Homofobia é mais um retrato da falsa democracia

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Kaique Augusto Batista dos Santos, de dezessete anos de idade, foi encontrado morto no dia 13 de janeiro, sob o Viaduto Nove de Julho, na região central de São Paulo. A causa de sua morte continua sem resposta. O rapaz havia acabado de sair de uma festa gay. Os amigos contam que ele saiu da boate para procurar os documentos que estariam perdidos e desapareceu.

O delegado que assinou o boletim de ocorrência registrou o caso como suicídio, com base no relato do policial militar que encontrou o corpo do adolescente. Inicialmente, a família contestava a versão da polícia, acreditando que o rapaz teria sido vítima de tortura e assassinato motivados por homofobia. Mas, informações levantadas pela perícia somadas às mensagens encontradas no diário do rapaz, levaram a mãe a reconhecer, no dia 21/01, que o jovem possa ter se matado.

Tendo sido ou não assassinato, a morte de Kaique trouxe à tona a triste realidade das agressões contra homossexuais motivadas por discriminação. E um ato pela criminalização da homofobia foi realizado na tarde de 17 de janeiro, percorrendo as ruas entre o Largo do Arouche, onde Kaique foi visto pela última vez, até a Avenida 9 de Julho, onde foi encontrado o corpo do rapaz.

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB) no Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT) relativo a  2012:  “Foram documentados 338 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo duas transexuais brasileiras mortas na Itália. Um assassinato a cada 26 horas!  Um aumento de 27% em relação ao ano passado (266 mortes), crescimento de 177% nos últimos sete anos”.

Os dados levantados pelo grupo revelam um aspecto importante do problema. Os assassinatos de homossexuais homens representam mais de noventa por cento dos crimes: “188 entre os gays (56%), seguidos de 128 travestis (37%), 19 lésbicas (5%) e 2 bissexuais (1%). Em 2012 também foi assassinado brutalmente um jovem heterossexual na Bahia, confundido com gay, por estar abraçado com seu irmão gêmeo. O Brasil confirma sua posição de primeiro lugar no ranking  mundial de assassinatos homofóbicos, concentrando 44% do total de execuções de todo o planeta”.

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