UPP dispara contra protesto no Manguinhos

Nos dias 21 e 22 de março, a reportagem de AND foi à favela de Manguinhos, zona Norte do Rio de Janeiro, apurar uma denúncia de que PMs da Unidade de Polícia Pacificadora estariam disparando tiros de munição letal contra moradores. Segundo relatos dos moradores, a polícia teria ido a um galpão atrás da Biblioteca Parque de Manguinhos para retirar cerca de 100 famílias que ocupavam o local. Diante da resistência dos moradores, PMs começaram a disparar bombas de gás e efeito moral contra as pessoas, que responderam com uma chuva de pedras e garrafas.

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Foi quando PMs teriam começado a disparar munição letal contra a população. Várias pessoas ficaram feridas e quatro jovens foram baleados. Até o fechamento desta edição, um deles ainda se encontra internado com estado de saúde estável no Hospital Salgado Filho. Revoltados, moradores de Manguinhos se juntaram à população das favelas vizinhas e incendiaram seis containers da UPP na favela do Mandela,  a poucos metros de Manguinhos.

— Nós estávamos naquele prédio porque precisamos de moradia. O comandante da UPP disse que se todos não saíssem, não sairia ninguém. Como a ocupação ficou dividida e nós demoramos a nos decidir, eles começaram a jogar gás dentro do prédio cheio de mulheres e crianças. Mesmo assim, ninguém fez nada. Do lado de fora eles começaram a bater nas pessoas. Foi aí que o povo se revoltou e começou a jogar pedra. Eles nem pensaram ecomeçaram a atirar de verdade nas pessoas. Um garoto caiu baleado do meu lado e todos correram pela linha do trem. Não precisava ser assim. Não tinha traficante nenhum no meio, foram só eles que atiraram. Nós precisamos de lugar para morar. Eu estou com a minha mulher grávida de seis meses e não posso ficar na rua — conta um morador que preferiu não se identificar.

— Tinha muita gente no meio, trabalhador, pai de família e até mulheres. Sabe por quê? Porque ninguém aguenta mais essa UPP. A gente não gostava do tráfico, mas pelo menos eles respeitavam quem é trabalhador. A polícia não respeita ninguém. Humilham você na frente da sua família, agridem que não está fazendo nada, mexem com a sua esposa na sua frente. Um absurdo. E não é de vez em quando, não. Nós sofremos isso todos os dias. Não tem habitação, saneamento, não tem um projeto social para as crianças. O que eles queriam que acontecesse? O povo se revoltou — conta outra morador.

No dia seguinte, o monopólio dos meios de comunicação fez uma ampla campanha em todos os seus canais de rádio, jornal e TV para criminalizar a rebelião popular dos moradores de Manguinhos. Divulgaram a informação de que as viaturas e demais estruturas da PM destruídas foram atacadas por “traficantes fortemente armados em duas vans que saíram do Complexo da Maré e foram interceptados por policiais em frente à favela de Manguinhos”. Nem ao menos mencionaram a ação de despejo levada a cabo pela UPP. Ao que tudo indica, essa campanha de desinformação foi utilizada pelos gerenciamentos de turno para que, duas semanas depois, as tropas do Estado ocupassem as 15 favelas do Complexo da Maré.

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