Editorial - 2014 – Que venham tormentas maiores!

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O ano de 2013 se finda e leva com ele o signo das intensas lutas populares no Brasil. O próximo ano nem bem chegou e já anuncia novas e gigantescas batalhas a serem travadas pelo povo no longo caminho por uma democracia nova e verdadeira independência.

Nenhum arranjo, nenhuma campanha de marketing e nenhuma mentira repetida à exaustão foi capaz de encobrir a desnacionalização da economia, a desindustrialização, os privilégios dados aos monopólios transnacionais, a privatização do que resta de patrimônio público, as benesses ao latifúndio e ao “agronegócio”, o arrocho salarial, a carestia de vida, as inumanas condições de trabalho nas obras do PAC/Copa/ Olimpíadas, as remoções de bairros pobres inteiros para favorecer a especulação imobiliária, a criminalização da pobreza e o genocídio da juventude das favelas e periferias, os despejos de famílias camponesas, as perseguições e assassinatos de suas lideranças e o encobrimento das ações genocidas da polícia e dos bandos armados pelos latifundiários, a impunidade dos torturadores e criminosos do regime militar, etc.

O aumento da tarifa dos transportes públicos em junho, contido já há algum tempo pela gerência Dilma para falsear os índices de inflação, gerou mais do que justos protestos sobre os quais se despejou a mais brutal repressão. Isto bastou para destampar a fúria popular espontânea como nunca se viu na história desse país, desdobrando-se em massivas e multitudinárias jornadas de lutas meses a fio. Os milhões de jovens que tomaram as ruas das cidades grandes e pequenas e travaram batalhas campais contra os esbirros da repressão apontaram o caminho da luta combativa e classista com uma clareza e justiça impossíveis de negar.

Logo, operários em greve, camponeses em luta pela terra, familiares e amigos de vítimas de violência policial, todos os grupos oprimidos da sociedade lançaram-se por esse caminho e passaram a empreendê-lo.

Reavivou-se o debate sobre o direito à violência justa para se contrapor à injusta violência do Estado, a violência revolucionária em resposta à violência contra o povo. A própria palavra revolução ganhou sentido mais concreto.

Em poucos meses, toneladas e toneladas de lixo oportunista e revisionista foram varridas das lutas populares. O reformismo se viu exposto e desmascarado. O oportunismo eleitoreiro e as siglas do Partido Único que ousam se intitular de “esquerda” (governistas ou não) foram rechaçados e viram suas manobras para cavalgar os protestos naufragarem vergonhosamente. Como último recurso, restou a eles o papel mais vil de delatar os ativistas mais combativos e lideranças de movimentos revolucionários.

Como sempre, as forças de repressão se abateram truculentamente sobre os protestos, que souberam repeli-las com redobrada fúria, fazendo com que estes se avolumassem e ganhassem ainda mais massividade e combatividade. O velho Estado, em todas as instâncias, gerenciado pelas diversas siglas do Partido Único, se lançou a tomar medidas de exceção, criminalizando os manifestantes. Mais, temeroso de que algo venha a melar os grandes eventos esportivos do imperialismo e da grande burguesia, se esmera em prender, fichar, enquadrar, processar e condenar o maior número possível de jovens combatentes. Um de seus últimos lances foi a provação pela Câmara dos Deputados de uma legislação “antiterrorismo”, que nada mais é que a institucionalização da perseguição política aos movimentos populares.

E dessa luta contra o oportunismo e seus métodos criminosos, contra a repressão, contra os monopólios, contra a Fifa e outros inimigos do povo, surgiram frentes novas de luta, como a Frente Independente Popular (FIP), que, nucleada pelas forças mais combativas, granjeou enorme respeito e apoiou decididamente a luta dos professores das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro, em outubro.

Mas nada disso deterá os protestos. E se toda a canalha que gerencia o velho Estado a serviço das classes dominantes locais e do imperialismo já tremeu ante as massivas manifestações de junho e julho, tem motivos de sobra para temer a revolta popular que já se aponta inevitável.

2014 será um ano decisivo para a revolução de Nova Democracia no Brasil. Os gerenciamentos de turno já anunciam novos aumentos do transporte público, a taxa de juros já voltou a ser uma das maiores do mundo, a caixa preta dos gastos com a copa ainda não foi aberta, e a rigor nenhum problema real do povo foi sequer abordado com seriedade, menos ainda resolvido pelo velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro.

As classes dominantes locais e o imperialismo, os oportunistas a seu serviço e as siglas declaradamente fascistas se vêem em grandes apuros para definir candidatos à farsa eleitoral de 2014. Não são capazes de apresentar nada “novo” ao povo, que está farto desta democracia de fancaria, de constantes violações de direitos do povo e de privilégios para os exploradores, independente de quem ocupe o Planalto. Para os oportunistas de PT/PCdoB, o primeiro semestre é decisivo para definir candidatura, já que a popularidade de Dilma é mais volátil que nitroglicerina. No fim, sempre resta a oportunidade de um retorno “triunfal” de Luiz Inácio.

Grandes tormentas se avizinham. Assim como AND alertou em várias ocasiões para os levantamentos e revoltas que haviam de chegar, os verdadeiros democratas e revolucionários devem se preparar para dar maior consequência política à rebelião das massas e construir os instrumentos para a expulsão do imperialismo, a destruição do latifúndio e a destruição do velho Estado. Sem dúvida uma luta dura e prolongada, porém inevitável, certa!! Veremos.

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