Verdelândia – MG: Ataque de pistoleiros contra acampamento

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Camponês com ferimento na cabeça acompanha audiência.

Na tarde de 19 de janeiro, 35 famílias que haviam reocupado, no dia anterior, as terras da Fazenda Torta - Morro Preto, em Verdelândia (Cachoeirinha), foram covarde e brutalmente atacadas por um bando de mais de 10 pistoleiros contratados pelo latifundiário João Dias!

Enquanto as famílias reorganizavam acampamento, os pistoleiros liderados pelo filho do latifundiário chegaram em duas caminhonetes, encapuzados, apontando armas longas calibre 12, revólveres e pistolas. Os camponeses que correram para o mato foram alvejados pelos disparos. Os demais foram feitos reféns, obrigados a deitar no chão, torturados sob fortes ameaças e xingamentos. Chutes, socos, coronhadas na cabeça e queimaduras provocadas pelos canos quentes das armas.

Um vereador, que apoiava as famílias, levou tiros nos dedos da mão e também no braço e foi levado para Montes Claros em estado grave. Uma camponesa de 65 anos levou um tiro de raspão no queixo e seu neto, ao tentar protegê-la, levou um tiro nas costas ficando com a bala alojada no pulmão. Os pistoleiros roubaram as carteiras, bolsas e celulares dos camponeses destruindo os documentos, queimando as roupas e demais pertences e levando todo dinheiro que havia. Os veículos que se encontravam no acampamento tiveram tanques perfurados, faróis e setas quebrados e capôs amassados.

Esses crimes contra o povo têm sido cometidos corriqueiramente em todo o Norte de Minas, particularmente nessa região de Verdelândia e Varzelândia, onde já tiveram várias denúncias da existência de grupos armados por latifundiários, que andam a luz do dia ameaçando quem quer que atravesse seu caminho. Várias mortes já foram registradas e nenhuma providência é tomada pelas ditas autoridades, pois esses grupos são acobertados pela polícia e pela justiça e os crimes como estes seguem sem nenhuma punição, desde o histórico massacre de Cachoeirinha em 1967!

Criminalização, prisão, tortura e assassinatos...

Em Varzelândia, dia 9 de janeiro, o latifundiário e prefeito da cidade Felisberto, junto com seus capangas e acobertado pela PM, dispararam tiros contra uma das lideranças dos camponeses quilombolas que reivindicam as terras prometidas mil vezes pelo Incra no já oficialmente reconhecido território quilombola Brejo dos Crioulos.

O anúncio das “100 desapropriações” da presidente Dilma do final de 2013 foi feito com muita propaganda eleitoreira para tentar salvar-se da pecha de pior governo para o campo, depois de completamente desmoralizado pelos protestos populares nas grandes cidades. O governo do PT foi o que menos desapropriou terras para reforma agrária desde o regime militar no Brasil, ao mesmo tempo que foi o período de mais prisões, torturas e assassinatos no campo. Os ataques, que aconteceram em Verdelândia e Varzelândia, seguem a lógica da política do velho Estado brasileiro para a questão agrária:

  • Perseguições políticas e ambientais, criminalização; prisões de camponeses, com ou sem ordem judicial;
  • Ameaças de despejo, expulsão por tropas da polícia como ocorreu em Rio Pardo-RO no final de 2013, como ameaça ocorrer agora em Manga na Baixa Funda;
  • Expulsão violenta das terras por pistoleiros acobertados pela polícia militar como ocorreu na fazenda Beirada, em Manga, em novembro de 2012;
  • Impunidade para mandantes e executores dos crimes contra os camponeses;
  • Completa falência e burocratização dos órgãos responsáveis pela reforma agrária, como o Incra;
  • Situação precária dos “assentamentos”. Sem água e sem créditos, são verdadeiros cativeiros do Incra diante da inexistência da titulação das terras.

As terras da fazenda Torta – Morro Preto foram oferecidas pelo Incra aos camponeses há mais de oito anos. Com a promessa de vistoria e negociação, dezenas de famílias passaram a produzir e viver nas terras. Como o Incra não fez nada, as terras acabaram vendidas para o bandido latifundiário João Dias, que mandou pistoleiros destruírem os barracos, colocar gado nas roças e passar o trator na área ocupada pelas famílias.

Enquanto a presidente Dilma Rousseff, de forma oportunista em vésperas de eleições, anunciava “100 desapropriações”; nos tribunais, juízes assinavam ordens de prisão e de reintegração de posse e nos quartéis e delegacias eram preparados planos de retiradas de famílias que vivem e produzem em terras ocupadas e que há décadas aguardam em vão a legalização. E olha que desapropriação não representa a solução da posse da terra, como demonstra o caso dos territórios quilombolas, onde os camponeses ficam com os papéis nas mãos, enquanto as terras, de fato, continuam nas mãos dos latifundiários que mantém seu poder político e pelas armas.

Nós da LCP nos solidarizamos com as famílias atacadas na fazenda Torta e com todos os camponeses permanentemente ameaçados pelo latifúndio e o Estado no Norte de Minas e em todo país. Apesar de não estarmos na organização direta destas famílias camponesas, reconhecemos seu direito histórico à essas terras em Verdelândia e repudiamos o covarde ataque. Convocamos a todo o povo norte-mineiro a se manifestar contra essas atrocidades.

Exigimos punição imediata para os latifundiários e seus pistoleiros!

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