Transbordam revoltas e os protestos em todo o país

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Manifestação dos rodoviários do Rio de Janeiro

A pouco menos de um mês da data prevista para o início da Copa da Fifa, por todo o país as massas se levantam em greves e protestos por melhores salários e contra as péssimas condições de trabalho, por terra, moradia, contra a ausência completa de direitos mais básicos como ruas pavimentadas, atendimento de saúde pública, etc. A juventude se levanta em várias capitais contra os aumentos das passagens dos ônibus, unindo-se à revolta do povo contra os péssimos transportes públicos.

Diversas lutas estão em curso há várias semanas, algumas há meses. Os protestos crescem em profundidade e combatividade.

Além do Rio de Janeiro, onde trabalhadores rodoviários e a população estão em pé de guerra contra as máfias do transporte público, em outras cidades, igualmente, ocorrem greves e protestos.

Em Florianópolis - SC, os trabalhadores rodoviários também realizam uma greve paralisando as linhas que circulam no centro da cidade contra a ameaça de demissões dos cobradores com a anunciada implantação de catracas eletrônicas.

Em São Paulo, capital, os trabalhadores rodoviários paralisaram 19 linhas na Zona Sul, na madrugada de 12 de maio. A greve relâmpago durou cerca de cinco horas. Os trabalhadores protestam contra o pagamento de horas em valor abaixo do devido e contra os descontos criminosos feitos em seus salários pelas empresas em casos de acidente. Em Campinas – SP, os ônibus não saíram da garagem nos dias 8 e 9 de maio. Os trabalhadores rodoviários lutam por reajuste salarial e melhores condições de trabalho, contra demissões arbitrárias, entre outras reivindicações. No mesmo dia os trabalhadores rodoviários do ABC Paulista também deflagraram greve.

Em Curitiba – PR, trabalhadores de três empresas de ônibus paralisaram linhas na região oeste da capital, dos bairros Cajuru, Centenário, Vila Oficinas, Capão de Imbuia e em parte da cidade metropolitana de São José dos Pinhais. A paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento de salários e do abono acordado em convenção coletiva da categoria.

Em Belém - PA, no dia 8 de maio, em assembleia geral, os trabalhadores rodoviários aprovaram estado de greve. A mobilização inclui as cidades de Ananindeua e Marituba, na região metropolitana.

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Assembleia dos professores da rede pública do Rio de Janeiro

Em Fortaleza – CE, estudantes secundaristas protestaram contra o bloqueio das carteiras estudantis mediante apresentação das quais têm o direito ao meio-passe no transporte coletivo. Segundo denunciaram os estudantes, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza – Etufor, não havia entregado todas as carteiras de 2014 solicitadas até o dia 15 de abril e bloqueou os documentos utilizados por milhares de alunos provocando grande revolta. No dia 7, centenas de estudantes tomaram as ruas da cidade em direção ao Terminal Rodoviário de Messejana, onde foram covardemente atacados pela PM. Um helicóptero sobrevoava o local enquanto o Batalhão de Choque atirava contra os jovens. Balas de borracha e bombas de gás deixaram vários estudantes feridos e intoxicados. Um estudante foi atingido por um disparo no pé e, segundo denunciou um colega que participava da manifestação, teve o dedão amputado pelo tiro.

Em Goiânia – GO, no dia 8 de maio, ocorreu nova revolta popular contra o aumento recente da tarifa dos ônibus e contra a péssima qualidade dos transportes. No ano passado, massivos protestos impediram o aumento das tarifas do transporte público na capital, mas, segundo apurou o comitê de apoio ao AND de Goiânia, após a vitória da luta popular que barrou os aumentos, as empresas cortaram linhas, horários e passaram a pressionar os trabalhadores rodoviários. E, além de receber um subsídio milionário do governo estadual e prefeituras, no dia 3 de maio último, o preço das passagens subiu de R$ 2,70 para R$ 2,80. O povo tomou as ruas e, no final do protesto, um ônibus foi incendiado pela população revoltada.

O comitê de apoio ao AND de Goiânia registrou denúncias de que policiais a paisana infiltrados no protesto teriam espancado vários manifestantes, entre eles um jovem de 16 anos que ficou desacordado na porta da Faculdade de Direito da UFG. Este jovem, que foi atendido no Hospital das Clínicas, teve vários dentes quebrados.

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Milhares de professores protestam em São Paulo

Outros setores das classes trabalhadoras e moradores de bairros proletários também se levantam em protestos em diversas regiões do país.

Em Belém - PA, no dia 12, cerca de seis mil operários da construção civil foram às ruas exigir melhores salários, melhores condições de trabalho e o fornecimento da cesta básica pelas empresas, entre outras reivindicações. Os trabalhadores informaram que 80% das obras ficaram paradas e a luta conta com grande adesão da categoria. A cesta básica é umdireito já conquistado através da luta por trabalhadores da construção em várias capitais do país. Os operários de Belém afirmam que sustentarão a paralisação até que essa reivindicação seja conquistada.

