Argentina: do peleguismo crônico à greve geral

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Centro da capital Buenos Aires deserto durante a greve geral

No último 10 de abril mais de um milhão de trabalhadores participaram de uma greve geral de 24 horas na Argentina contra o gerenciamento vende-pátria, autoritário e antipovo da senhora Cristina Kirchner, com adesão maciça no setor de transportes. Na capital Buenos Aires as ruas ficaram desertas por causa da falta de circulação de trens, ônibus e metrô. Centenas de voos domésticos e internacionais foram cancelados. Diversas estradas foram fechadas pelos grevistas. Em uma das principais rodovias do país, a Panamericana, manifestantes enfrentaram as forças de repressão e pelo menos uma pessoa ficou ferida.

Não obstante a constatação de que o oportunismo e a direita insuflaram o movimento, visando dividendos eleitoreiros, o fato é que boa parte dos irmãos trabalhadores argentinos conseguiram romper a malha do peleguismo reinante nos grandes sindicatos daquela nação e fizeram valer a autoridade da sua classe.

O diretor de comunicação da Confederação dos Trabalhadores Argentinos (CTA), Carlos Girotti, chegou a dizer ao monopólio da imprensa, em declaração que deve ter feito até a CUT enrubescer: “Não vamos parar porque achamos que essa greve não faz sentido e porque ela é claramente contra o governo popular da presidente Cristina Kirchner”.

O gerenciamento Kirchner é um “governo” tão “popular” que agora mesmo busca “fazer as pazes com o mercado”, como noticia o mesmo monopólio, tentando costurar um acordo para pagar o Clube de Paris (grupo de 19 países que cobram da Argentina mais de US$ 9 bilhões). O início das negociações neste sentido está agendadas para o final de maio. Além disso, a Casa Rosada sob a batuta de Cristina segue atendendo a requisições do FMI e se sentando à mesa com o famigerado fundo, como na última reunião conjunta entre esta instituição e outra da mesma estirpe, o Banco Mundial, em Washington, na mesma semana da greve – em mais alguns episódios que contradizem veementemente o que diz o marketing do “anti-imperialismo” que carateriza o mais vil oportunismo eleitoreiro latino-americano.

Não satisfeita, Cristina Kirchner também acaba de entrar em acordo com a transnacional Repsol para o pagamento de indenização pela expropriação de 51% do pacote de ações da petrolífera YPF, “renacionalizada” em 2012, medida que à época foi cercada de muito alarde nacionalista, incensada como um ato de um governo pretensamente “popular” – fantasia reforçada pelo peleguismo argentino – e “soberano”. Mas com o oportunismo é assim: se o atestado de vende-pátria não vem à vista, ele chega à prazo.

Tudo isso sem contar que ainda em outubro de 2013 o gerenciamento Kirchner anunciou que aceitara pagar US$ 677 milhões a cinco empresas contra as quais havia perdido uma causa no Centro Internacional de Arbitragem para Disputas sobre Investimentos.

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