Os valentes quilombolas de Rio dos Macacos

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"Documento" que os militares obrigavam os quilombolas a usar

O quilombo Rio dos Macacos está localizado dentro da Vila Naval de Aratu, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador, Bahia. É neste local, que fica tão próximo de onde a presidente Dilma passa suas férias, que diversas famílias quilombolas resistem a todo tipo de humilhação e violência perpetradas pela reacionária força naval brasileira.

Inicialmente o local chamava-se Fazenda dos Macacos e pertencia à família Martins, que abdicou do terreno devido ao declínio da produção da cana de açúcar. Os remanescentes de quilombolas permaneceram no local vivendo tradicionalmente por aproximadamente 150 anos. No início da década de 1960, parte das terras foi tomada para a construção de uma barragem. Posteriormente, em 1972, a situação foi agravada pelo início das obras da vila naval, sendo 57 famílias expulsas e sua estrada tradicional destruída pela marinha. Durante um tempo, para sair e entrar de suas terras pela base da marinha, as famílias que restaram foram obrigadas a usar um crachá humilhante, que os qualificava como invasores.

Dona Maria de Sousa Oliveira, moradora mais antiga do quilombo, 89 anos, nasceu e viveu na Fazenda dos Macacos com seus irmãos. Em um tom triste e questionador, esta brava senhora demonstra toda sua indignação. Segundo Dona Maria, ela e sua família não conseguem dormir à noite, pois sempre aparecem pessoas de madrugada, muitas vezes mascaradas, atirando para dentro de sua casa. Ela ainda relata que inúmeras vezes oficiais aproveitam que está sozinha em casa e aparecem forçando-a a assinar papéis entregando suas terras.

Sua filha Olinda de Sousa Oliveira dos Santos, 54 anos, e seu genro Edinaldo Bispo dos santos, 55 anos, seguem os relatos de abusos. Segundo os mesmos, ao longo dos anos, inúmeras casas foram queimadas e destruídas, moradores são proibidos de entrar pela portaria da vila naval, muitas pessoas já foram vítimas de todo tipo de agressão, incluindo casos de violência sexual.

No dia 06 de janeiro de 2014 oficiais da marinha agrediram gratuitamente, na entrada da Vila Naval, a Edinei dos Santos e sua irmã Rosemeire dos Santos na presença das filhas desta. As imagens foram flagradas pelas câmeras de segurança do local, os irmãos foram detidos e depois de muitos maus tratos foram liberados. Já em 30 de janeiro a casa de Luiz Oliveira, 52 anos, foi destruída por cerca de 20 fuzileiros navais que invadiram a comunidade, no momento em que autoridades estavam reunidas com lideranças quilombolas para a validação da construção de uma estrada independente. Estas e muitas outras agressões estão em vídeos espalhados pela internet.

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