Zé da velha guarda do choro

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Trombonista nascido em Aracaju, SE, e radicado no Rio de Janeiro desde os oito anos de idade, Zé da Velha é um autêntico representante da velha guarda do choro carioca. Criado em Olaria, subúrbio do Rio, tocou nas rodas de choro do lendário Suvaco de Cobra, e forma com o trompetista Silvério Pontes, uma das mais conhecidas duplas de choro do país.

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— Comecei a aprender música com meu pai, que era alfaiate e também músico saxofonista. Depois aprendi com uma bandinha daqui de Olaria. Mas na época ainda não era o trombone de vara, e sim o de pisto, o trompete. Com o tempo passei para o trombone de vara, porque a minha paixão era ele — fala Zé da Velha.

— E foi indo até que meu professor de música pediu para fazer uma temporada no Bola Preta em seu lugar, todos os domingos. Ia de novembro até o último domingo antes do carnaval. ‘Zé, eles tocam muito samba, choro, e o meu negócio é mais carnaval. Indiquei você porque sei que gosta muito de tocar choro’, falou.

Lá chegando, Zé encontrou uma turma da velha guarda do choro, que tocava Pixinguinha.

— Era o Dunga, o João da Baiana, Patrício Teixeira, um pessoal da antiga. Comecei a tocar com eles e deu certo, porque além de serem pessoas muito bacanas, a maior parte das músicas era choro. Um mês depois conheci o Pixinguinha e comecei a fazer umas coisas com ele também.

— Ele já tinha um trombonista, o Orlando Silva Leite, que tocava trombone de pisto e era muito bom nisso. Mas às vezes não podia ir e então eu ia em seu lugar. Não era sempre, e sim uma vez ou outra quando eu também podia, é claro. A partir daí me encaixei de vez no choro e estou até hoje — continua.

— Trabalhei em algumas mini-orquestras, meu pai também tinha um mini-conjunto, e neles tocava vários tipos de músicas: marchinhas, dobrado, sambas, boleros, e por aí afora. Mas é o choro a minha paixão, isso desde garoto. Para mim é o melhor gênero musical que existe. Claro, trata-se de uma questão de gosto — acrescenta.

Nesse tempo que começou sua vida profissional, Zé estava com 17 anos, mas logo recebeu o apelido ‘Da Velha’.

— Por tocar com uma turma da velha guarda, o pessoal começou a me chamar de Zé da Velha Guarda. Eles diziam uns para os outros: ‘É aquele garoto que toca com a velha guarda’. ‘Ah, sim, o Zé da velha guarda’. E ficou.

— Depois quando eu estava com uns 18 para 19 anos, uma senhora, que na época já devia estar com seus 70 anos, passou a frequentar todos os domingos o Bola Preta. Ficava sozinha em uma mesa lá em frente ao palco, tomando guaraná o tempo todo. Quando eu acabava de tocar, ela levantava, pegava um copo de guaraná e me oferecia — conta.

— O pessoal ficou de olho nisso, e quando essa senhora não aparecia, eles diziam: ‘Ih, hoje a velha do Zé não veio’. Então o João da Baiana acabou cortando o ‘Velha Guarda’ e colocando Zé ‘Da Velha’ só. Ele era muito brincalhão e só me chamava de ‘meu sobrinho’. ‘Meu sobrinho, essa velha aí gosta muito de você hein’, dizia.

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