Bangladesh na iminência da rebelião

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Trabalhadores em greve ateiam fogo em onibus.

Se passaram sete meses do desabamento de um prédio em Savar, a cerca de 30 km da capital Daca, onde funcionavam várias confecções de roupas que atendiam transnacionais do “mundo da moda”, episódio que vitimou mais de mil pessoas que lá trabalhavam em meio a precariedades e sob risco de morte constante.

Desde então, protestos convulsionam Bangladesh. O povo se insurge contra a perpetuação das condições de vida e de trabalho que matam instantaneamente, em desabamentos ou incêndios, e também pelos salários de fome e pela rotina degradante que se aprofunda dia após dia.

No começo de novembro mais de 200 fábricas da região têxtil de Ashulia, nas proximidades de Daca, foram fechadas devido aos combativos protestos exigindo melhores salários e condições de trabalho.

Diante da iminência da rebelião, os patrões, o gerenciamento bengali e as “Nações Unidas” se esmeram para tentar apaziguar o chão das fábricas. No dia 19/11, Gilbert Houngboo, vice-diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, órgão da ONU, declarou que os “esforços” das grandes marcas europeias para melhorar a segurança nas fábricas de produtos têxteis no país devem ser levados a cabo em todo o mundo, referindo-se às “reformas” que teriam sido feitas no setor têxtil bengali depois da tragédia de abril, com inspeções mais frequentes de equipamentos contra incêndio e da segurança dos imóveis...

O jogo de palavras de Houngboo é capaz de iludir apenas as mentes mais desprevenidas ante as artimanhas verbais dos poderosos.

Em primeiro lugar, só mesmo fingindo ser real a ficção da “responsabilidade social” que as transnacionais reivindicam como qualidades de si próprias, seguindo a cartilha do marketing para o capital acuado pela crise geral de superprodução relativa e pelo proletariado em franca luta, é possível acreditar de fato que as grandes marcas de roupas com presença em quase todas as nações do planeta pretendem mover quaisquer esforços em prol da melhoria das condições de trabalho nas fábricas instaladas em países pobres que lhes atendem as demandas de roupas de grife.

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