Ucrânia: agravamento das disputas interimperialistas aponta para nova guerra mundial

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“Ou a revolução conjura a guerra mundial
ou a guerra mundial atiça a revolução”

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Tanques russos na região da Criméia

Cresce em todo o mundo a tensão diante das constantes provocações, ameaças e agressões imperialistas capitaneadas pelo USA contra outros povos e nações oprimidas, em meio de conluios e contendas por nova partilha do mundo. Essa tensão escalou alturas mais graves com a crise na Ucrânia, agudizando as contradições interimperialistas a níveis alarmantes e empurrando o país para a guerra civil.

Antecedentes da crise

Antes da Revolução Socialista de Outubro de 1917, a Ucrânia fazia parte do império czarista. Em 1919 a revolução proletária triunfou também na Ucrânia, que com a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas nos anos seguintes, tomou parte dela.

Após o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em 1956, e o golpe revisionista de Kruschov, o capitalismo foi restaurado e a URSS se converteu, como o velho império czarista, num Estado opressor de povos, passando da condição de potência socialista à de superpotência social-imperialista, substituindo as relações de cooperação mútua entre as repúblicas por relações de dominação, de opressão e de subjugação nacional sobre os países, tanto do antigo campo socialista, quanto de outros do chamado terceiro mundo.

Com o agravamento de sua crise nos anos de 1980, crise própria do sistema capitalista, a URSS entrou em colapso político e desmoronou-se, dando lugar à Comunidade de Estados Independentes. Na CEI, a Rússia, apesar de sua fragilidade econômica, perdendo a posição e influência que detinha no mundo, manteve sua hegemonia frente aos demais Estados da Comunidade. Por manter no plano militar a condição de superpotência atômica, a Rússia recuperou posições na competição internacional, sendo a única potência imperialista capaz de rivalizar com o USA e impor seus interesses. Deste modo, mesmo com uma economia baseada na exportação de matérias primas, gás, petróleo (Europa Ocidental depende do gás e petróleo russos) e armamentos, o imperialismo russo tornou-se obstáculo para que o USA consolide sua condição de superpotência única e hegemônica no mundo. 

A crise na Ucrânia foi levada à máxima tensão pelo USA que, aproveitando do descontentamento popular com o governo pró-russo de Victor Yanukóvich, insuflou grupos neonazistas e da extrema-direita (Pravy Sector e Svoboda) a tomarem de assalto prédios públicos e órgãos do Estado, utilizou de franco atiradores na praça Maidan, que assassinaram manifestantes e policiais para precipitar a confrontação, até lograr a derrubada do governo pró-russo, substituindo-o por outro pró-USA/União Europeia de Arseni Yatseniuk. Em resposta, o governo Putin mobilizou tropas e meios de guerra em toda a fronteira russo-ucraniana e anexou a Criméia ao território da Rússia, com o apoio do parlamento russo e o aval de um referendo da população da Crimeia. USA e União Europeia rapidamente passaram a dar “ajuda econômica” à Ucrânia. A Rússia atiçou manifestações pró-Rússia em todo leste da Ucrânia que começaram a ocupar prédios públicos e organizar milícias armadas. Por sua vez o governo golpista da Ucrânia enviou tropas para a região e a guerra civil já é realidade.

O que está em jogo no conflito

Por que a situação se agravou tanto? Em meio da profunda crise que o imperialismo atravessa, ademais de aumentar a exploração dos trabalhadores com redução de seus ganhos e cortes de direitos como forma de buscar saída dela, o imperialismo necessita aumentar também a espoliação das nações oprimidas, bem como redefinir a partilha do mundo entre as potências mais fortes. Dentro dessa nova partilha em que o USA goza da condição de superpotência única e hegemônica, porém acossada pela crise, necessita consolidar tal condição, subjugando aos seus interesses todas as demais potências. Rússia, pela situação descrita acima, é seu principal obstáculo e o USA precisa deter a expansão de sua influência e reduzi-la ao ponto que deixe de ser obstáculo ao seu domínio total no mundo.

O USA sempre jogou para desestabilizar as áreas de influência do imperialismo russo, principalmente no Oriente Médio e mais recente na Venezuela. Mas agora, frente à gravidade da crise mundial, desencadeou uma ofensiva através de provocar distúrbios nesses países e áreas de influência do imperialismo russo, tais como Síria, Venezuela, Ucrânia e Coreia. Ofensiva no objetivo de colocar a Rússia sob a máxima pressão que, a médio e logo prazos, a forçará a ampliar muito além de suas condições seus gastos militares, debilitando-a economicamente para enfraquecê-la. Mas, principalmente em curto prazo, obrigá-la a acordos e imposições que liquidem sua presença e influência na Ucrânia, tida pelo imperialismo russo como território estratégico para seus domínios econômicos e geopolítico-militares. Provavelmente o USA planeja com isto instalar na Ucrânia seus escudos antimísseis com os quais neutralizaria a capacidade atômica ofensiva da Rússia.

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O anti-imperialismo do oportunismo é só “troca de amo”

Como fruto da própria luta das massas, têm surgido em várias regiões da Ucrânia grupos independentes em aliança entre comunistas, forças patrióticas e democráticas anti-imperialistas que opõem resistência armada à ação dos neonazistas e organizações da extrema-direita. São formados grupos de autodefesa popular nos bairros e nas manifestações e erguidas barricadas em diversas cidades. Em páginas da internet podem ser vistos vídeos com concentrações de massas e protestos erguendo palavras de ordem contra o imperialismo e até mesmo concentrações de mulheres numa barricada em um bairro de Sloviansk, leste do país, cantando o hino do proletariado, A Internacional.

Mas ainda é importante destacar que nessa disputa pela Ucrânia, o USA, apoiado pela União Europeia, e Rússia, fazem-se passar por protetores da nação ucraniana e da democracia. Em meio a essa pugna, o revisionismo e todo o tipo de oportunismo se esmera em induzir as massas populares e o proletariado a tomar partido da Rússia, como sempre tem feito nos caso da Síria, Líbia e outros, apoiando seus governos reacionários, buscando ocultar a realidade de aguda disputa interimperialista e de que à nação e ao povo qualquer um representa sua subjugação.

Faz-se sempre necessário esclarecer as massas e desmascarar esses revisionistas e pregadores da subjugação nacional. Exemplo último foi o acordo da Rússia com o USA no conflito na Síria, com o qual a soberania síria foi vendida na obrigação de destruir todo seu arsenal de armas químicas. Acordo este que a Rússia firmou para manter sua influência no país – ainda que venha a reduzir-se com uma eleição em que Assad perdesse – e não perdê-la por completo, como provavelmente ocorreria, se o USA bombardeasse o país e derrubasse o governo Assad. O destino das massas exploradas e oprimidas não é escolher por esse ou aquele amo. Como bem apontou o editorial da última edição de AND:

“Cabe aos sofridos povos dos países alvo e agredidos por invasões, golpes e provocações, impulsionar a frente revolucionária democrática e patriótica para unir a imensa maioria do povo e da nação para varrer, através da luta armada, como têm feito outros povos, a agressão imperialista. Para isto deve-se impor aos governos que reclamam defender a soberania nacional, que os mesmos deixem a posição arrogante de exigir apoio a eles e concretamente promovam a mais ampla democracia para as massas, armando-as e se apoiando nelas na luta de libertação.

E as massas populares, juntamente com os revolucionários, devem empenhar esforços por desenvolver o partido de vanguarda proletária, para transformar a guerra civil ou de resistência nacional na guerra popular e disputar e assumir a hegemonia, condição única de conjurar a capitulação e o jogo envolvente dos imperialistas em pugna, e assegurar o triunfo, a revolução de nova democracia rumo ao socialismo e a serviço da revolução mundial.”

Agravamento aponta para nova guerra mundial

Com o agravamento da crise geral do imperialismo, agravam-se, consequentemente, todas as contradições fundamentais da época atual: a principal delas, que opõe povos/nações oprimidas ao imperialismo; a contradição entre proletariado e burguesia; e a terceira, que é a contradição entre as potências imperialistas.

O imperialismo ianque está lançando uma nova ofensiva por subjugar a Rússia para consolidar sua condição de única superpotência e sua hegemonia mundial e, no momento atual, o agravamento da terceira contradição fundamental de nossa época se acumula perigosamente para nova guerra mundial.

A luta de classes e a experiência histórica da Revolução Proletária Mundial já provaram – e a heroica resistência dos povos no Iraque, Afeganistão, Palestina e outros países agredidos em processos de luta de libertação nacional, sobretudo países como Índia, Peru, Turquia e Filipinas, em que as massas, organizadas e dirigidas por partidos comunistas maoístas empreendem, há décadas, guerras populares – como é correta a afirmação de Mao Tsetung: “Ou a revolução conjura a guerra mundial ou a guerra mundial atiça a revolução”.

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