Em Salvador – BA, os servidores municipais estão em greve desde 28 de abril. No dia 8, a greve ganhou a adesão dos médicos. Os servidores municipais soteropolitanos reivindicam melhores salários, melhores condições de trabalho e um plano de carreira.

Na Baixada Santista - SP, a luta operária segue acesa há meses, sobretudo no Polo Industrial de Cubatão, onde, em 8 de maio, 10 assembleias simultâneas de trabalhadores de 37 empreiteiras em greve  rejeitaram a proposta do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) de 1,5% de aumento real, sobre o INPC de 5,62%. A greve continua até o fechamento dessa edição de AND. A data base dos trabalhadores é maio e a mobilização segue ganhando a adesão de mais trabalhadores.

Em Belo Horizonte - MG, no dia 5 de maio, a assembleia unificada dos servidores públicos municipais aprovou greve por tempo indeterminado. Trabalhadores em educação, da saúde, assistência social, fiscais da vigilância sanitária, servidores da administração direta e garis exigem reajuste salarial, abertura de concurso público, pagamento de férias-prêmio atrasadas, entre outras reivindicações.

Nessa mobilização, destaca-se a paralisação dos garis, que entre as categorias em greve é a mais empobrecida e que há anos vem sofrendo com o arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho. O adicional de insalubridade pago a categoria é insignificante e o salário de cerca de R$900,00 é ultrajante. Em resposta ao arrocho, os garis deram a mais contundente resposta, suspendendo a coleta do lixo que, desde o início das paralisações, se acumulou aos montes pela cidade. Seguindo o tom dos protestos populares que ocorrem em diversos bairros na periferia de BH, realizaram bloqueios de avenidas e rodovias, como a BR-040, que dá acesso ao Rio de Janeiro, e a Avenida Catalão, onde paralisaram o trânsito com barricadas de pneus e lixo em chamas. Realizaram também uma manifestação pelas ruas do centro de BH.

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Estudantes incendeiam ônibus durante protesto em Goiânia

A região noroeste de Belo Horizonte, por onde passa a BR-040, e suas vizinhanças, incluindo o município de Ribeirão das Neves, tem sido palco de combativos protestos populares. Nos dias 5 e 6, os garis protestaram nessa região interrompendo o trânsito durante várias horas. Na manhã de 8 de maio, cerca de quinhentos moradores dos bairros San Marino e Veneza, região empobrecida do município de Ribeirão das Neves, alvo constante do descaso dos gerenciamentos de turno e da repressão policial, bloquearam por mais de cinco horas a BR-040 em protesto contra o péssimo transporte público, exigindo direitos como instalação de postos de saúde, pavimentação de ruas, etc. Durante grande parte do protesto os dois sentidos da via foram bloqueados. Dois ônibus e outros veículos foram incendiados na altura do km 517 da rodovia. Dois manifestantes foram presos. E no dia 12, mais uma vez, os garis bloquearam rodovia.

Até o fechamento dessa edição de AND, a greve dos vigilantes bancários do Rio de Janeiro completava 19 dias. Os servidores do Ministério da Cultura também estavam em greve.

Essa compilação de notícias é uma pequena amostra da elevação da temperatura da luta de classes em nosso país na antevéspera de esperados grandes protestos. O eco das jornadas de junho e julho do ano passado reverbera nessas lutas, e em cada uma delas se pode ouvir, entre tantas palavras de ordem e reivindicações específicas, um grito que sintetiza a justa revolta de nosso povo: “Não vai ter Copa!”

Greve nas redes estaduais e municipais de educação

Conforme noticiamos na última edição de AND, os trabalhadores em educação das redes estaduais e municipais se mobilizam em todo o país em uma luta nacional em defesa do ensino público.

Após seis meses da última vigorosa jornada de lutas, os trabalhadores em educação das redes estadual e municipal de ensino do Rio de Janeiro deflagraram greve em 12 de maio. A decisão foi tomada em uma massiva assembleia realizada no dia 7.

As principais reivindicações dos trabalhadores são 20% de aumento, um terço de tempo para o planejamento de aulas, mais concursos e diminuição da carga horária para 30 horas para os funcionários.

Em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém – PA, os trabalhadores da rede municipal de ensino deflagraram greve por tempo indeterminado iniciando a paralisação no dia 5 de maio. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 45% (referentes a perdas da categoria); reajuste no vale alimentação no valor de R$ 500,00; pagamento do vale alimentação para efetivos e temporários; eleição direta para direção de escola; entre outras demandas.

