Espanha volta a arder

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Juventude rebelada foi às ruas!

Janeiro foi um mês de intensas lutas para o povo espanhol. Por todo o país, as ruas foram retomadas em manifestações que, mais do que uma petição singular, reclamavam melhorias de vida para uma população arrasada pelas medidas antipovo, aprofundadas pela crise econômica.

Burgos, cidade ao norte do país, na região autônoma de Castilla e León, com cerca de 170 mil habitantes, foi tomada por massas furiosas que se levantaram contra as sandices do capitalismo.

Os moradores do bairro de Gamonal protestavam desde outubro do ano anterior contra a transformação da “rua Vitória” num “boulevard”. A rua que tem quatro pistas passaria a ter duas. As vagas de estacionamento gratuito seriam praticamente eliminadas e um estacionamento seria construído no subsolo.

Os moradores não foram consultados sobre as obras e começaram a questionar a prefeitura sobre os seus verdadeiros objetivos e também sobre o orçamento: oito milhões de euros. Uma cifra bastante expressiva para um Estado em crise, que fecha escolas, hospitais, demite funcionários públicos, etc., sobre o argumento de cortes orçamentários.

Os moradores defendiam que o dinheiro fosse utilizado em prol de outras obras no bairro. Além disso, havia várias denúncias sobre a idoneidade da empresa construtora, propriedade de um construtor condenado várias vezes na década de 90 por falcatruas em licenças de obras.

O estopim

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Há anos, a Espanha registra combativos protestos populares.

Na tarde de 10 de janeiro, os moradores se reuniram nas imediações das obras para mais um protesto. Aos gritos de “Não ao boulevard” e “Gamonal não quer boulevard”, os manifestantes bloquearam a rua Vitória. Mas, desta vez foram reprimidos com um grande efetivo policial.

Cerca de 300 pessoas foram presas durante esta jornada de luta. Oito policiais ficaram feridos. As ruas do bairro se transformaram em praças de batalha, com barricadas e coquetéis molotov voando em direção ao aparato repressivo.

Burgos tomou as capas dos jornais, os noticiários de rádio, TV, as redes sociais e as ruas. Sim, as ruas de todo o país.

Uma chispa.....

Em poucas horas, as consignas “Arde Burgos” e “Resiste Gamonal” se espalharam. Diversos coletivos, formados principalmente durante o 15M – jornada de lutas de 2011 – convocaram atos em solidariedade aos moradores de Gamonal.

Entre os dias 14 e 17 de janeiro, Salamanca, Madrid, Barcelona, San Sebastián e mais de vinte cidades em todo o país demonstraram apoio à luta do povo de Burgos.

Se objetivamente o que se pretendia era mostrar o apoio concreto do povo espanhol a uma demanda local, as manifestações também serviram para exigir um basta às medidas antipovo, à repressão policial, à xenofobia crescente e a todas as medidas que vêm sendo tomadas com o pretexto da crise econômica. Porque, de fato, nenhuma delas têm adiantado muito, já que o desemprego no país segue em 27% e as condições de vida são cada vez piores.

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“Sí, se puede”

Após os protestos, em 17 de janeiro, o prefeito de Burgos decidiu paralisar as obras. Após haver afirmado, durante toda a semana, que não abria mão de sua posição.

Os moradores decidiram, em Assembleia realizada um dia após o anúncio do prefeito, na rua Vitória, permanecer mobilizados. Eles querem garantir que não haverá mais ações que prejudiquem os moradores e pediram a demissão do prefeito da cidade. Além disso, pretendem se organizar para reivindicar que o dinheiro que seria gasto com a obra seja invertido em moradias populares, creches e outras obras para o bairro.

Após a Assembleia, mais de duas mil pessoas marcharam por Gamonal para comemorar a vitória popular. Eles também exigiram a anulação dos processos contra 46 pessoas presas durante as manifestações de janeiro.

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