Copa do Mundo e educação na gerência PT/FMI: Provas de que o oportunismo serve ao imperialismo

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Em julho o Brasil deve sediar mais uma Copa da Fifa. Além da evidente manipulação em termos de busca da construção do consenso de que “o Brasil, como nunca na história deste país, está dando certo”, o que está acontecendo é prova retumbante da direta gerência que o império, através da grande burguesia e do latifúndio, mantém sobre o Estado Brasileiro. Senão vejamos.

A Copa e seus gastos

De uma estimativa inicial de R$ 5 bilhões, o próprio Ministério dos Esportes já admite que custará, no mínimo, só à gerência federal, pelo menos R$ 8,3 bilhões. Os Estados gastarão mais R$ 4 bilhões, os municípios mais R$ 1 bilhão, além de, pelo menos, perto de R$ 500 milhões de recursos com as isenções de impostos. No total, o Jornal do Brasil divulga, em sua edição de 31/01, que os gastos totais podem chegar a quase R$ 26 bilhões. O site Congresso em Foco (www.congressoemfoco.uol.com.br) informa que podem chegar a R$ 33 bilhões. Neste caso, e segundo o mesmo site, como a conta dos poderes públicos pode chegar a 85,5% do total investido, o povo brasileiro pode bancar R$ 28,15 bilhões.

Onde e em que serão gastos os recursos

O total dos gastos dos recursos federais será aplicado na construção e/ou reforma de 12 estádios e mais 51 obras, que vão da reconstrução de mecanismos da denominada “mobilidade urbana” (R$ 6,5 bi) a aeroportos (1,7bi) e portos (R$ 528 milhões). Nas 12 cidades-sede do mundial, a população há algum tempo sofre com obras, alterações no fluxo de trânsito, etc.

Deve-se notar, todavia, que há obras de construção de estádios “padrão FIFA” em locais sem a mínima condição de poder mantê-los após o mundial, simplesmente porque a localidade e/ou mesmo o Estado em que estão não têm tradição futebolística para arcar com estes custos. São notórios os casos de Manaus e de Cuiabá, para não dizer de Natal, Recife, Fortaleza e Brasília.

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O que poderia ser feito, ou um exemplo

O sindicato dos trabalhadores na construção civil de Belo Horizonte tem um número interessantíssimo. Segundo este, o custo, naquela Capital e no seu entorno, de uma casa/apartamento que se enquadra no Programa Minha Casa Minha Vida, de aproximadamente 60 metros quadrados custa, considerando o terreno, R$ 25 mil. A pergunta é óbvia: quantas casas destas poderiam ser construídas com o que está sendo gasto na Copa? Considerando somente o que os governos irão colocar diretamente, como descrito acima (R$ 13,3 bi), seriam construídas 532 mil.

Mas os custos totais chegarão a R$ 26 bilhões ou mais. Quantos imóveis, do mesmo tipo, poderiam ser construídos? A resposta é que seriam construídas 1,04 milhão de casas. Ou seja, estaria resolvido o problema da habitação, que tanto aflige fatia significativa do povo, entre 4 e 5 milhões de pessoas. 

O volume de recursos na educação e na Copa

O site Agência Pública (www.apublica.org/2014/01/nao-legado-da-copa-mundo/) publica reportagem em que compara os gastos federais com a Copa e seus repasses para os municípios sede de 2010 a 2013. A interessante constatação é que das 12 cidades-sede, somente três (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília), receberam mais recursos do MEC para educação do que para as obras da Copa.   

No total, entre 2010 e o ano passado, as capitais receberam como repasse do MEC R$ 3,79 bilhões e para a Copa já receberam R$ 4,31 bilhões.

 A educação, o capitalismo burocrático e a Copa

Todos sabem que o financiamento da educação, no Brasil, é de responsabilidade dos três entes federados (União, Estados e Municípios) mas, ao mesmo tempo, a União aquela que mais recursos têm à sua disposição para aplicar naquilo que se chama de “pesquisa, desenvolvimento e aplicação” em educação. Ou seja, enquanto os outros entes federados têm os recursos para educação aplicados fundamentalmente na gerência e nas suas ações, é a União a que tem recursos para financiar pesquisa, programas e projetos inovadores. Assim, o fato da União colocar mais recursos à disposição para um evento de um mês do que coloca em educação em quatro anos, é sinal evidente de seu real objetivo.

Em que pesem as enormes demandas da educação brasileira: i) acabar com o analfabetismo; ii) melhorar as condições de trabalho nas escolas públicas; iii) melhorar a formação e os salários de seus profissionais; iv) universalizar o ensino médio e superior, entre tantos, a União decide aplicar recursos num evento esportivo de monta, como a Copa da Fifa. O entendimento de tal atitude só pode ser obtido agrupando suas causas em dois conjuntos de fatores.

Um primeiro é que evidentemente o tipo de capitalismo que impera no Brasil é de caráter burocrático, portanto dependente dos interesses do imperialismo. Com isto, e este estando em crise profunda e mais abertamente desde 2008, pelo menos, a queda no nível de atividade econômica na Europa e USA, principalmente, leva à necessidade de busca de lucros em novos e “emergentes” mercados. Nestes se enquadram, geopoliticamente, o Brasil e, comercialmente, o setor de serviços. Por conta disto, verifica-se na construção dos estádios e das obras nas 12 cidades o conluio de empreiteiras (Odebrecht, C.R. Almeida, Camargo Correia, etc), sempre apegadas à tradição cartorial de ganhar as concorrências de obras públicas, com a grande burguesia mundial.

Para verificar isto, basta observar de onde vêm os engenheiros, gerentes e máquinas e equipamentos que trarão tanto o “know how”, a “expertise”, quanto a viabilização física-eletro-mecânica do “espetáculo” da Copa do Mundo. Ou seja, dos telefones e sistemas de comunicação da Siemens, IBM, a aparelhos da Nokia, Sansung, LG, etc, entre as mais famosas, todos importados, todos servindo à acumulação do capital mundial em crise e necessitando da Copa da Fifa. Neste sentido, até as câmeras do monopólio da imprensa são importadas. Do uniforme da “Seleção Canarinho”, a chuteira que leva a “Pátria de Chuteiras”, é da norte-americana Nike, que as fabrica em algum país da Ásia/Oceania; a camisa, se for de algum fio especial, fatalmente é tecido importado, fabricado por trabalhadores a preço de banana explorados pela mesma Nike naquela região do planeta e, pasmem, até o patrocinador oficial, o Guaraná Antártica, já e da Belga Stella Artois, a maior cervejaria do mundo. Como se vê a Copa coloca em movimento uma cadeia da felicidade do capital mundial e da grande burguesia brasileira.   

O outro conjunto de fatores, e que não pode ser esquecido, é como o capital se produz e se reproduz quando da relação com a questão urbana. A partir de agora há a tentativa das gerências de buscar “revitalizar” espaços antigamente ocupados. E aí entra em cena o rio de dinheiro do povo que as gerências colocam em obras de restauração de praças, edifícios, ruas, avenidas, quando não da construção de elefantes-brancos o que, evidentemente, necessita da expulsão do povo destas áreas.

Neste sentido, a Copa da Fifa serve como uma luva. Joga-se dinheiro numa coisa que amalgama a valorização do capital tanto no que se refere ao setor de serviços, da construção civil, com a especulação imobiliária, exatamente como o cidadão está vendo a todo momento no Brasil nos últimos meses. E nem que para isto se jogue recursos do povo, do que ele efetivamente necessita, para coisas que o capital necessita.

Mas, quem disse que o Estado existe para pensar na melhoria das condições de vida do povo? Na sociedade em que vivemos, cindida em classes que têm interesses antagônicos, o Estado é a estrutura de dominação das classes dominantes sobre as dominadas. No caso do Brasil, da grande burguesia e do latifúndio sobre os proletários e camponeses. Assim, sua ação é garantir os seus interesses e, estes, usam a Copa do Mundo para aquilo que acima descrevemos. Quem fala outra coisa, mentindo ao povo, é seu inimigo. Pena que pululam nas universidades, nos partidos e nos movimentos sociais oficiais na atualidade. Da CUT à UNE, do PT ao PCdoB ao MST!

É tarefa de todo povo, dos trabalhadores aos intelectuais sérios, demonstrar a todo instante a farsa que é a Copa da Fifa enquanto interesse do povo brasileiro e o quanto serve à roda da máquina imperialista! Mas se enganam aqueles que acham que o brasileiro, a despeito do seu profundo amor pelo futebol, se calará diante das enormes provas do uso antipovo do dinheiro que é seu. Se espalha pelo país, cada vez mais, o grito de “Não vai ter Copa!”. O povo ecoou esta insígnia em plena abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa do Paraná enquanto o gerente de turno da província discursava sobre suas ações na educação. Novas lutas se avizinham. Quem viver verá!   

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