Em Alto Alegre dos Parecis, na Zona da Mata de Rondônia, os trabalhadores da rede municipal de educação seguem em greve geral iniciada em 23 de março contra as péssimas condições de trabalho, inúmeras irregularidades na administração municipal e exigindo reajuste de salário.

Em Caruaru – PE, a greve dos trabalhadores da rede municipal de ensino ultrapassa os dois meses e meio. Os trabalhadores lutam por reajuste salarial, adicional de insalubridade, entre outras reivindicações.

Revolta operária em Suape (PE)

No dia 5 de maio, operários da empresa Jaraguá, que trabalham nas obras da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Ipojuca, Região Metropolitana de Recife, protestaram contra o atraso dos pagamentos e bloquearam a rodovia PE-09. Em fevereiro desse ano já havia ocorrido uma greve pelo mesmo motivo. O Complexo Industrial Portuário de Suape é uma das obras do PAC do governo federal.

Em protesto contra o não pagamento dos salários, os operários interromperam o trânsito na rodovia durante cerca de cinco horas. Em seguida, os trabalhadores foram até a empresa e bloquearam os portões de entrada, informando que só retornariam ao trabalho quando recebessem os salários devidos.

Trabalhadores da Fidens-Milplan, outra empresa que presta serviços em Suape, aderiram a luta e engrossaram o protesto denunciando a demissão de dezenas trabalhadores sem que nenhum deles tenha recebido indenização rescisória.

A greve avançou até o dia 12, quando quatro ônibus foram incendiados durante manifestação dos trabalhadores na Curva do Boi, na PE-09. O Batalhão de Choque da PM lançou bombas de gás contra os manifestantes que hora se retiravam e hora retornavam a rodovia bloqueando o trânsito.

Seis trabalhadores que participavam da manifestação na PE-09 foram detidos e levados até a Delegacia de Cabo de Santo Agostinho. O sentido Ipojuca – Porto de Suape da PE-09 ficou interditado pelas carcaças dos veículos queimados, e foi liberado somente no começo da tarde. Até o fechamento dessa edição a greve era sustentada pelos trabalhadores.

Luta contra pelegos e patronal em Santo Antônio (RO)

Os operários da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho, outra obra do PAC, deflagraram greve em 25 de abril e mantiveram as obras paralisadas durante três dias exigindo reajuste salarial, aumento nos valores da cesta básica e auxílio alimentação e melhores condições de trabalho.

A greve foi deflagrada após a assembleia dos trabalhadores rejeitar a proposta aviltante de acordo firmado na Justiça do Trabalho entre o Consórcio Santo Antônio Energia (CSAC) e empresas construtoras com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero/CUT). Essa proposta previa “novos valores da cesta básica - auxílio alimentação em duas faixas, sendo R$ 300,00 para os trabalhadores com salário superior a R$ 2.890,00 e R$ 400,00 para os empregados com salário inferior a este patamar, bem como aumento salarial linear de 9% para toda a categoria”.

No dia da deflagração da greve, que ocorreu independente da direção do Sticcero/CUT, a desembargadora relatora do processo determinou o Dissídio Coletivo de Greve. Maria Cesarineide de Souza Lima determinou ao Sindicato que assegurasse a permanência de 70% da mão de obra dos trabalhadores em seus postos de trabalho, sob pena de multa diária de 50 mil reais. A imprensa local divulgou que as empresas responsáveis pela obra teriam solicitado poder demitir por justa causa àqueles trabalhadores que se recusassem a voltar aos postos de trabalho, o que foi negado pela desembargadora.

No dia 28 a paralisação foi encerrada sem que as reivindicações dos operários fosse atendida. É grande a revolta dos trabalhadores, que seguem se mobilizando para novas batalhas de forma independente do sindicato.

Desde 2011, nas revoltas operárias e greves nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, o Sticcero/CUT se posicionou de forma contrária a luta dos trabalhadores. Certamente por isso foi rechaçado e atropelado em todas elas pelos operários em luta.

A última paralisação não fugiu a essa regra. Em nota publicada na página rondoniaaovivo.com, o Sticcero, juntamente com a Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira – Conticom/CUT e CUT-RO, publicaram um “comunicado” buscando enquadrar a categoria, dizendo que a greve não poderia ocorrer “antes de frustrada (encerrada) as negociações”; que só poderia ocorrer se “aprovada em assembleia convocada pelo Sindicato”; e que “as empresas deverão ser comunicadas com 48 horas de antecedência”. Além disso, o Sticcero “orientou” os trabalhadores a não participarem de “nenhum movimento grevista que não seja coordenado pelo Sindicato”, reforçando as ameaças da patronal de que os trabalhadores poderiam sofrer “descontos de dias e até outras punições, como justa causa”.

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