Portugal: construir uma revolução sem aspas

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25 de abril: milhares de portugueses foram às ruas em todo país celebrando a data da queda do regime fascista

O bravo povo português, sistematicamente difamado pela imprensa burguesa local e internacional como uma massa passiva, bovina, que apenas vive reclamando e que nada faz para tomar as rédeas do seu destino – como se o monopólio da imprensa reacionária prezasse a insubordinação –, esse povo celebrou no último 25 de abril o quadragésimo aniversário da sua tão estimada e assim chamada “Revolução dos Cravos”, com grandes marchas, vigorosas manifestações e agigantados protestos nas ruas das maiores cidades do país, sobretudo no Porto e na capital Lisboa, munido de profunda consciência de que a luta contra o fascismo não se encerrou 40 anos atrás. Ao contrário: a luta se faz presente, contra a Europa do capital monopolista, na figura da famigerada Troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) e seus paus-mandados encastelados no gerenciamento antipovo do Estado português.

A “Revolução dos Cravos” foi o movimento desencadeado pela jovem oficialidade do exército português em abril de 1974 que canalizou a vontade das massas de ver chegar ao fim o fascismo salazarista, quatro anos após a morte do próprio Salazar, e seis depois do seu afastamento da presidência do Conselho de Ministros por motivos de saúde. Porém, o “25 de Abril”, que é como os portugueses preferem chamar o episódio, não teve seu desfecho em um Estado verdadeiramente popular, que atendesse aos anseios de emancipação das classes trabalhadoras portuguesas.

Na lacuna de uma Frente Única das classes populares o oportunismo floresceu e deu frutos, levando Portugal a se enquadrar no modelo burguês da “democracia parlamentar” europeia, por obra e graça do Partido Socialista Português e do Partido Comunista Português, ambos chafurdados na razão eleitoreira, no jogo sufragista que o capital tanto gosta de cultivar e incentivar. Em vez de um programa revolucionário, prevaleceram os chamados “três Ds” (Descolonizar, Democratizar e Desenvolver), mais como um slogan estéril do que como diretrizes autenticamente populares, como não deixa mentir a atual situação daquele país, quatro décadas depois do 25 de Abril, ora sob intervenção estrangeira avalizada pelas classes dominantes parasitárias, como outras elites semicoloniais quaisquer.

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