A reforma do Duda

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Aposentados e pensionistas agora estão sendo responsabilizados pelo déficit da Previdência

O Governo Lula tem adotado, sistematicamente, pressupostos falsos e dados inverídicos no processo de convencimento da sociedade, da mídia e da “classe” política sobre a necessidade da reforma previdenciária.

A reforma da Previdência, na verdade, está pautada em cima de bases falsas, pois esconde que, no fundo, o objetivo é cumprir a carta de rendição assinada com o Fundo Monetário Internacional ainda nos tempos da campanha presidencial.

Obedecendo mais do que o próprio FMI manda, o governo petista tem se antecipado no atendimento das vontades do grande capital internacional, acenando, inclusive, com a mercantilização dos direitos sociais dos trabalhadores que iludiu.

Esquecendo rápido demais o passado de lutar, reescrevendo proposta e desdizendo promessas, vem brindando o FMI, o Banco Mundial e a Organização do Mercado Comum com a perspectiva de vender o que resta da Saúde, da Educação e da Previdência.

Na falta de argumentos, inventa. Na ausência de fatos, cria. O Governo Lula, na sua guerra contra supostos inimigos internos, abusa da farsa, usando como estratégia as mesmas armas de Washington e Londres. Em outras palavras: o serviço público é perigoso, porque desafia a democracia e detém armas químicas de destruição em massa.

Como explicar de outra forma a bi-taxação inconstitucional do aposentado? Como tirar a aposentadoria integral de quem descontou, proporcionalmente, ao salário recebido? Por que aproximar a idade da aposentadoria à expectativa de morte do trabalhador?

O dinheiro pago a mais não teria que ser devolvido ao trabalhador com juros e correção monetária? Mudar a regra no meio do jogo não é golpe, como diria o Lula quando na oposição? O dinheiro do superávit da Previdência ainda é recuperável? A Previdência, afinal, está mesmo no vermelho?

Pelas justificativas oficiais, o trabalhador brasileiro está vivendo mais do que deve. Duas seriam as saídas: a) fuzilar todos aqueles que superam a expectativa média de vida do brasileiro; b) cortar salários, remédios e comida da mulher com mais de 55 e do homem com mais de 60 anos.

O fato é que, com a vida se esticando, o sistema previdenciário, pela lógica do Governo, está caminhando inexoravelmente para o suicídio. Conclusão: parece ser mais fácil abreviar a vida do que atacar as verdadeiras causas da enfermidade. Bastaria, por exemplo, combater os absurdos, os escândalos, a corrupção, a sonegação e fechar as torneiras por onde vazam os desvios! É preciso lembrar que a Previdência vai financiando programas governamentais que jamais retornam à origem.

Resta, contudo, a Lula uma vantagem em relação a FHC: não esqueceu o que escreveu, simplesmente porque não escreveu. Em compensação, está negando, dia-a-dia, o discurso pregado antes de alçar o poder. Suas ações parecem dizer que as palavras valem pouco. Confirmam, pois: quem ganhou a eleição foi mesmo o marqueteiro. Estamos diante das reformas do Duda!

Não está na hora de chorar um pouquinho? Umas lágrimas de crocodilo fariam bem aos trabalhadores do serviço público, indignados com a traição de quem se fartou no prato onde ora está escarrando!

Parece inacreditável. Na ânsia de mostrar serviço, o governo de “esquerda” submete-se incondicionalmente aos preceitos neoliberais, retirando da classe trabalhadora os benefícios sociais preservados na ditadura e mantidos, a duras penas, no desgoverno de FHC.

E agora, no meio do fogo cruzado, pensionistas e aposentados voltam a ser, impiedosamente, “guilhotinados” em praça pública como culpados pelo déficit público e cobaias de todas as crises. Assim, o servidor público é, de novo, vilão da falência do Estado e responsabilizado, de quebra, pelo descumprimento dos deveres sociais do Governo.

O presidente Lula tem que honrar, não a palavra dada aos governadores, como quer José Genoíno, mas a palavra empenhada ao povo que o elegeu.

Por trás da reforma, o que não é dito está embutido: um tremendo arrocho salarial, como se fosse bastante o “reajuste linear” de 1%!

A demagogia e o populismo estão, obviamente, enrolando a opinião pública, infelizmente, com a cumplicidade de parte da mídia, sempre pronta a servir os governadores, pelo menos, no início do mandato.

Enquanto isso, as campanhas publicitárias continuam pregando peças na sociedade, que acabará comprando gato por lebre!


Moacir Loth é jornalista, ex-diretor da ABJC (Associação Brasileira de Jornalismo Científico) e da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas); organizador do livro Comunicando a Ciência.

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