho” irá definir as tais “mudanças na legislação” que serão apresentadas ao governo e ao Congresso a fim de “aumentar as punições contra os vândalos”.

Um exemplo de celeridade ímpar do velho Estado, jamais vista quando se trata de fazer algo em benefício do povo, ou de fazer justiça em seu nome; apenas quando se trata de criar meios legais e instrumentos reais para oprimi-lo cada vez mais.

E a menina dos olhos do velho Estado neste quesito, e neste contexto de agigantamento das lutas populares radicalizadas no Brasil, parece ser uma espécie de juizado especial intinerante com o qual o gerenciamento petista intenta promover julgamentos relâmpagos – e políticos – de manifestantes durante mesmo as manifestações, ou imediatamente após marchas, ocupações ou resistências à truculência policial, com o que o Estado reacionário gerenciado pelo oportunismo mais rasteiro intenta engrossar o número de presos políticos deste fascismo em vigor.

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