Júri simulado condena Lampião

Sessenta e cinco anos depois da sua morte, Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, foi condenado em júri popular simulado no Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito São Francisco, no Largo São Francisco, em São Paulo, a 12 anos de prisão em regime fechado. A condenação foi abrandada em um terço por ser o réu primário e beneficiário de atenuantes, segundo o juiz que presidiu o processo, Antônio Magalhães Gomes Filho, titular de Processo Civil. 

O rei do cangaço foi levado a júri sob a acusação de ter praticado, junto com o seu bando, uma chacina em Jeremoabo, na Bahia, no dia 13 maio de 1932. Nessa data tombaram mortas a tiros e a golpes de punhal, várias pessoas de uma mesma família. A sentença, baseada na votação do corpo de jurados formado por estudantes de Direito, levou em conta que o réu praticou a ação “com requintes de crueldade”. Cerca de 300 pessoas, incluindo jornalistas, escritores e artistas, assistiram a sessão. A cantora Socorro Lira cantou uma canção de sua autoria que falava de Lampião.

Na sala do júri, representou o acusado o ator Alessandro Azevedo, vestido a caráter. A seu lado a atriz Júlia Moura, no papel de Maria Bonita. Há dois anos, Alessandro viveu o rei do cangaço na peça Lampião vai ao inferno buscar Maria Bonita, de Altimar Pimentel.

Os trabalhos foram desenvolvidos pelo promotor Luis Marcelo Mileo Theodoro e pelo advogado de defesa Alamiro Velludo Salvador Netto. Antes de encerrar a sessão e elogiar os organizadores do evento, o juiz Gomes Filho disse que “esse processo pode ajudar a sociedade a refletir sobre as causas da violência no Brasil”.

O principal estudioso do cangaço e biógrafo de Lampião, Amaury Corrêa, que está lançando o livro Lampião e Maria Fumaça, não aprovou a condenação que, aliás, também contrariou consulta popular feita em julho com usuários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), idealizadora do julgamento. Consultados sobre se Lampião foi bandido ou herói, os passageiros escolheram a primeira opção.


*Assis Ângelo é jornalista, produtor e apresentador do programa São Paulo Capital Nordeste (Rádio Capital AM 1.040-SP), e autor de vários livros sobre música e folclore.

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