Rodoviários contra Estado, patrões e pelegos

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É de conhecimento público, ainda que não apareçam na crônica do monopólio da imprensa burguesa, os estratagemas da burguesia e do Estado que lhe serve e atende para semear o divisionismo no seio das classes trabalhadores, em geral, e no meio sindical, em particular. Avessos a greves e demais formas de mobilização do proletariado, o patronato e os gerentes políticos encastelados nos vários níveis da “administração pública” - graças a campanhas eleitoreiras pagas por aqueles primeiros - não medem esforços para boicotar iniciativas reivindicatórias das classes oprimidas, atuando na cooptação de direções sindicais mais atentas às benesses que o bom trânsito com o capital e o Estado podem lhes render do que aos interesses da classe que diz representar.

Agora mesmo, no início do mês de maio deste ano, em meio às corajosas mobilizações de rodoviários por todo o país, muitas nuances desses engendros entre patrões, gerentes políticos e pelegos vieram a tona. Algumas delas tão draconianas que chegaram a arregaçar a barreira de informações sobre as agruras das massas trabalhadoras erguida pelo monopólio da imprensa, chegando às páginas dos jornalões e à programação das emissoras da burguesia, ainda que de maneira periférica. Na verdade, foi graças a essas mobilizações, tão difamadas pela grande imprensa e pelos papagaios da Rede Globo e congêneres justamente por terem sido, grande parte delas, levadas a cabo a revelia da “orientação” de sindicatos amarelos - que mais se parecem com entidades patronais -, que o teor francamente antitrabalhador de algumas “negociações coletivas” foi escancarado a nível nacional.

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Assaltos descontados em folha

Em Curitiba, a greve sem representação sindical dos trabalhadores de três empresas de ônibus levada a cabo no último 8 de maio jogou luz sobre um monstruoso “acordo coletivo” assinado pela direção pelega do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) a pedido de entidades patronais que abriu caminho para a prática de descontar do salário de motoristas e cobradores os valores tomados em assalto contra o transporte coletivo.

A informação que eclodiu desde São Bernardo do Campo por conta da greve dos rodoviários no ABC paulista dá conta de uma infâmia semelhante, senão ainda maior. Os trabalhadores denunciam que as empresas Riacho Grande, Imigrantes e Triângulo, todas pertencentes ao mesmo grupo empresarial, descontam dos salários dos motoristas e cobradores o valor referente aos bilhetes dos passageiros que têm direito à gratuidade, como aposentados e estudantes.

Também sem respaldo do sindicato, e também em protesto contra descontos salariais indevidos, em Campinas trabalhadores da empresa VB Transportes cuidaram para que 283 ônibus não saíssem das garagens.

No Rio de Janeiro, a greve dos motoristas e cobradores começou porque os “dissidentes” da categoria não aceitaram o acordo fechado entre o sindicato e a prefeitura, que definiu aumento de 10% e R$ 140 de cesta básica. Os rodoviários em greve reivindicaram reajuste de 40%, auxílio alimentação de R$ 400 e o fim da dupla função de motorista e cobrador. A direção do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb-Rio) já até adotou o léxico da burguesia e do monopólio da imprensa reacionária, falando em “motivação política” para a greve que não apoiou (no sentido de política eleitoreira). A “negociação” entre a pelegada do Sintraturb-Rio e as empresas de ônibus da capital fluminense já está sob investigação do Ministério Público.

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