Enfim, casados

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De 12 e 14 de maio, na Caixa Cultural, no Rio, o estamento gerencial das transnacionais e a burguesia burocrática monopolista associada a elas e ao Estado realizam seu conclave de 2014, que consagrará Dilma Rousseff (PT) como sua candidata a administradora colonial do Brasil.

Essa escolha não terá a forma de uma declaração oficial, mas fica patente na programação do evento, divulgada em www.forumnacional.org.br. Dilma será a única candidata a falar e o fará como “convidada especial”, na abertura, logo após o coordenador do Fórum, João Paulo dos Reis Velloso. Antes dele, palestrará o presidente do BNDES, Luciano Coutinho e, depois dela, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Também exporão os ministros Mauro Borges Lemos (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Marcelo Neri (Assuntos Estratégicos), além dos presidentes da Pré Sal S.A., Oswaldo Pedrosa Jr., e da Finep, Glauco Arbix.

Coutinho, Mercadante, Arbix e Neri já frequentavam o Fórum bem antes da primeira eleição de Lula; os dois primeiros foram, inclusive, membros de seu Conselho Diretor. Pedrosa é um caso particular, explicado adiante. Já a participação de Borges num evento desse nível deve-se apenas à sua condição acidental de ministro. Seja como for, a presença simultânea de Dilma, três ministros e três presidentes de estatais na relação de palestrantes contrasta com a ausência de nomes ligados às candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), sobretudo em vista da identificação absoluta do primeiro e da inexistência de antagonismo do segundo com o Fórum e seus ditames.

Essa preferência excludente pelo PT representa um marco na relação entre a elite econômica e as facções parlamentares, até então representadas de forma mais ou menos equânime no encontro, ainda que os petistas falassem como visitantes por vezes deslocados e os tucanos como gente da casa. Em 1994, 1998, 2002 e 2010, os candidatos do Fórum à presidência foram seus então conselheiros-diretores Fernando Henrique Cardoso e José Serra, ambos do PSDB. Em 2006, era nítida a preferência das forças nele representadas por Geraldo Alckmin, do mesmo partido.

A predileção pelo PSDB, contudo, nunca desdobrou-se em veto ao PT, que  o Fórum passa a tutelar em 1994, quando Mercadante, já assíduo em seus encontros, é escolhido candidato a vice de Lula. Houve mínimos atritos em 1998, quando Lula compôs chapa com Leonel Brizola, intragável para os fatores de poder ali congregados; e em 2005-6, quando, o acirramento da disputa de camarilhas levou essas forças e seus homens de superfície, como Reis Velloso, a manejar a carta da deposição de Lula, que, na busca de apoio para manter-se onde estava, tomou medidas fora do roteiro. Mas o PT sempre foi, para o Fórum, opção, mais que ameaça.

O que explica a inversão dessa ordem de preferência e a transformação da concubina (PT) em esposa é o estrito cumprimento, pela senhora Rousseff, do recessivo programa de crise de 2009 do Fórum, que Lula, até por não ter o hábito de comer vidro, ignorara. Se ele tentava mascarar os antagonismos sociais com a fuga para a frente de um crescimento econômico que lhe permitia pingar moedas nas mãos dos trabalhadores, ela mantém o fluxo de dinheiro para os monopólios promovendo a estagnação econômica e o arrocho brutal de salários e direitos sociais, sem medo do preço que isso acarreta em violência repressiva. Mesmo servindo aos interesses representados no encontro, Lula nunca desfrutou de sua confiança plena e, por mais que tenha se mostrado disposto a vender a alma, sempre houve dúvida sobre se iria entregá-la sem regatear. Dilma, desprovida de capital político próprio, tampouco manifesta qualquer idiossincrasia que possa ser considerada inoportuna.

Muito ao contrário, quem tem características pessoais complicadas é Aécio Neves. Os círculos de poder que dominam o Brasil já passaram pela experiência de ter um playboy cocainômano na presidência da República e não gostariam de repetir o sobressalto, muito menos num contexto de crise e insatisfação popular como o que existe hoje. De mais a mais, elegê-lo acarretaria a passagem do aparato do PT – fortalecido após 12 anos de governo – à oposição, com o consequente acirramento da guerra de facções e da instabilidade política.

Melhor, então, não trocar o certo pelo duvidoso.

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