Cacique Babau em defesa do povo Tupinambá: “Eu não vou me intimidar, ninguém vai me calar”

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Em 24 de abril, momentos antes de ser preso pela Polícia Federal, Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau, destacada liderança Tupinambá, interviu em audiência unificada das comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado em Brasília, denunciando a perseguição às lideranças e a criminalização da luta do povo Tupinambá pela posse de suas terras ancestrais no Sul da Bahia. “Eu não vou me intimidar, ninguém vai me calar. Sei que eles estão fazendo a minha prisão porque querem fazer um ataque a minha aldeia”, declarou Babau durante a audiência.

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Cacique Babau fala durante audiência antes de ser preso

O cacique viajaria no dia anterior até o Vaticano para encontro com o papa Bergoglio, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Ele pretendia entregar a Bergoglio uma série de documentos e denúncias sobre as perseguições sofridas por seu povo e denúncias da situação dos povos indígenas no Brasil.

Segundo nota publicada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o passaporte de Babau foi suspenso pela Polícia Federal, pouco depois de ser emitido, devido a existência de quatro mandados de prisão: três arquivados em 2010 e outro da Justiça Estadual de Una, acusando-o de participação no assassinato de um pequeno agricultor.

Babau utilizou a audiência, única ocasião que encontrou para poder se defender publicamente, para afirmar: “Não admito que me acusem de assassinato. Nós, indígenas Tupinambá da Serra do Padeiro, nunca assassinamos ninguém. Muito pelo contrário, devolvemos a vida à região. Nós damos a vida, não a morte. Morte é o que fazem com a gente o tempo todo. Esses que nos acusam sim, esses matam. Esses trucidam”.

O Cimi denuncia que o inquérito policial sobre o assassinato de Juraci José dos Santos, membro de uma associação de pequenos produtores de Ilhéus, em fevereiro desse ano, crime imputado a Babau, durou apenas dez dias, e “o próprio juiz aponta o ‘contingente reduzidíssimo’ da Delegacia de Polícia Civil de Una, contando apenas com dois policiais, sendo insuficiente para efetuar a investigação”. Quando do assassinato de Juraci, o monopólio da imprensa, particularmente a rede Bandeirantes, cometeu uma série de reportagens tentando vincular a morte de Juraci aos Tupinambás, sem apresentar quaisquer provas.

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