Editorial - A infinita moral dos lutadores do povo

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A revolta camponesa na localidade de Rio Pardo, município de Buritis, Rondônia, nos dias 13, 14 e 15 de novembro colocou em evidência a gravidade da questão agrária no Brasil, bem como a situação nas cidades. Em todo lugar o que se vê é repressão, promessas não cumpridas, prisões, torturas e criminalização de quem luta por seus direitos ou por mudanças profundas no país.

Fartos de serem enganados e reprimidos, os camponeses de Rio Pardo se levantaram todos e resistiram às tropas da Força Nacional de Segurança, que prendeu seus companheiros e apreendeu motos e motosserras. Os trabalhadores, que habitam e produzem naquelas terras há mais de 20 anos, desde a criação da Floresta Nacional Bom Futuro, se viram sem o direito de sobreviver do seu trabalho. As gerências de todas as esferas prometeram indenizar e reacomodar as famílias, mas ao invés disso passaram a expulsá-las com forças policiais federais e estaduais.

Os camponeses bloquearam estradas, derrubaram pontes, encurralaram a guarda pretoriana de Dilma Roussef, libertaram três de seus companheiros, recuperaram suas motos e ferramentas apreendidas e incendiaram o edifício destinado a posto policial, fiscalização ambiental e outros órgãos da burocracia estatal, deixando em suas ruínas as inscrições de “Fora IBAMA”, “Não queremos polícia, queremos hospital e escola”. Após terem praticado toda sorte de ameaças e abusos, mas que não intimidaram as massas, as tropas foram encurraladas e passaram a disparar a esmo armas com munição letal, inclusive fuzis. Mais revoltados ainda os camponeses incendiaram uma das viaturas onde se encontravam munições que, disparadas pelo calor, mataram um soldado.

No dia 15, cerca de 150 policiais de diferentes órgãos de repressão fizeram nova operação que sitiou a localidade, e que resultou na invasão de casas, humilhações, espancamentos, tortura e a prisão de 10 camponeses, que se somam a mais 1 preso anteriormente, todos encarcerados no presídio Pandinha, em Porto Velho.

Assim o governo do oportunismo (PT/PCdoB) tem tratado a questão camponesa no Brasil, apenas incrementando a selvageria da repressão, fechando os olhos à ação desenfreada dos bandos de pistoleiros a soldo dos latifundiários (não raro como operações combinadas de pistoleiros e policiais), enquanto pratica a esbórnia de recursos públicos doados ao latifúndio e “agronegócios” de exportação, segundo ditames do capital financeiro internacional e, mais do que nunca, como tábua de salvação de sua balança comercial naufragada.

Até mesmo a decantada “reforma agrária”, outrora importante bandeira demagógica dessa gente, através da qual se carreou muitos votos para seu triunfo eleitoral, que traída em seguida com Luiz Inácio, que elegeu os usineiros como seus heróis, foi sepultada definitivamente por Dilma. Após sentenciar, através de Gilberto Carvalho, que os “assentamentos são favelas rurais” (algo para o qual o próprio PT muito se esforçou para tornar realidade), a gerência PT/FMI interrompeu totalmente as desapropriações de terras, soterrando de vez algo que já de muito tempo nascera falido. Apenas recentemente, pressionada pela direção também oportunista do MST, que vive ameaçando retirar seu apoio eleitoral em troca de sinecuras e prebendas para seus caciques, Dilma anunciou a desapropriação de “fabulosos” 3 mil hectares. Anunciou, porque a desapropriação de fato sabe-se lá quando ocorrerá.

Assim o oportunismo eleitoreiro na cabeça do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro segue sua sina de tentar conter os anseios do povo com cada vez mais esmolas, contrapropaganda e repressão, para salvar este abominável sistema de exploração, reforçando seu nefando pacto com o imperialismo, o latifúndio, a grande burguesia nativa e os torturadores do regime militar.

Enquanto a cúpula do governo e do PT evita declarar publicamente seu apoio aos “mensaleiros” presos, para evitar a associação com a imagem da corrupção, orientam uma campanha para elevá-los à categoria de presos políticos, reféns da “direita” porque “lutavam pelo bem do Brasil”. Essa mesma gente não reconhece, para ficar num exemplo, o mesmo status a Norambuena, torturado há mais de dez anos no isolamento total do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais brutal praticado no Brasil. O mesmo reconhecimento não merecem, dos oportunistas, os legítimos presos políticos das manifestações desde junho até hoje ou os camponeses de Rio Pardo.

E, o que é muito pior, é essa mesma canalha que não titubeia em enviar na repressão brutal ao povo sua própria guarda pretoriana, a Força Nacional de Segurança, que vem sendo empregada nos protestos nas cidades, na militarização das favelas e na expulsão dos pobres do campo de suas terras.

Que moral tem esses vende-operários e vende-pátrias para falar de presos políticos, se são eles os produtores de uma profusão deles entre os pobres, lutadores populares e revolucionários?

A resposta aos crimes de Estado já vem sendo dada nas ruas das cidades e no campo, pela resistência camponesa. O exemplo de Rio Pardo mostra a superioridade moral infinita de quem luta por seus direitos usurpados e pelo direito à sobrevivência com dignidade para seus filhos. O oportunismo não pode mais esconder a escalada fascista do velho Estado sob seu gerenciamento nem enganar o povo, que cada vez mais se convence de que é melhor seguir o caminho da luta.

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