Brutalidade policial com tempero francês

http://www.anovademocracia.com.br/123/07.jpg

Quando um agente é flagrado cometendo abusos contra a população, a crítica mais comum que recebe da “imprensa livre” é que se trata de um despreparado. Como acontece com toda explicação ambígua, em parte concordamos com ela, e na confusão do termo, podemos perder o foco do problema. Tomemos como exemplo um estudante de medicina: ele está se formando, vai no caminho certo, mas ainda esta despreparado para exercer integralmente a profissão. Com um policial pode ser diferente: ele já se formou na academia de polícia, talvez já tenha sido promovido como agente exemplar, fez cursos de capacitação e mesmo assim (ou por esse motivo) está despreparado para exercer a verdadeira função policial (proteger os cidadãos).

Não deve ser casualidade que a policial que estava representando o Brasil no USA para propagandear as UPPs, a soldado Vanessa Coimbra, esteja implicada no caso da tortura e assassinato do Amarildo. Agora querem desqualificar a moça dizendo que ela só foi enviada porque era a única que falava inglês. Custa acreditar que não tenham mandado alguém de absoluta confiança e participação para propagandear o maior projeto não só da segurança pública, mas do fim da violência no Rio, a libertação de um povo, mais importante que o desembarque na Normandia. Policiais brincavam de bola com as crianças faveladas, ensinavam violão...

As UPPs eram a maior bandeira do ex-presidenciável Sergio Cabral, bancadas “desinteressadamente” pelo ex-candidato a maior milionário do mundo Eike Batista (além da Coca-Cola, Bradesco, Souza Cruz e CBF). Tampouco deve ser coincidência que aquela operação policial que acabou na morte do traficante Matemático em que um helicóptero passa metralhando ruas e residências com armas de guerra, seja similar às operações do USA no Iraque ou Afeganistão. Nas ruas a polícia ataca os manifestantes, nas greves reprime com truculência. Todos esses casos têm algo em comum: o proceder é o de um soldado que tem a missão de dominar território inimigo, o cidadão que discorda ou “que está na hora e no lugar errado”, passa a ser tratado como inimigo.

Dias atrás o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo Vicente Sylvestre, torturado e expulso da PM pelo regime militar implantado pelo golpe de 1964, declarou: “naquela época fizeram uma lavagem cerebral na polícia”. Certamente antes de 1964 a polícia também não era cidadã. Como exemplo símbolo, podemos ver o brasão da PM do Rio de Janeiro: um pé de café, um pé de cana de açúcar, armas e acima de tudo a coroa, demonstrando que a corporação já nasceu para proteger os poderosos, jamais o povo.

Mas, certamente, com o advento do regime militar, a tortura e, mais amplamente, o terrorismo de Estado, passa a ser encarados de maneira científica, ensinado nas academias militares e de polícia até com cursos no exterior. O mais afamado foi o da Escola das Américas, ministrado pela inteligência ianque no Panamá até 1984, responsável pelo treinamento das mais sangrentas ditaduras latino-americanas. 

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin