A doença senil do oportunismo

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A reação do oportunismo aos artigos que temos publicado nesta e em outras páginas de AND, denunciando a farsa eleitoral no Brasil e conclamando ao boicote da mesma, é como se fosse o samba de uma nota só. Escudando-se na importante obra de Lenin, Esquerdismo, a doença infantil do comunismo, os oportunistas se aferram à defesa deste lixo que é o sistema eleitoral brasileiro porque há quase cem anos Lenin, examinando a situação concreta da Europa, após a grande vitória do proletariado com a Revolução Russa, defendeu a participação dos comunistas, em determinadas circunstâncias, no parlamento reacionário.

Fazendo uma retrospectiva da trajetória dos bolcheviques ele pontua o tempo todo que a luta principal dos comunistas era contra o oportunismo de direita e o revisionismo. Entretanto, fazendo a análise concreta da situação concreta no ocidente e da tática de uma parcela dos comunistas, principalmente alemães, holandeses e ingleses, apontava erros de caráter oportunista de “esquerda”, os quais qualificou de esquerdismo, acrescentando ser a mesma a doença infantil do comunismo.

Os limites do parlamento burguês

O século XIX foi a época da consolidação do poder político da burguesia através da república democrática, ao concluir um ciclo com as revoluções da Alemanha e da Itália. Foi o período do capitalismo caracterizado por Lenin de seu “desenvolvimento mais ou menos pacífico” no qual a burguesia instituiu o parlamento como a expressão de sua democracia, tendo no sufrágio universal o grande apanágio para ocultar o decisivo poder do dinheiro como sua essência.

O proletariado e as massas em geral, embora alertados desde 1848 pelo Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels, sobre como conquistar o poder político, seguia em grande parte tendo a ilusão de que seu voto poderia um dia servir para mudar o quadro de opressão e exploração de classe até então vigente. Isto levou os partidos operários socialdemocratas (os mais avançados de então) a adotarem a luta parlamentar como uma de suas formas de luta.

A experiência desenvolvida pela II Internacional ao criar partidos socialistas, cujos chefes foram se amoldando gradativamente à velhacaria do parlamento burguês, mostrou de forma inequívoca os limites de tal participação. O ponto alto destes limites foi a traição generalizada de tais partidos nos episódios de votação dos créditos de guerra por ocasião da Primeira Grande Guerra Mundial (de 1914 a 1918), o que ocasionou a cisão da II Internacional diante da proposição de Lenin de que seus partidos, ao invés de apoiarem as burguesias de seus países na guerra, deveriam chamar à insurreição para derrotá-las em cada país, tomando o poder neles e, assim, conjurar o perigo da guerra.

Para os bolcheviques, educados por Lenin na compreensão da importância do trabalho aberto e secreto e das atividades legais e ilegais, a atuação no parlamento revestia-se de uma missão revolucionária, tanto assim que sua bancada no parlamento russo, por não votar os créditos de guerra e conclamar o proletariado, os camponeses e soldados a transformar a guerra imperialista em guerra civil revolucionária, foi presa e deportada para a Sibéria. A Revolução de 1917 foi, portanto, a demonstração cabal de que as formas conspirativas e a organização da violência revolucionária é que decidiram a vitória do proletariado.

O “parlamento” nas semicolônias

Consideramos semicolônias os países que, após o surgimento do imperialismo, como estágio mais avançado e apodrecido do capitalismo, constituem o polo secundário da contradição países dominantes versus países dominados. Ou seja, países que alcançaram a sua independência apenas formalmente, tendo em vista que seguem, como nos tempos de colônia, política, econômica e culturalmente dominados pelos países imperialistas. Assim sendo, diante de sua soberania alienada, sua constituição e a divisão de poderes, nela estabelecida, entre executivo, legislativo e judiciário, não passam de arremedo de seus congêneres nos países imperialistas.

