Quem financia quem

A- A A+

http://www.anovademocracia.com.br/127/03.jpg

Sobre o cadáver, ainda quente, do cinegrafista Santiago Andrade os urubus do monopólio de comunicação, para dar continuidade ao seu escarcéu em torno do triste episódio à guisa de ampliar o raio da criminalização dos protestos populares, passou a cacarejar sobre um possível “financiamento de ativistas para participarem das manifestações”.

A partir de uma frase jogada ao vento pelo obscuro advogado dos dois jovens acusados de acenderem o rojão que vitimou o cinegrafista e após desatar a cruzada pela pena máxima aos autores de lamentável acidente, quando corpos impunemente chacinados pela polícia se amontoam diariamente por todo país, os meios de comunicação das classes dominantes iniciaram uma caçada para identificar tais “financiadores”.

Seria cômico, para não dizer ridículo, não fossem tão horrendas as lições históricas das aberrações nascidas de eventos igualmente acidentais transformados, porém, na comoção mais cega manipulada à exaustão pelos inimigos da verdadeira democracia.

O primeiro a entrar na linha de tiro acusatória foi o deputado Marcelo Freixo, representante de parte da esquerda eleitoreira, exatamente por ser possível candidato com chances de desbancar do governo do estado do Rio de Janeiro a máfia mil vezes denunciada e desmascarada pelas caudalosas manifestações populares por suas corrupções, desmandos, pelo genocídio nas favelas e a mais brutal repressão ao justo protesto popular. Em seguida os disparos foram contra “radicais” e a Frente Independente Popular (FIP) por “cotizarem para a compra de quentinha e rabanadas para os manifestantes” do “Ocupa Câmara”.

Desmoralizar, isolar e criminalizar

Requentando uma velha tática da burguesia e de toda reação, bastante usada pelo imperialismo no combate às lutas de libertação, mas também pela polícia quando coloca “trouxinha” de maconha ou “papelotes” de cocaína no bolso das pessoas sob revista, os xupa-tintas e arengueiros da imprensa burguesa juntamente com a cúpula policial, ao baterem na tecla de que os ativistas eram “financiados” por pessoas ou partidos com interesses outros que não as justas reclamações da juventude, de forma hipócrita visaram única e exclusivamente desmoralizar o movimento dos protestos e mesmo lançar a impressão de tratar-se de algo criminoso, para tentar isolá-lo, principalmente junto às camadas médias da população de forma tal que ninguém ousasse defendê-lo.

Tudo isso, numa santa aliança com o gerenciamento petista, para atingir o objetivo imediato de realizar os lucrativos eventos da Copa da Fifa e da Olimpíada sem o “incômodo” do protesto popular e, ainda por cima, faturar as próximas eleições e deitar na sociedade a atmosfera fascista da intimidação.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Financiados para enganar o povo

No capitalismo, na medida em que tudo é ou torna-se mercadoria, nada se realiza sem a presença do dinheiro e é aí que se revela a hipocrisia dos que tagarelam como um crime hediondo alguém ter pago cinquenta quentinhas para os jovens que ocupavam a Câmara Municipal. A Rede Globo e a revista Veja, por exemplo, como veículos do monopólio de imprensa que têm por finalidade enganar as massas, através da disseminação da desinformação e da cultura degenerada e degenerante, para cumprir com sua ação deletéria recebe vultosas somas de dinheiro tanto dos cofres públicos como das corporações do sistema industrial-bancário que compõem o capital financeiro.

Confirmando o adágio popular segundo o qual “quem paga a banda escolhe a música”, o tom do noticiário é ditado pelo interesse de seus financiadores. Tamanha desfaçatez fica escancarada nas coberturas dos acontecimentos no Brasil quando os manifestantes são taxados de “vândalos”, “bandidos” e não tardará: “terroristas”, enquanto, para eles, na cobertura internacional os quebra-quebras são justa resposta dos manifestantes à violência da polícia dos demonizados governos da Venezuela, da Ucrânia, etc.

Com isso, essa gente hipócrita até a medula, para quem a ética é sinônimo do que é legal, não importando o quão imoral sejam tantas leis, pretendem lançar as organizações mais democráticas surgidas das jornadas de junho/julho de 2013 e das novas gerações de nossa juventude combatente rebeladas contra todo esse lixo cultural de alienação sobre a qual entulham diuturnamente este mesmos monopólio de comunicação na vala comum da corrupção, no mesmo mar de lama em que chafurdam o sistema de governo político eleitoral e sistema de Estado executivo, legislativo, judiciário e administrativo, inclusive o “movimento social” que manejam.

Neste terreno, existe algo mais notório e indecente que é o processo das siglas que compõem o Partido Único, financiadas pelo Fundo Partidário, isto é, pelo dinheiro público? Isto para não falar do caixa dois e das contribuições de banqueiros, empreiteiros e transnacionais para suas campanhas eleitorais nas quais são eleitos os mais subservientes aos seus patrocinadores. E o que dizer desta sempre Rede Globo que se serve de generosos “empréstimos” do BNDES, ou melhor, verdadeiras transferências de recursos públicos rolados a prazos a perder de vistas?

O povo financia seus algozes

No frigir dos ovos é o povo que banca tudo através dos escorchantes impostos cobrados por este decrépito Estado brasileiro em seus vários níveis, cujo manejo das arrecadações possibilita a transferência de renda dos mais pobres para seus apaniguados da alta burocracia do executivo, do legislativo e do judiciário, das Forças Armadas, verdadeiras cortes de parasitas e sanguessugas. Mas é do interesse das classes dominantes reacionárias que controlam este Estado, também, acomodar parcelas da pequena-burguesia para mantê-las como sua força de reserva. Para tanto, lança mão de transferências de recursos para as ONGs, as quais servem de meio de vida para uma grande quantidade de carreiristas e oportunistas de variados naipes, vivendo penduradas no financiamento do Estado, mediante projetos destinados a “apascentar” as massas.

O povo faz as contas pro dia que vai chegar

A lei do imperialismo e da reação é provocar distúrbios e fracassar, voltar a provocar distúrbios e fracassar outra vez, até sua derrota final e completa. Dialeticamente, em correspondência, a lei do povo é lutar e fracassar, voltar a lutar e fracassar outra vez, até sua vitória final e completa. A mais feroz repressão não calará tampouco a voz justiceira das massas, senão que atiçará mais ainda a ira popular.

É por isso que todos os reacionários estão condenados à derrota, mesmo que no curto prazo possam vencer algumas batalhas. Ao povo está reservado o pódio. Suas explosões diárias nos mais diferentes rincões deste país, numa escala de mobilização sempre crescente são, também, escolas de politização que apontam para a necessidade de uma organização de nível superior que cumpra o papel de Estado Maior a dirigir suas derradeiras batalhas na luta para por fim ao regime de escravidão e opressão.

Daí o desespero dos de cima, como as declarações de Dilma Roussef de jogar todas as forças da repressão do velho Estado contra o povo, além de ir buscar no baú do regime militar fascista, as mais draconianas leis contra os lutadores do povo. Tudo em vão, as linhas de força estão sendo armadas para o dia que já vem vindo e que este mundo vai virar.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja