Editorial - A crise eclodirá após as eleições

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A subida da taxa de juros Selic para 10,50 % ao ano é apenas mais uma amarga notícia para a economia nacional neste começo de 2014. A pretexto de se combater a inflação, que bateu oficialmente em 5,84% no ano de 2013, novamente se eleva uma das maiores taxas de juros do mundo.

Aliás, a carestia de vida é cada dia mais indisfarçável. Segundo estudo do Dieese, a cesta básica aumentou mais de 10% em nove capitais brasileiras, índice maior que a inflação oficial e, claro, maior que o reajuste do salário mínimo, apresentado como “grande avanço” pela gerência petista. Em Salvador (BA), os produtos básicos subiram 16,74%! Sem contar os aumentos dos combustíveis e das tarifas de transporte público anunciados para o início do ano. Segundo o mesmo Dieese (órgão oficial), o salário mínimo deveria chegar a R$ 2.765,44 para ser suficiente para a sobrevivência de uma pequena família.

A crise econômica que se aprofunda desde 2008 amplia seus efeitos no Brasil e até os mais otimistas “especialistas” na economia dos monopólios fazem previsões cataclísmicas. A Bolsa de Valores de São Paulo acumulou perdas de 20% em 2013. O déficit das contas correntes (a diferença entre o dinheiro que sai e o que entra no país) chegou a 81 bilhões de dólares, mais de 29 bilhões acima do ano anterior. O número, na verdade, é muito maior, já que aí não estão contabilizadas operações fraudulentas como venda subfaturada e compras superfaturadas entre filiais aqui e matrizes no exterior, por exemplo.

Já a balança comercial apresentou superávit, mas graças a imenso malabarismo governamental. O saldo positivo de 1 bilhão de dólares deveu-se, entre outras coisas, à “venda” de plataformas de exploração de petróleo para empresas estrangeiras, porém “alugadas” aqui pela Petrobras. Portanto, na verdade houve déficit da balança comercial.

A par disso, o endividamento chega a 62% das famílias brasileiras, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio. Uma bola de neve de crédito como nunca se viu na história desse país.

Já se vê a descendente das vendas, mesmo com o crédito escancarado. A indústria automobilística já registrou queda de vendas em 2013 e as construtoras que se empanturraram do dinheiro público já falam em “excesso de oferta” de imóveis, embora haja milhões de famílias sem casa no país.

Isso sem falar no confisco de mais de R$ 500 milhões de poupanças com “erro cadastral” pela Caixa Econômica Federal, que foram providencialmente lançados como lucro nos balanços do banco.

Pior, a desnacionalização e desindustrialização da economia se ampliam, principalmente pelos privilégios dados ao latifúndio (produção primária e monoculturas para exportação), pilar básico da condição semicolonial, da semifeudalidade e do capitalismo burocrático do país e suas decorrências, os baixos salários, o caos na saúde pública, precariedade na educação, maior concentração da terra, a miséria enfim.

Os dados postos na mesa, resulta evidente que algo muito grave, principalmente para o povo, está para ocorrer no Brasil, como há muito AND já vem alertando, apesar das façanhas estatísticas e publicitárias do gerenciamento petista. O desemprego em massa e a miséria prenunciam-se para breve, enquanto o oportunismo à testa do velho Estado burocrático-genocida brasileiro se esmera em despejar contrapropaganda e repressão contra o povo.

Dilma histrionicamente trata de enaltecer as “grandes realizações” e “milagrosos sucessos” de sua política. Alimenta o ufanismo com frases de efeito sobre a Copa da Fifa, uma vez que é fundamental para seus planos que tudo corra bem. O cinismo chega ao cúmulo quando velhas ratazanas como Roseana Sarney, em meio ao genocídio da população carcerária do estado que gerencia, afirma que os problemas e protestos ocorrem porque o Maranhão está mais rico, ora vejam!

FHC, em 1998, não segurou na unha o estouro do câmbio até passar as eleições? Trata-se de expediente similar, fazer de tudo para deter o estouro da crise até passar a farsa eleitoral, de modo a garantir mais um mandato aos atuais gerentes, sejam eles da “esquerda” canalha vendida ao capital ou das velhas oligarquias. Caso contrário, sua derrota é inevitável.

E como a publicidade apenas não é capaz de convencer as massas, tentam convencê-las intensificando a repressão a qualquer tipo de contestação além dos limites dos “movimentos sociais” domesticados pelo oportunismo. Assim, aumentam as tropas da guarda pretoriana do PT – Força Nacional de Segurança –, preparam mais e mais batalhões anti-distúrbios, ensaiam a guerra contra-insurgente, alteram a legislação inclusive com aprovação de “lei antiterrorismo” para facilitar o encarceramento em massa dos lutadores sociais, do povo rebelado, de suas lideranças e dos revolucionários.

A todo esse aparato, os protestos populares responderam com a fúria das ruas no ano passado. 2014 começa já com demonstrações de combatividade nas manifestações contra a violência policial em São Paulo e contra as remoções forçadas no Rio de Janeiro, e se anuncia redobrada e indomável nos protestos contra a Copa e pelo boicote da farsa eleitoral.

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