Neste contexto, o que se chama parlamento numa semicolônia como o Brasil, não passa de uma casa homologatória das decisões impostas pela metrópole e, ao mesmo tempo, um clube onde os oligarcas de vários matizes fazem seus conciliábulos para ratearem entre si as sobras da derrama da riqueza nacional.

O processo eleitoral no Brasil semicolonial, considerado historicamente desde a eleição a bico de pena da “República Velha”, até a famigerada urna eletrônica da atualidade, permanece uma farsa, cuja finalidade é reproduzir o conluio burguês-latifundiário serviçal do imperialismo no controle do Estado.

Os mercadores de ilusão

O domínio do parlamento, portanto, é monopólio das classes dominantes, as quais reproduzem a sua dominação com base no uso do dinheiro e das posições que ocupam no aparelho do Estado em seus vários níveis.

Há, entretanto, uma camada da sociedade, composta principalmente por intelectuais da pequena burguesia, que implora a todo custo aos dominantes um lugarzinho no parlamento e nas demais instituições da semicolônia. Em troca oferecem seus préstimos para mercadejar as ilusões eleitorais junto às massas.

Este setor tem medo da revolução, pois vê em sua realização a possibilidade de perder seus cargos e salários, responsáveis pela existência de sua vidinha mais ou menos. Diz-se de “esquerda”. Para se diferenciar dos “stalinistas” acrescentam o termo “democrática” e omitem outro complemento necessário: “burguesa”. São socialistas utópicos dos mais variados matizes como igrejeiros, ongueiros, trotskistas e ex-guerrilheiros arrependidos. Afinal, a pequena burguesia é burguesia, só que pequena, porém candidata a grande. Por isso, na luta de classes ocupam uma posição centrista.

O revisionismo como serviçal das classes dominantes

O termo revisionismo foi adotado no movimento operário para designar uma corrente que propugnava extrair do marxismo o seu caráter revolucionário, usando o marxismo para realizar o diagnóstico da sociedade capitalista, entretanto realizando um prognóstico reformista que levava sua prática para confluir com uma orientação burguesa para a luta parlamentar. Os revisionistas negam o Manifesto Comunista que, resumindo seus propósitos ao final, anuncia que os comunistas não se rebaixam a ocultar seus objetivos e proclamam abertamente a necessidade da derrubada violenta de toda a velha ordem.

Depois dos fundadores Marx e Engels, Lenin, Stalin, Mao Tsetung e Abimael Guzmán, cada um em sua época, foram os grandes defensores do marxismo como a ciência e ideologia todo-poderosa do proletariado, como guia para a ação dos revolucionários na luta pela derrocada total do capitalismo como sistema responsável pela opressão e exploração de classe e dominação dos povos. Em sua mira estiveram exímios revisionistas como Bernstein, Kautski, Trotski, Bukarin, Togliatti, Tito, Kruschov, Liu Shao-chi, Teng Siao-ping, Enver Hohxa e outros de menor coturno.

As “críticas” que temos recebido através, principalmente, da internet, provêm de militantes ligados a organizações que se apresentam, pelo menos em suas siglas, como Partido “Comunista”. Seus argumentos para a defesa da farsa eleitoral em geral não se situam no campo comunista e sim no campo revisionista. Fechando os olhos para o novo, para a Revolução, insistem em dar sobrevida ao velho, ao carcomido sistema eleitoral brasileiro, participando e defendendo com unhas e dentes a farsa eleitoral. Mendigam um lugarzinho no clube das porcas oligarcas para chafurdarem junto com elas no lamaçal da corrupção e a serviço da subjugação nacional.

Ao insistirem no revisionismo, na doença senil do oportunismo de direita, estas organizações serão inevitavelmente varridas pelos protestos da juventude combatente, cujo brado vai se unindo com as massas camponesas que lutam incessantemente pela conquista da terra e pela revolução agrária. Será neste ambiente que, inapelavelmente, se erguerá o verdadeiro Partido Comunista que, por ser comunista de verdade, traz implícito o seu caráter revolucionário.

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