RJ: Santa Marta contra taxas de luz abusivas

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Moradores exibem as contas de luz durante protesto

Desde o ano passado, moradores do Morro Santa Marta, na zona Sul do Rio, sofrem com o aumento abusivo no valor das contas de luz. Na noite do dia 25 de março, cerca de 200 pessoas fizeram uma manifestação às margens do Santa Marta revindicando uma taxa de luz social e o cancelamento imediato de todas as cobranças abusivas. Mas essa não é a única favela militarizada que sofre com taxas de luz exorbitantes. Denúncias da mesma espécie já foram registradas pela reportagem de AND em visitas a quase todas as favelas ocupadas pelas UPPs.

Sempre que o Estado reacionário manda suas tropas para ocupar permanentemente as favelas cariocas, atrás dos tanques de guerra vão funcionários da Light, SKY, Oi e outras empresas de telefonia fixa e internet. Assim, os moradores que tinham o alívio de não pagar contas de luz, passam a ser cobrados pelo fornecimento de energia e, o pior, ainda são vítimas de cobranças indevidas. Enquanto o monopólio dos meios de comunicação anuncia a tal “liberdade” e o “acesso aos serviços públicos” promovidos pela polícia, o que se vê na prática é a manutenção do abandono dessas regiões, enquanto o Estado reacionário dá cobertura para o tráfico varejista seguir funcionando a pleno vapor e as empresas privadas subirem o morro para usurpar o salário mínimo dos trabalhadores.

Eu paguei 438 reais na última conta e, cinco dias depois, já veio outra de 239 reais. A gente se sente irado, fica com raiva e não tem o que fazer. Eu estou pelo INPS, desempregado, mas nunca tivemos nome sujo, sempre pagamos nossas contas direitinho desde que chegamos no Rio de Janeiro tem 53 anos. Agora que pacificou como eles dizem, que iam trazer melhorias para nós, o governo está roubando a população — diz o Senhor Jorge, antigo morador do Santa Marta e pai de dois profissionais da imprensa democrática, os fotógrafos Tandy e Thiago Firmino.

O ato seguiu debaixo de chuva pelas ruas de Botafogo. No trajeto, PMs tentaram forçar manifestantes a seguir em meia pista, mas não adiantou. A voz do Santa Marta falou mais alto. Revoltados, moradores soltaram o verbo e disseram que, além das cobranças abusivas, nada mudou na favela depois da chegada das UPPs.

— Não mudou nada com a chegada da UPP. As valas estão imundas, as obras de moradia para a população estão paradas há quatro anos. A única coisa que mudou foram as nossas condições de continuar morando aqui. Muitos já saíram e eu vou acabar saindo também — diz outro morador que preferiu não se identificar.

— Eu pagava 40 reais de conta de luz. Tenho uma TV e uma geladeira. Agora pago 250, 190. E a gente não tem o que fazer. O jeito é fazer empréstimo e pagar para depois brigar na justiça pela devolução do nosso dinheiro. As contas vêm aumentando a cada mês. Meu patrão tem quatro aparelhos de ar-condicionado e paga 400 reais. Como pode isso? Nós somos assalariados e não temos condições de pagar esse absurdo de conta de luz — diz o Senhor Geraldo, outro antigo morador do Santa Marta.

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