Ucrânia: o imperialismo é a guerra, em tempo real

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O acirramento das tensões políticas na Ucrânia parece perto de atingir seu ponto crítico, com a iminência de o território ucraniano se transformar em palco de um conflito militar entre potências – com possibilidade real de este território ser dividido em dois –, é o reflexo de um país no olho do furacão das disputas imperialistas pela repartilha do mundo, visando as estratégias militares de dominação e os interesses dos monopólios internacionais em crise geral e profunda.

É a constatação “em tempo real” – mais uma, a exemplo do que ocorre, por exemplo, também na Síria – de que o imperialismo é a guerra, e de que o destino das nações que se veem espremidas entre os interesses dos diferentes blocos de poder em escalada de disputas por áreas de influência no âmbito da geopolítica – a política das potências imperialistas – é a guerra civil e a invasão estrangeira, a menos que as massas muitas vezes feitas de bucha de canhão em meio a todo este cenário se levantem com radicalidade e sob lideranças consequentes em violenta e justa luta pelo fim do jugo ante esta ou aquela potência opressora.

Para não perder o fio da meada:

No fim de novembro de 2013 as disputas políticas entre as facções de poder na Ucrânia se acirraram quando o gerenciamento de Kiev anunciou que interromperia as negociações para um acordo político-comercial com União Europeia, atendendo requisição do imperialismo russo, o que desagradou a uma fração das classes dominantes, abrigada sob a denominação de “oposição”, que se beneficiaria do acordo com a UE.

Pois esta “oposição” não tardou, com suporte do USA e da União Europeia, a convocar protestos nas ruas de Kiev contra o governo pró-russo, em um esforço para tentar fazer crer que sua vontade, ou seja, a de mudar a dominação imperialista para o outro lado do mapa, e não colocar fim à dominação imperialista, era mesmo a vontade de todo um povo.

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No dia 24 de novembro, 100 mil pessoas saíram às ruas em protesto açuladas pela “oposição”. O “governo” então, já entendido com Vladimir Putin, anunciou um acordo com Moscou que resultaria na diminuição do preço do gás russo vendido à Ucrânia, a fim de apaziguar os ânimos, em manobra até certo ponto bem sucedida em seu objetivo. Entretanto, o espancamento de uma jornalista ucraniana crítica do governo por um grupo de desconhecidos no dia 25 de dezembro voltou a acender a centelha da revolta.

No dia 16 de janeiro, já em 2014, o parlamento da Ucrânia aprovou um pacote de leis para incrementar a repressão. A partir deste momento, os protestos ganharam um caráter de luta contra a brutalidade da repressão policial, pelo direito de livre manifestação e exigindo a queda do “governo”, com grandes escaramuças entre as massas e as forças de repressão na noite do dia 21 para o dia 22 de janeiro, resultando em alguns mortos e em centenas de feridos.

Disputa entre as hienas imperialistas

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Imagens das manifestações que derrubaram o governo

Em poucas palavras, os protestos na Ucrânia se transformaram em rebelião contra um Estado autoritário e antipovo, fugindo ao controle tanto do “governo” quanto da “oposição”, sendo que esta última, não obstante, não deixou de vislumbrar naquele clima político a oportunidade para derrubar o governo pró-imperialismo russo com apoio do imperialismo europeu e do imperialismo ianque.

Ante a rebelião generalizada nas ruas, começaram a surgir os primeiros sinais de conluio entre as frações das classes dominantes ucranianas, unidas na vontade de submeter o país ao imperialismo, mas divididas na preferência pelas potências às quais servir. No último dia 28 de janeiro o primeiro-ministro Mykola Azarov renunciou e cargos do “governo” foram oferecidos à oposição, no mesmo dia em que o Parlamento revogava as leis antiprotesto que havia aprovado menos de duas semanas antes.

