Aos vinte anos da morte de Pablo Escobar

http://www.anovademocracia.com.br/122/17b.jpgPablo Escobar tinha tudo para ser presidente do Estado colombiano: era narcotraficante, possuía um poderoso exército pessoal e imensas extensões de terra, com migalhas de sua fortuna foi um grande populista e, porque não, financiava uma equipe de futebol de primeira série. Porém, morreu assassinado há 20 anos pelo bando das classes dominantes que nessa época controlava o governo, e assim, sobre o teto de uma casa de Medellín no dia 2 de dezembro de 1993, seu corpo ensanguentado foi exibido junto a seus caçadores, os quais posaram com uma elegância e valentia só comparável às do rei Juan Carlos quando impôs toda sua majestade nas “heroicas” campanhas contra os elefantes africanos.

A morte de Pablo Escobar se somava a uma série de fatos que no início dos anos 90 eram propagados nos meios de comunicação e instituições de educação como o começo da mudança radical da realidade colombiana: um acordo de paz com guerrilhas (M19, EPL), a nova constituição de 1991 que colocava ao Estado o sobrenome de direito, a “apertura econômica”, entre outros. Não obstante, a existência de guerrilhas continuou, pois continuaram e aprofundaram-se suas causas (miséria, opressão, despejo de terras, etc.). Além disso, o Estado colombiano nunca foi tão violento e cortou tantos direitos conquistados pelo povo. Uma coisa é verdade, Pablo Escobar nunca foi presidente. Mas em vida, “El Patrón” encarregou-se de ter sócios que o substituíram, como foi o doutor Álvaro Uribe (presidente de 2002 a 2010); ademais, de ter primos autênticos da sua estirpe, como José Obdulio Gavaria, o qual assessorou pessoalmente à presidência do mencionado paramilitar. Esses últimos, personagens que hoje fazem parte da cabeça do engendro fascista conhecido como “Uribe Centro Democrático”.

A vida de Pablo Escobar foi a de um coronel quase mitológico, sua biografia poderia estar ao lado de Cem anos de solidão como um dos máximos cumes do realismo fantástico. Algumas vezes só vemos o assombrosamente absurdo que é uma realidade quando já tem passado tanto tempo. Pablo Escobar morreu, mas depois de vinte anos o narcotráfico nunca tem sido tão poderoso como hoje. Isto, que possivelmente parecerá um mito no futuro, é nossa realidade atual. O imperialismo e as classes dominantes dos países semicoloniais em nome de combater o narcotráfico o controla e impõe sua ordem contra os povos do mundo. Hoje o absurdo segue vivendo nas favelas do Rio de Janeiro graças à “pacificação” da polícia, na serra do Peru com o controle do exército peruano, no Afeganistão reimpulsionado com a invasão ianque, ou, na poderosa máfia de incalculáveis dimensões do narcotraficante mexicano “el chapo Gúzmán”.

O imperialismo não o matou, aos vinte anos da sua morte, mesmo que moribundo, Pablo Escobar ainda vive.

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