Lutando pelo forró autêntico

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Forrozeiro, cantor e compositor, Biliu de Campina é um dos ativos representantes da música nordestina. Admirador de Jackson do Pandeiro e conhecido como o maior intérprete da sua obra na Paraíba, Biliu luta pela divulgação do forró, que considera um patrimônio do povo nordestino, trabalhando e divulgando o ritmo pelo país e exterior.

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Nasci Severino Xavier de Souza, depois recebi o apelido de Biliu de Campina, que é o meu lugar.  Era da zona rural daqui de Campina Grande, PB, e me mudei para cá ainda bem menino. Por isso me considero meio rural e meio urbano — fala Biliu.

Minha família é de músicos. Minha mãe lia partituras e cantava. Minha irmã, Terezinha Xavier, também. Meu pai era mais da vida do mato, um vaqueiro aboiador. Minha infância em Campina era de frequentar as feiras. Tinha o ofício de vender amendoim, cavacas fritas, só para frequentar o lugar, porque naquele tempo o cara de menor não podia ter acesso — conta.

Nessa feiras aconteciam shows de artistas ligados ao forró, como: Jararaca, e Ratinho, Zé do Norte, Manezinho Araújo e outros.

Eles vinham aqui para Campina se apresentar nesses eventos e também nas rádios. Tinham importantes programas aqui, como: ‘Forró de Alagoas’, e ‘Bom dia Nordeste’. Além de forrozeiros, se apresentavam repentistas e violeiros .

Assim minha formação musical acabou tendo influência do rádio e das coisas que vi no meio rural e nas feiras: os aboios, as vaquejadas, festas de boi, os poetas, repentistas, violeiros, os pregoeiros de feira, tudo isso. Fui muito influenciado também pela literatura de cordel — diz.

Na verdade todas essas coisas fazem parte da formação do povo forrozeiro. O cara para ter ritmo, tendência, vocação e mais outras coisas necessárias para se fazer forró, ele tem que ser familiarizado com isso — afirma.

Através das feiras, outros eventos e do rádio, Biliu conheceu e passou a admirar a música de Jackson do Pandeiro.

Eu ficava apreciando o modo complicado, sincopado, que o Jackson do Pandeiro cantava. Passei a ser seu admirador e seguidor. E como menino sempre pega a curiosidade de cantar, passei a cantar dentro desse estilo de Jackson, e de outros que também trabalham assim — expõe Biliu.

Depois, para entrar na vida profissional foi um pulo, porque conhecia muito bem vários forrozeiros daqui e já estava compondo, fazendo minhas poesias. Assim comecei a me apresentar como forrozeiro radical, porque o cara que canta a cultura, a tradição, tem que ser radical, não participando daquela mídia de rádio, aquele negócio de jabá.

http://www.anovademocracia.com.br/123/15b.jpgTem que ser autêntico. Aquele que toca porque gosta e tem compromisso cultural, não aquele que toca só para tirar onda, uma espécie de movimenteiro cultural. Hoje em dia tem mais movimenteiro do que movimento. Não estou nessa, minha vida sempre foi pautada, respaldada nos grandes forrozeiros — declara.

Divulgando forró

Minha luta é no sentido de divulgar esse autêntico ritmo do povo, patrimônio nosso aqui do Nordeste. Quero manter viva a tradição e não ir na onda desses barulhos que são feitos por aí, por pessoas que não têm nada de forrozeiros, esses forrós universitários e eletrônicos — fala Biliu.

Não gosto desses cabras travestidos de forrozeiros. Não estou exatamente na qualidade de um ‘forrozeiro unha rachada’, como se chama aqui um forrozeiro muito radicalizado. Gosto de entender um pouco da modernidade, mas no sentido de fazer uma adaptação em termos de mensagem. O moderno está na mensagem — explica.

Assim faço uma música urbana que diz: ‘o rico pega o carro e sai pra passear, o pobre sai pra passear e o carro pega’ ... ‘o pobre trabalhando enchendo o saco do rico e o rico vai vivendo de vento e saco cheio’. Também faço músicas que dizem respeito ao que a sociedade vive em vários setores .

Até o momento Biliu de Campina lançou 3 discos de vinil e 8 CDs, incluindo músicas de sua autoria, com parceiros e obras de Jackson do Pandeiro e outros nomes da música popular nordestina.

Incentivado por Jacinto Silva e muita gente, resolvi gravar meu primeiro disco, isso de 1987 pra 1988, que foi um tributo a Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcante. São músicas do repertório de Jackson, todas da autoria de Rosil. Gravei muitas coisas boas — conta.

E segui criando minhas músicas, trabalhando bastante com o rojão, na parte do trava-língua. Gosto de cantar essa brincadeira do povo. E faz muito sucesso por aqui, inclusive música minha já virou tema de adesivos, aqueles de para-choque de caminhão. Também faço músicas homenageando forrozeiros, repentistas, a cultura nordestina — continua.

Tenho feito shows pelo Nordeste e outras regiões e também já fiz em várias cidades da Europa e na América do Norte. Em todos os lugares as pessoas gostaram e dançaram muito. Não sou muito ligado nesse negócio de internet, mas a juventude vai aos meus shows, grava e coloca lá. Isso é bom porque ajuda a divulgar ainda mais o forró — conclui Biliu.

Para mais informações, o contato do artista é: (83) 9972-3870.

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