Mas a Europa do capital monopolista e o USA não se deram por satisfeitos com apenas algum espaço em um “governo” amigo do bloco de poder concorrente no âmbito da geopolítica. O imperialismo europeu e o imperialismo ianque viram nos grupos abertamente fascistas da Ucrânia o instrumento para manter viva a esperança de ver Yanukovitch derrubado e substituído por um gerente ou “governo de transição” títere de Bruxelas e Washington.

Assim, enquanto a “oposição” ganhava cargos e sentava-se à mesa com Yanukovytch, pelotões fascistas do partido Svoboda e da organização Setor de Direita, por exemplo, marchavam pelas ruas esmerados em romper tréguas e fazer acordos virarem pó.

No dia 21 de fevereiro, com o clima político e a violência na Ucrânia chegando ao limite da guerra civil, os três partidos da “oposição” com representação parlamentar e o presidente Yanukovitch assinaram um acordo que previa mais concessões aos grupos pró-imperialismo ianque e europeu, tudo sob a supervisão in loco dos ministros das Relações Exteriores da Alemanha, da França e da Polônia. Na noite do dia 21 para o dia 22, entretanto, as massas indignadas com sinais de rearranjo das forças reacionárias para manter o Estado ucraniano no prumo antipovo enfrentavam as forças de repressão em violentas escaramuças que só naquela noite resultaram na morte de pelo menos 77 pessoas, levando à derrubada do “presidente” Viktor Yanukovytch.

“Revolução” e eleições “livres”: mais farsas

Um governo interino amigo das potências “ocidentais” começou então a ser montado e “eleições livres” foram convocadas para maio, a fim de sacramentar, via farsa eleitoral, não qualquer mudança significativa, e para melhor, na vida das massas trabalhadoras, mas sim a troca de bandeiras da dominação imperialista exercida sobre o povo ucraniano. Tudo sob os aplausos do monopólio da imprensa internacional, que saúda a “revolução”.

Putin, é claro, não gostou, e depois de receber do Parlamento a aprovação para uma intervenção na Criméia, região autônoma ucraniana onde está instalada a base da frota russa no mar Negro, ocupou aquela península com seu poderoso exército. Obama, chefe de invasões a nações soberanas mundo afora, protestou, como manda a cartilha da hipocrisia na geopolítica, dizendo a Putin, em telefonema, que a Rússia está violando a soberania ucraniana.

Alheio aos reclamos ianques e europeus, Putin fez seu parlamento aprovar lei que autoriza a anexação da Criméia, já ocupada por milhares de soldados russos. Paralelamente, o parlamento da Crimeia (uma espécie de região autônoma) aprovou também um plebiscito para aprovar a sesseção com a Ucrânia, o que seria o sinal verde para a ocupação russa.

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Revidando, o “governo” títere da Ucrânia ultima os preparativos para uma adesão de última hora à UE, o que submeteria o país a uma série de regras e o colocaria sob a “proteção” militar dos países do bloco.

O grande trunfo econômico nas mãos de Putin, e que deve ser considerado, é a dependência europeia e ucraniana do gás russo. Além de ser abastecido pelo gás russo, grande parte dos gasodutos destinados aos países da Europa ocidental cruzam o território ucraniano em uma grande rede que, se cortada, pode acarretar grandes danos a seus destinatários.

Essa particularidade dá a Putin certa segurança para bancar o projeto de manter pelo menos parte da Ucrânia sob controle russo sem que haja uma conflagração armada. De qualquer modo, o imperialismo ianque segue firme na política de assediar os países da esfera de influência russa, cutucando a onça com a vara cada vez mais curta.

E assim aquele país do extremo leste europeu comprimido entre os interesses concorrentes dos blocos de poder globais em franca corrida pela repartilha do mundo encara a possibilidade também de se tornar palco e viver o horror da guerra imperialista. Porque o imperialismo e suas rusgas, como ora se vê no desenrolar das suas ações naquela parte do tabuleiro, não pode resultar em outra coisa senão a guerra.

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