15 de maio: “Não vai ter Copa!”

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Manifestação em Belo Horizonte - MG

Acompanhando a erupção de greves e lutas populares em curso em todo o Brasil, no dia 15 de maio, o 15M, uma mobilização nacional foi proposta como dia de luta contra a Copa da Fifa. A data foi marcada por combativos protestos de trabalhadores e da juventude, inclusive em outros países. Além da crítica à Copa, em algumas cidades ocorreram manifestações de grevistas e outras exigindo direitos como o passe-livre.

Os atos criticaram a violência policial nas favelas e bairros pobres das grandes cidades e nas manifestações. Entre as reivindicações também estavam a desmilitarização da PM e os direitos para as famílias de operários mortos na construção das arenas da Copa, bem como a responsabilização das empresas.

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Os sem-teto protestaram próximos ao Itaquerão, em São Paulo

São Paulo amanheceu com pneus queimados e centenas de trabalhadores da ocupação ‘Copa do Povo’ protestando diante do “Itaquerão”, Zona Leste, arena da Copa que consumiu mais de R$ 1 bilhão, sendo grande parte de recursos públicos “financiados” pelo BNDES. Também pela manhã, outro protesto bloqueou a Rodovia Anhanguera, uma das mais importantes de São Paulo. Por volta das 10 horas, a Marginal Tietê também teve o trânsito interrompido por centenas de manifestantes. Ao meio dia, um trecho da Avenida Paulista foi bloqueado (mais informações sobre o acampamento ‘Copa do Povo’, ver matéria na página 8 desta edição).

A partir das 14 horas, aumentou a concentração de manifestantes na região central da capital. Cerca de quatro mil manifestantes partiram da Praça dos Ciclistas, na Av. Paulista, e percorreram a Av. Consolação. Desde o início do protesto, os manifestantes enfrentavam provocações e abusos policiais. Faixas, cartazes e bandeiras voltaram a tomar as ruas do Centro.

Ao cair da noite, centenas de policiais que desde a manhã mantinham os protestos sob vigilância, atacaram os manifestantes com bombas e disparos de bala de borracha. Os manifestantes responderam com pedras e avançaram pelas ruas. Objetos foram incendiados em via pública. Uma cabine da polícia, agências bancárias e uma concessionária da Hyundai, marca patrocinadora da Copa da Fifa, foram alvo da revolta popular. Segundo informações veiculadas em vários meios, 27 manifestantes foram presos.

Enquanto isso, a gerente de turno do velho Estado, Dilma Rousseff, fazia apelos para que os turistas fossem bem recebidos para a farra da Fifa. O ministro do esporte Aldo Rebelo, do pecedobê, cometeu discursos ao longo do dia dizendo desconhecer os protestos contra a Copa e tentando infrutiferamente tanger os movimentos para que fossem “pacíficos”. 

No Rio de Janeiro, cerca de três mil trabalhadores das redes municipal e estadual de educação decidiram manter a greve e saíram em passeata até o Centro da cidade. Em seguida, o ato dos educadores se uniu com o protesto contra a Copa que teve concentração às 16h na Central do Brasil.

No final da tarde e início da noite, milhares de manifestantes tomaram a Avenida Presidente Vargas até a prefeitura agitando palavras de ordem contra a Fifa, contra os crimes do velho Estado e suas gerências antipovo, exigindo punição para os assassinos de Amarildo, contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) etc.

- Remoção e violência contra os pobres: esse é o legado da Copa. Dinheiro para os megaeventos eles têm. Já para a saúde, educação, melhorias no transporte... continuam no caos. E já anunciaram novo aumento no trem – disse uma manifestante com o rosto coberto segurando um cartaz escrito ‘Fifa go home’.

Neste mesmo dia, trabalhadores rodoviários do Rio de Janeiro realizaram assembleia atrás da Igreja da Candelária. Trabalhadores da educação e vigilantes bancários, também em greve, participaram da assembléia e depois do ato. 

Em Fortaleza - CE, centenas de estudantes tomaram as ruas em um ato pelo passe livre. Na esquina entre as avenidas Treze de Maio e Expedicionários, a PM atacou os manifestantes com bombas e disparos de borracha. Os estudantes resistiram e responderam com pedras. Após o enfrentamento, os estudantes dirigiram-se para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, que foi sitiado pelas forças de repressão.  17 estudantes foram detidos e liberados após revista policial.

Em Porto Alegre - RS, estudantes da Escola Estadual Protásio Alves bloquearam o trânsito da Avenida Ipiranga, a principal radial Leste-Oeste da cidade. Os servidores do Judiciário Federal do Rio Grande do Sul também deflagraram greve por tempo indeterminado em assembleia realizada no dia 15. As principais reivindicações dos servidores são data-base, negociação coletiva e reposição das perdas.

Em Brasília, a sede da Terracap, companhia imobiliária do governo do Distrito Federal, proprietária do Estádio Nacional Mané Garrincha, foi ocupada por famílias em luta pela moradia.

Em Salvador – BA, os agentes penitenciários deflagraram greve exigindo melhor estrutura nos presídios e alojamentos, pagamento de insalubridade e aposentadoria aos servidores, entre outras demandas.

Em Belo Horizonte - MG, após assembleia geral que decidiu pela deflagração da greve, centenas de professores e funcionários das escolas públicas estaduais partiram em manifestação rumo ao Centro da cidade, onde se fundiram ao protesto contra a Copa.

Centenas de manifestantes percorreram as ruas centrais da cidade até o prédio da prefeitura. O trânsito foi bloqueado nas principais vias. Próximos a prefeitura, jovens com os rostos cobertos ergueram uma barricada com sacos de lixo em chamas e agitaram palavras de ordem contra o megaevento da Fifa, contra o aumento das passagens e contra a repressão policial: “Fora já, fora já daí, polícia das favelas e Dilma do Haiti!”, “Não vai ter Copa, nem eleição, 2014 o povo quer revolução!”.

O protesto seguiu até a Praça da Liberdade, onde está instalado um relógio patrocinado por transnacionais e pela Fifa com um contador regressivo para a Copa. Os jovens cercaram o relógio, que estava protegido pelo aparato policial, e novamente agitaram palavras de ordem. Uma catraca foi queimada: “Se a passagem não abaixar, o bicho vai pegar!”

Em outras regiões, até mesmo agentes das forças de repressão do velho Estado realizaram mobilizações. Sindicatos que representam policiais civis, federais, rodoviários federais e militares anunciaram uma paralisação nacional marcada para 21 de maio. Em Pernambuco, em Abreu e Lima, na Grande Recife, policiais em greve protestaram. Ocorreram saques de grandes lojas e tumultos, tudo fartamente utilizado pelo monopólio das comunicações para criar pânico entre a população. Agentes da Força Nacional de Segurança e do exército ocuparam as ruas.

Há relatos de protestos em outras capitais e também no interior do país. Na contagem regressiva da Fifa e da grande burguesia para a Copa, a cada dia aumenta a revolta popular, eclodem greves, barricadas são erguidas nas periferias e favelas. E em cada protesto, o povo reafirma seu grito de revolta.

No dia do fechamento desta edição de AND, 16 de maio, a Frente Independente Popular (FIP-RJ) realizava o Festival Não vai ter Copa na Cinelândia, Centro do Rio.

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